segunda-feira, 14 de maio de 2018

Dia Abençoado!



A estrada da vida é mais sinuosa que esta. Aquela estrada que eu percorro com o Fernando Pedro Cachaço é tão sinuosa que me perco e não encontro o final senão quando tudo acaba. Mas até lá, eu, ainda, tenho um longo percurso.
 
Terça, 13 de Setembro de 2005
 
 
Pego no meu diário e começo a ler, calmamente, todo o conteúdo deste dia. Não quero perder pitada e escrever na integra tudo o que se passou entre nós.
 
Não  é dia de me encontrar com o Pedro. Este dia é Sagrado para mim. É dia de Nossa Senhora e, embora não pareça, mas sou muito religiosa. Quero ir ao terço e levar flores para o Altar... Estar com as minhas colegas e rezar para pedir o meu perdão. Peço que o Pedro não possa ou não se queira encontrar comigo. Tenho o meu dia todo programado com muita minúcia.
 
O dia está nublado e o vento sopra frio de nordeste.
Desço para tomar o pequeno-almoço e ficar tranquila, por alguns minutos, lendo o Correio da Manhã.
Estou embrenhada na leitura quando o meu telemóvel dá sinal. Levanto os olhos e vejo que a mensagem é do Pedro.
Tremo só de pensar o que aí vem...
 
08h 45m 09s
 
< Amor mio estou longe vou, trabalhar para a Casa Branca depois telefono. queria estar contigo  hoje mas, não dá. Beijos só nossos com todo o AMOR do mundo. AMO-TE sabia? >

Minha alma acalma e dou um suspiro de alívio.
Respondo e não lhe digo como vai ser o meu dia. Ele já me gozava por eu ter querido ir para freira em jovem. Se soubesse como tenho uma agenda de religião, então ria a bandeiras despregadas.

O dia decorre como eu o ideei. Introspeção, petição recolhimento, confissão e, depois, com a consciência mais tranquila, passar a tarde com as minhas colegas.

18h 45m 34s

< O dia foi cançativo ( Erro. O Pedro escrevia com muitos erros e, talvez, ainda não saiba escrever " quiser " ) Trabalhei que nem um cão  já, estou em casa e vou tomar banho e descansar. não vou ao MSN. Beijinhos doces nessa boquinha de sonho dorme, bem e até amanhã. >

O meu dia foi muito abençoado ou não fosse dia 13...  
 
 
 
 
 
 


terça-feira, 8 de maio de 2018

Sentir-se só!


 
 
 
Não sei o que me aconteceu com as fotos que tirei nas minhas viagens. Desapareceram do meu telemóvel e não as encontro. Mas coloquei esta que ilustra bem o Biltre do Fernando Pedro. Foi a viagem que ele fez com a Maria A****** ao norte. Esta prevalece há muitos anos. Por isso ensinou-o aquando da minha denúncia.
 
Segunda, 12 de Setembro de 2005
 
Apesar de  ter falado com o Pedro no MSN, nada ficou resolvido. Eu estou aterrada com a sua maneira de lidar comigo. Hoje sei que era por não lhe dar os doze mil e quinhentos € que ele tanto pedia com muita veemência.
 
Acordo com o tocar do telefone...
 
08h 23m 07s
 
- Estou sim, faz favor?
- Amor, bom dia. Dormiste bem?
- Dormi. Porquê?
-Não me desejas os bons dias? Parece que dormiste com os pés de fora!Passa-se alguma coisa que eu deva saber?
- Bom diiiiiiiiiiia!- disse eu afincadamente. Não se passa nada... Estava, ainda, a dormir.
- Preguiçosa! Eu já estou levantado há séculos.
- Por isso é que o teu amigo disse que estavas a ficar velho quando fizeste os 50 anos!!!
- Vá! Não tenhas conversas sem propósito.
- Têm. Não dizes que estás levantado " há séculos "!?
- Parou. Se queres gozar vai chatear o Camões. Tinha uma proposta a fazer e já não ta faço.
- Tanto me faz. Mas... Já agora o que era?
- És mesmo curiosa! Queres vir almoçar comigo? É que para a semana vou ser operado ao nariz e depois não sei quando nos veremos.
- Não falaste nisso ontem. Não estou preparada. Ainda estou na cama.
- Levanta-te. O almoço é só ao meio-dia.
- Já que insistes, eu vou. No mesmo sítio e à mesma hora?
- Sim. Aparece. Sinto-me sozinho e preciso de ti.
- Ah! Só porque precisas de mim?
- Não. Também quero estar contigo...
- Então vou-me despachar. Até já e beijinhos.
- Beijinhos que vamos dar muito, muito doces  e apaixonados.
- Ok! ( E dou uma gargalhada )
 
Ando numa roda viva a despachar-me para ir para o comboio.
Tiro o carro da garagem e rumo à estação.
Chego antes do meio-dia e dirijo-me para o sítio do costume. Estou muito apreensiva e com receio deste súbito convite à última hora.
Estou eu a cogitar com os meus botões, quando ele me abraça, por trás, e me faz dar um pinote.
-Ui! Que medo! Pensavas que era um bandido?
- Sei lá! Assustei-me, pronto...
 
Dá-me o braço, acaricia a minha mão e caminhamos em direção à restauração
Hoje não vamos para o " Só peso ", mas sim para a " Portugália ".
Ele pede um bife à Portugália e eu uma salada de marisco.
Fala da operação e diz que vai ser internado. Não quer que eu lhe telefone por que vai dar o telemóvel à mulher. Eu compreendo e será mais um motivo para que a Z****** confie nele.
Diz que está sozinho e se sente muito triste. Conta-me coisas de quando era pequeno e que veio para Lisboa. - Sabes, às vezes penso que a  minha vida não valeu nada até te conhecer. Ela leva o tempo a ralhar por tudo e por nada. Somos antagónicos. Fico calado para ela ver que não a estou a ouvir, mas mesmo assim, manda vir.
Ouço todas as suas angústias e relembro que a vida nos ensina muito e que valeu a pena viver. O aprendizado, faz-se da experiência...
Ficamos ali a conversar durante algum tempo. Somos  os últimos a sair do restaurante. Depois de desabafar, ele parece menos comprimido. Sorri e  descemos as escadas rolantes aos beijinhos.
Vou para o comboio e a despedida é sempre igual. Sorri e agradece por eu ter ido ter com ele.
Já no comboio penso naquilo que me contou. Sofreu muito com a morte do pai e depois com a do irmão. Mas é imensurável o amor que nutre pela mãe. Dou-lhe valor por isso. Uma mãe é sempre uma mãe.
Já em casa sinto-me nostálgica. Penso em tudo o que me contou e sinto compaixão.
 
21h 54m 08s
 
< Meu AMOR vou para a cama. Estar contigo fez-me bem. Sonha comigo e AMO-TE muito tu, sabes disso. Bjs só nossos. >
 
Desejo boa noite e vou para a cama. O dia foi de emoções fortes...
 
 
 
 
 

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Letargia!



Uma foto da Cidade de Viena. Gosto desta cidade com uma beleza incalculável. Estive lá uma segunda vez e tanta coisa mudou.
 
 
Domingo, 11 de Setembro de 2005
 
É Domingo! Quando acordo já o meu marido não está na cama.
Deixo-me ficar, preguiçosamente, envolta no lençol a cheirar a jasmim.
Esvazio o meu pensamento e, de olhos fechados, abandono-me a uma paz nunca antes experimentada. Não ouço nada a não ser o palpitar do meu coração onde me concentro com todas as minhas forças. É nesta letargia que o meu marido me encontra. Não sabe se me pode chamar ou se me deixa ficar, naquela contemplação, a sentir a minha paz.
 
Não quero pensar em nada. Tudo me causa constrangimento desde o dia anterior. Eu bem digo que o Fernando Pedro Cachaço é bipolar. Como pode mudar de humor num piscar de olhos?
 
O meu marido beija-me suavemente enquanto eu estou no meu ciclo de imunidade a tudo.
Acordo com uma certa estranheza. Onde estou, quem me beija, o que se passou ali?...
Ao abrir os olhos vejo o rosto tisnado, pelo sol do verão, que o meu marido mostra com algum orgulho.
Rimo-nos os dois e ele diz que me dará um cêntimo pelos meus pensamentos. Respondo que é pouco e que, os meus pensamentos, valem uma fortuna.
 
Ali digo o que ele já sabe de outras vezes que ele me encontra assim naquela paz indescritível.
 
O tabuleiro com o pequeno-almoço está na cómoda. Ele vai buscá-lo enquanto eu me sento com uma resma de almofadas atrás.
 
Como sem vontade. Volto à triste realidade que não quero enxergar.
O meu marido senta-se na beira da cama e começa a falar da minha filha. Por vezes, não o ouço. Estou " noutra " como ele costuma dizer.
Olho de soslaio para o relógio e marca 09h 45m 50s. Penso que não é tarde para uma mensagem do Fernando Pedro. E não é mesmo por  que o meu telemóvel dá sinal de uma mensagem a entrar na caixa do correio. É do Pedro, mas quando o meu marido me pergunta  de quem é, respondo que é de uma minha colega.
 
Não a abro logo. Dou o tabuleiro ao meu marido e ele sai do quarto sem dizer  uma palavra. Então leio com alguma expectativa.
 
 
< Bom dia meu queridinho AMOR AMO-TE e não sei viver sem ti. Não te vou pedir desculpa tu tb errastes e não foste ao  MSN. Assim que puderes vai Ela está a trabalhar e não temos a mãe dela XPTO. Bjs doces que só tu sabes dar. >
 
 
- " É mesmo bipolar ", digo eu em voz tremula e disforme.
 
Levanto-me e faço o habitual. Meu marido vai ao Clube ter com alguns amigos. Eu vou ao MSN e falamos das patetices do dia anterior. Nada fica resolvido, mas ele mostra-se otimista.
O dia decorre impávido e sereno.
Não recebo mais nada dele. Vai à praia com a Clà*****.
 
 
21h 12m 11s
 
 
< Não posso ir ao MSN ela, veio mal disposta e só está a mandar vir como, de costume. Dorme bem Meu AMOR e amanhã falamos. Bjs quentes de AMOR eterno. >
 
Fico de olhos em bico a olhar para aquela mensagem. A minha vida estava a tomar um rumo que eu não queria para mim. As lágrimas bailam nos meus olhos...

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Conheces Fernando Pedro? Natural!
 
Estou de volta depois de duas semana no estrangeiro. Precisava mesmo de descansar. Foi muito gratificante para mim. Revi locais que já não via há muito tempo. A evolução chega a todo o lado. Fiquei de queixo caído. Havia muitas modificações. Andorra no seu melhor. Tempo maravilhoso, mas muita neve por lá. Bordéus, onde estive aquando da minha doença e na qual fiz o meu transplante de medula, Paris, cidade romântica, Zagreb, Budapeste, Viana de Áustria ( Estava aqui quando me comecei a escrever com o Fernando Pedro Cachaço ). Enfim, lugares muito bonito e de descanso.
 
 
Mas vamos a mais uma narrativa da minha triste experiência com o Pedro. Abro o meu diário e começo a ler...
 
 
Sábado, 10 de Setembro de 2005
 
 
Acordo com uma dor de cabeça enorme pelo que se tinha passado no dia anterior. Estou triste e abatida. O meu coração sangra qual rio em época de chuvas intensas.
Volteio-me na cama. Aperto a minha cabeça que parece que vai explodir a qualquer momento. Ouço o telefone tocar e nem um milímetro me movo para o atender. Meu marido atende. Acaba de chegar depois de ter tomado banho.
 
Pela conversa sei que é a minha filha. Quero falar com ela, mas a minha cabeça não deixa. Não a posso levantar da almofada e um vómito seco sai da minha garganta...
 
Meu marido fica aflito e diz a minha filha que eu estou doente.
Não consigo ouvir a conversa que se desenrola entre o meu marido e a minha filha querida. Desmaio!
 
Não sei o que se passou. Apenas acordo com um pano muito fresco na testa.
 
Meu marido quer levar-me ao hospital, mas eu digo que só tenho dor de cabeça  e preciso descansar.
Com os olhos fechados ouço a narrativa da conversa da minha filha com o meu marido.
Fico triste! Não posso ir a Alemanha para a visitar. Ela tem conferências em Frankfurt e que acabam no final do mês. Agora só no Natal.
 
Depois, depois apago completamente num sono tão profundo que aflige o meu marido...
 
É já tarde quando abro os olhos. Meu marido continua ali ao meu lado com as minhas mãos entre as dele. Fica feliz e pergunta se estou melhor. Claro que sim! Aquele sono foi tão reparador que me deu uma alma nova.
Levanto-me, dou um beijinho ao meu marido e vou tomar banho.
 
Quando desço, já  o meu marido está a preparar o almoço.
Entretanto dou uma olhada no telemóvel.
 
10h 23m 59s
 
< Bom dia amor desculpa, o que se passou ontem. AMO-TE muito e tu sabes disso. beijokinhas doces. >
 
 
Respondo que as desculpa "evitam-se " como ele me costuma dizer. Fica zangado e só sei dele mais tarde.
 
21h 10m 31s
 
< Vai ao MSN quero falar contigo. Bjs >
 
Respondo que não posso, mas não lhe digo que estive com dor de cabeça.
 
< Dorme bem e até amanhã. Bjs >
 
E é assim que termina mais um dia, horrendo, que o Fernando Pedro Cachaço me faz passar...
 


sexta-feira, 20 de abril de 2018

Ausência!

Com este pôr do sol, muito lindo, venho dizer-vos que, por uma semana, não estarei por aqui.
 
Adoro as vossas visitas e os comentários que enviam para o e-mail com medo de represálias. Não tenhais medo. Eu dou a cara e sei que, o Fernando Pedro Cachaço, vem visitar a minha página. Ele sabe que não é mentira o que escrevo. Eu disse-lhe que ia escrevendo tudo o que se ia passando connosco...
 
Até breve!

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Um encontro para esquecer!

É nestas alturas que eu fico confusa em relação ao Pedro.
Na véspera, no MSN, combinámos encontrarmo-nos em Entrecampo. Ele ainda ia para aí a trabalhar.
 
Sexta, 09 de Setembro de 2005
 
Na hora do costume eu estou em Entrecampos à sua espera.
Fico ali ,sentada, uma infinidade de tempo.
O sol faz o obséquio de aparecer. Está quente lá fora, mas ali, debaixo do alpendre, está mais fresco.
Penso até que ele já não apareça, mas heis que o vejo vir, do meu lado esquerdo, de uma porta estreita e que mostra o interior de onde se vê um túnel...
Levanto-me e vou ao seu encontro na esperança de ser beijada e abraçada por ele.
Nada disto acontece. Dá-me um empurrão e distancia-se de mim.
Com os olhos fora das órbitas, quero saber o que se passa.
Diz-me que está muito transpirado e que só quer tomar banho. " Mas onde? " Pergunto eu muito estupefacta.
Responde que vamos à pensão e que lá toma banho. Não estava à espera disto. O nosso encontro era para irmos ao Campo Pequeno.
Mas aceito, um bocado contrafeita e sem o demonstrar.
Seguimos e entramos na pensão. Já o conhecem e sempre o conheceram, coisa que era um quebra cabeça para mim. Hoje sei porquê. Não fui a primeira nem a última a levar-me lá.
Pago o quarto e somos encaminhados para  um já nosso conhecido. Casualidade.
Segue para tomar banho, mas apenas deixa a água correr pelo seu corpo. Não põe sabonete.
 
Começamos o nosso jogo de amor. Fico agoniada. Cheira muito a transpiração e a xixi, mas continuo, embora queira que tudo acabe num ápice. Foi muito desenxabido.
 
Vamos tomar banho e, então, lava-se com todo o esmero como se quisesse apagar qualquer vestígio daquele encontro. Fico  triste, mas cantarolo a canção que já vem sendo um apanágio dos nossos encontros.
 
Saímos e vamos almoçar à Feira Popular. O costume: " Nos Lobos do Mar ".
 
É um almoço muito em silêncio. Falamos pouco. Uma vez é para me criticar. Não quer que eu coma uma sobremesa deliciosa.
Não és meu dono. Não mandas em mim. E, além do mais, há muito tempo que não como um doce. Por outro lado, sou que vou pagar o almoço. Ou hoje é a tua vez?
- Não. Tu já sabes que eu não tenho dinheiro!
- No princípio do mês! E queres que eu acredite, não?
- Faz como queiras.
E a conversa morre ali.
 
De regresso à estação, diz que tem que apanhar aquele comboio. Dá-me um beijo e segue sem olhar para trás. Eu fico muito desiludida. Foi  um encontro para esquecer.
 
 
Fico sem saber se chegou bem. Nada mais sei, embora lhe tenha dito que não gostei da atitude dele...
 
 


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Trabalho em Entrecampos!



Às vezes temos sonhos que não são realizáveis. Mas outros que se realizam e basta sonhar acordada.
É o que me acontece neste dia em que o sol está um pouco escondido.
Estou a pensar que seria bom ir ter com o Pedro amanhã, Sexta-Feira. É que depois é a operação dele e o tempo de convalescença vai ser demorado.
 
O telefone toca e eu fico excitada.
 
 
Quinta, 08 de Setembro de 2005
 
 
08h 12m 15s
 
 
- Estou sim, por favor?
- Bom dia minha flor. Dormiste bem?
- Bom dia. Estás muito bem disposto.Eu dormi muito bem.
- Quanto a estar bem disposto, não é o caso. Hoje vou para Entrecampos trabalhar. Fico lá naquele buraco sem se ver o sol.
- Mas hoje não há sol! Pelo menos aqui.
- Aqui também não, mas não dá gozo...
- O trabalho não é gozo. Serve para muitas coisas e uma delas é fazer coisas úteis e distracção.
- Por isso é que trabalhas... Eu vou-me reformar. Tenho quase 40 anos de caixa e vou para casa descansar.
- Com cinquenta anos? Vais para casa tão novo?
- Isto é um desabafo. Não quero ir senão tenho que a ouvir a dar ordens para eu fazer isto e aquilo.
- Também eras útil! Ela trabalha e quando chega a casa vem cansada...
- Qual cansada quais quê!? Ela gosta de implicar, ou por que o tapete não está no lugar, ou por que estou no computador, ou por outra coisa qualquer... Ela é assim. Somos antagónicos e eu já te disse isso.
- De facto! Mas uma mulher não pode ser assim tão má depois de lhe teres aperfilhado a filha.
- Não foi por ela e eu já te contei a história...
- Sim, sei... Apaixonaste-te primeiro pela bebé! Mas tem que ter isso em consideração, não?
- Ouve, não quero falar dela e tenho que  ir trabalhar, essa é que é essa...
- Amanhã posso me encontrar contigo? Mete-se o fim de semana, depois a operação, a convalescença...
- Calma. A operação é só para a outra semana...
- Eu sei. Mas se não posso, fica para a semana.
- Não. Amanhã vem ter comigo à hora do costume. É verdade! Como reagiu o teu marido ontem?
- Então não falámos depois disso no MSN? Já sabes como foi.
- Pois! Aquele idiota pensa que sabe tudo. Diz lá que não te amo? Ainda tens aquela porcaria que ele te deu pelos anos aí no hall?
- Tenho e não o posso tirar. Também é uma prova de amor.
- Não é nada. É só para se armar ao pingarelho. Bom, amanhã fica assim. Vamos almoçar juntos. Hoje não sei se te posso enviar mensagem ou telefonar. Mas vais ao MSN, não vais?
- Penso que sim. Tudo depende.
- Vá não te faças cara. Tu também gostas, né?
- Gosto e muito.
- Pera um cadinho...
( ouço-o a falar com alguém, mas não percebo nada. )
- Ainda estás aí?
- Claro. Disseste-me para esperar, não foi?
- Mas tenho que ir. Os homens já têm tudo arranjado e vamos agora para  Entrecampos.
- Bom trabalho e até logo. Beijinhos muitos.
- Beijinhos loucos de amor. Inté!
 
 
 
 Fico a pensar que a nossa relação, afinal, está a ir muito bem.
 
O dia passa com alguma lentidão. A Glorinha veio e está lá em cima. Quando ela desce, falamos um pouco e ela sai.
 
 
 
21h 09m 51s
 
 
< Amor mio estou no MSN. vem. Beijokinhas. >
 
 
Falamos muito no MSN. Coisas banais e sem importância. Principalmente do seu trabalho. Deseja-me boa noite e despedimo-nos...
 
Fico empolgada para o dia seguinte.
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