segunda-feira, 1 de junho de 2015

Zangada

Segunda, 25 de Outubro de 2004
 
Tudo o que escrevo neste blogue é verdade. Tenho um caderno onde escrevia tudo o que se passava entre mim e o Pedro. Só não tenho as nossas conversas do msn porque não sabia como guardar nem nunca me ensinou.
 
 
08h555m00s
 
 
- Estou sim, por favor?
- Olá, meu Amor. Foi um fim de semana para esquecer. Ontem não consegui falar contigo. O que se passou?
- Bom dia, Pedro. Ontem fui almoçar ao restaurante da minha cunhada e, depois, passei a tarde em casa da madrinha do meu marido. À noite fui jantar com a minha sogra.
- Mas tu não te dás com elas...
- É verdade. Mas de vez em quando tenho que marcar o ponto para não haver chatices. E agora menos quero ter problemas com o meu marido.
- Ok! Tu lá sabes.
- Então foste ao Alentejo no sábado?
- Fui. A minha mãe tinha que lá ir e eu levei-a.
- E só soubeste no sábado?
- Não. Porquê?
- Porque não me disseste na sexta-feira no MSN.
- E tinha que te dizer?
- Não. a vida é tua. Eu também não tenho nada que te dizer quando vou ou por que vou a casa da minha sogra.
- Estás a ser mazinha.
- Não. Respondi da mesma maneira que tu.
- Vá, não estejas zangada. Eu não quero. Queres vir almoçar comigo hoje?
- Não posso. Tenho a roupa para secar. Amanhã vem a Glorinha passar e arrumar o sótão.
- Por que chamas sótão àquilo? É outro andar que tu tens.
- Não sei. Talvez porque está assim na planta da casa.
- Hum, está bem. Que posso fazer para não estares chateada?
- Vem na quarta ter comigo.
- Sim, vou, Amor mio. Agora, se me dás licença, tenho que ir trabalhar. Vou para a linha de Cascais.
- Um bom dia para ti. Beijinhos e até logo.
- Beijinhos dos nossos. Não sei quando me despacho.
- Se for depois das 18 horas, já não telefones.
- Beijinhos e fica bem.
- Beijinhos.
 
18h20m35s
 
 
< Meu amor de ontem de hoje e de amanhã só cheguei agora. Já não pude falar contigo. Foi um dia grande e muito trabalho. Logo vai ao MSN para falarmos um cadinho. Só estou bem a falar e estar contigo. Na quarta faço-te ir ao ceu outra, vez e vai ser tão bom como sempre.
Agora vou pa casa. Ela está a trabalhar de noite esta semana. Dá para falarmos à vontade.
Beijinhos quentes e molhados. >
 
22h01m45s
 
< Foi bom falar contigo. Dorme bem. Beijinhos dos nossos. >
 
 


domingo, 31 de maio de 2015

MSN

Domingo, 24 de Outubro de 2004
 
10h11m03s
 
 
< Bom dia Amor. Hoje vai ao MSN às 15h. Ela está a trabalhar. Bjs dos nossos. >
 
 
 
17h15m04s
 
 
< Não foste ao MSN. Porquê? Bjs molhados. >
 
 
 
21h01m12s
 
 
< Meu Amor de ontem de hoje e de amanhã não vieste ao MSN. Estive à tua espera e não apareceste. Ela está a trabalhar e até era bom, falarmos à vontade. Estás zangada comigo? Não te zangues pq eu Amo-te muito. Não sei viver sem ti. És a luz dos meus olhos e o meu caminho. Estou sempre a pensar em ti. Tenho-te no coração e no pensamento. Diz alguma coisa para eu descansar. Beijo teus lábios vermelhinhos com doçura. >

sábado, 30 de maio de 2015

Alvito

Sábado, 23 de Outubro de 2004
Neste dia, foram as mensagens que eu recebi do Pedro, via telemóvel. Não percebi se estava a falar a sério, se não queria falar comigo por causa de Sexta-Feira.
 
08h22m01s
 
 
< Meu Amor vou a Alvito com a mãe L****. Não sei a que horas chego. Bjs dos nossos. >
 
 
 
12h35m10s
 
 
Vou Almoçar agora. Estou em casa do meu irmão. Bjs molhados.>
 
 
 
21h45m02s
 
 
Meu Amor cheguei agora. Já não dá para falarmos no MSN. Boa noite. Bjs molhados. >

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Mentiras


Sexta, 22 de Outubro de 2004
 
Mais uma mensagem do Pedro. Só passados uns dias que fui à terra é que vi que a linha da Casa Branca estava desativada. Não sei por onde andou neste dia. Estava-me sempre a mentir. Mas era atencioso, meigo, compreensivo, carinhoso, amoroso... Retrato de um sociopata.
 
08h10m12s
 
 
< Bom dia meu Amor de ontem de hoje e de amanhã. Hoje não posso falar contigo. Vou para a Casa Branca trabalhar com uns homens. Não quis deixar de te dizer nada. Amo-te muito e vou contigo no coração. Não sei a que horas chego. Mas vai ao MSN pode ser que já tenha chegado. Beijinhos dos nossos. >
 
 
22h10m24s
 
 
< Meu Amor dorme bem. Só cheguei agora. Beijos dos nossos. >

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Pular a cerca

Quinta, 21 de Outubro de 2004
 
09h00m001
 
 
Mais um telefonema do Pedro. Serve-me o meu diário como guia nesta dissertação.
 
 
- Sim, por favor?
Bom dia, meu Amor. Dormiste bem? Eu dormi maravilhosamente a pensar no dia bom que me destes.
- Bom dia, Amor. Eu também dormi muito bem. O meu último pensamento foi para ti.
- Tenho uma pergunta a fazer-te. Posso?
- Podes. Vamos ver se te sei responder.
- Foi a primeira vez que pulastes a cerca?
- Pular a cerca? Que expressão é essa? Não conheço.
- Ter um caso como o nosso.
- Já te disse milhentas vezes. És o primeiro e último, além de meu marido. Nunca tive um amante, se é isso que queres saber.
- Sim, queria. Ontem foste o máximo. Estavas em fogo. Eu adorei.
- Mas muitas coisas foram ensinadas por ti. O teu fetiche é muito giro e é bom. Nunca tinha visto e nem sabia que se poderia fazer.
- Assim dá-se mais prazer à companheira.
- As coisas que tu sabes. Agora faço eu uma pergunta. Posso? É de carácter pessoal, também.
- Faz as perguntas todas que quiseres.
- É a tua primeira vez além da tua mulher? É que tens muita experiência.
- Sabes que sim. A experiência vai-se ganhando ao longo dos anos. Por isso é que eu fui aprendendo para ela saber o bom da vida. E para ti agora.
- Tenho dito.
- Quando quiseres, podes perguntar seja o que for. Eu sei sempre responder.
- Aposto que sim. Tens resposta para tudo, lá isso é verdade.
- Vim para Lisboa com doze anos. Aprendi muito.
- Vê-se. E calculo que sim. A vida é a nossa mestra. Eu, então, vim estudar para Lisboa, mas trouxe um casal para tomar conta de mim. Era muito tímida. Enfim.....
- Agora vou trabalhar. Vou a Santa Apolónia e depois volto aqui. Até logo, meu Amor.
- Beijinhos doces e até logo?
- Beijinhos daqueles que só tu sabes dar.
 
17h45m00s
 
- Estou sim, faz favor?
- Meu Amor sou eu. É só para me despedir. Hoje já trabalhei bastante. É para aqueles dias como ontem.
- Ainda me tens que dizer como podes tirar tantos dias.
- Fica para amanhã. Ainda vou a Entrecampos buscar uma coisa e estou com pressa.
- Que não seja por isso. Até logo no MSN. Beijinhos doces.
- Até logo no MSN às nove, certo? Beijinhos dos nossos.


terça-feira, 26 de maio de 2015

Segunda Quarta-Feira

Quarta, 20 de Outubro de 2004
 
09h05m10s
 
 
< Neste segundo encontro em casa, foi de delírio. Estava na estação já fazia algum tempo. O comboio chegou atrasado e eu já suspirava por tudo o que era canto. Olhei o relógio mais uma vez e verifiquei que já eram horas de ter chegado. De repente oiço um silvo que me assustou. Era o comboio que chegava. Foi com alegria que vi o Pedro descer as escadas. Como sempre, vinha muito alinhadinho. Eu sai do carro e encostei-me à porta à espera dele. Ele chegou muito sereno e confiante. Lançou os braços em volta da minha cintura e beijou-me com avidez. Um beijo longo e determinado. Fiquei feliz por ver que vinha mais tranquilo. O dia seria bom.
Já no carro, começou a acariciar-me onde quer que podia. Relembrei que eu vinha a conduzir, mas mesmo assim, não parou. Quando chegámos a casa e que fechei a porta, agarrou-se a mim e disse que me ia fazer a mulher mais feliz que alguma vez tinha sido. Já no quarto, despimo-nos mutuamente e beijávamo-nos com desespero. Desta vez era diferente. Ele estava mais calmo e depressa chegou ao clímax levando-me na mesma altura a mim. O seu corpo era sedoso e cheirava a mel. Beijei-lhe o corpo todo e ele disse que lhe fizesse o que eu gostaria para não ficar a pensar que poderia ir mais além. Eu não sabia. Ele ensinou-me muitas coisas. Eu era mesmo ingénua. Coisas que nunca tinha feito nem sabia que se poderiam fazer. Foi uma manhã de delírio que se estendeu até às treze horas.
Fomos tomar banho e ele lavou-me com a minha luva ao mesmo tempo que me acariciava. Confesso que cheguei ao clímax novamente. Ele representava tudo para mim. Nunca tinha sido tão feliz. Mas a felicidade alheia, paga-se bem caro. Foi o que me aconteceu uns meses mais tarde.
Fomos almoçar ao restaurante chinês. Comemos crepes, pato à Pequim, arroz chau-chau e sobremesa de ananás. A menina trouxe um licor de canela que eu não gostei e vinham uns papelinhos fechados que nós abrimos. O meu dizia que tivesse cuidado com amizades alheias. O dele dizia que estava a enganar uma amiga. Fartámo-nos de rir. Ele disse que nada daquilo era verdade e que eu não fizesse caso. Eu respondi que não era supersticiosa. Estivemos na conversa até a menina dizer que iam fechar o restaurante para limpeza para abrir à noite.
Mas na hora de pagar, empurrou a conta para o meu lado. Estranhei, mas não fiz comentários. A partir daqui, fui eu sempre que paguei as contas. Até que me habituei a isso. Voltámos para casa e, já no sofá, ainda me fez chegar ao clímax...
Carícias, abraços, meiguices e um sem número de coisas que foram só delícias. Mas o tempo não para e chegou a hora de o levar de volta para a estação. Ainda não tinha partido e já me falava de saudades. Estivera muito bem. Mais solto e com um à vontade que me deixou estupefacta. Dissemos adeus e ele partiu. Enviou-me uma mensagem via telemóvel que dizia o seguinte: Foi o dia mais maravilhoso que tive. Nunca o esqueças que eu tb não. Beijinhos molhados.
Sorri ao ler a mensagem e pensei que tinha encontrado o meu príncipe encantado. >
 
 


segunda-feira, 25 de maio de 2015

Nome de Mãe

Terça, 19 de Outubro de 2004
 
 
08h45m50s
 
 
-Sim, faz favor?
- Bom dia Amor. Dormiste bem? Estás bem disposta?
- Bom dia querido. Dormi bem e estou bem disposta. E tu como estás?
- Eu estou muito contente. Verdade, como está a tua mãe?
- Está a piorar cada dia mais. Esta doença é uma doença que evolui todos os dias.
- Como se chama a tua mãe?
- Por que queres saber?
- Para a tratar pelo nome.
- Chama-se A*********. E a tua?
- A minha chama-se L****, mas em Alvito toda a gente a conhece por L******a.  Desde sempre que me lembro de ser chamada assim. Não a conhecem por L****.
- Engraçado! Nomes que vêm de jovens e ficam.
- Vou lá com ela, quando tem assuntos a tratar.
Vou pra casa do meu irmão. Mesmo quando vou de férias, fico na casa dele. Levo a C****** R***** e o meu sobrinho. A minha filha gosta muito daquilo.
- Eu também gosto de ir à minha terra. Tenho lá muitas amigas. Fazemos sempre festas em casa uns dos outros. São casais. Agora é que está lá um P******** que é solteirão, mas também vai.
- O toureiro também vai?
- Às vezes, mas cada um ocupa o seu lugar. Somos ambos casados.
- Ui, tenho ciúmes! Quando é que lá vais agora?
- No final do mês. Mas não tenhas ciúmes. Nada há entre nós.
- Eu acredito em ti. Só outro homem me poderá afastar de ti. Não gosto de misturas.
- Eu também não. Por isso estás à vontade.
- Queres vir almoçar comigo?
- Hoje, não. Amanhã não vens ter comigo?
- Claro que vou e vai ser bom.
- Eu também acho. Vais estar mais tranquilo e vai ser um dia bom.
- Amor, tenho que desligar. Está aqui um fulano à minha espera.
- Vai lá. Beijinho doce e até logo.
- Beijinhos dos nossos. Até logo.
 
 
 
17h45m00s
 
 
< Meu amor de ontem de hoje e de amanhã. Hoje não posso falar contigo. Tenho aqui gente. Mas amanhã estarei na estação às 9h da manhã. vai-me buscar. Hoje ainda falamos no MSN. Aparece à hora do costume. Beijinhos que só tu sabes dar. >
 
 
21h35m01s
 
< Meu amor foi pouco tempo, mas foi bom. Dorme bem. Até amanhã na estação. Beijos dos nossos. >