quarta-feira, 3 de junho de 2015

 
Quarta, 27 de Outubro de 2004
 
 
09h24m10s
 
 
< Na hora acima descrita, eu encontrava-me na estação dos comboios. O comboio onde vinha o Pedro, estava atrasado e eu a ficar impaciente. De repente ouvi um silvo muito grande e apercebi-me que era o comboio a chegar. Vi o Pedro descer as
 escadas com a sua altivez e sumptuosidade. Fiquei feliz por o ver. Parecia muito feliz e alegre. Já não era o Pedro do dia anterior.
Chegou junto de mim e beijou-me efusivamente. No trajeto até a casa, fez-me carícias de toda a espécie. Em casa foi uma manhã cheia de amor e volúpia. O Pedro já se sentia em casa.
Cerca das 13 horas fomos tomar banho. Como sempre, lavou-me e acariciou-me até à exaustão.
Desta vez eu ia levá-lo ao D. N***. Mas ele relembrou-me que era um lugar onde eu ia com o meu marido e já me conheciam muito bem. Então dissidimos ir ao C******. Almoçámos no restaurante Central. Foi muito bom. Ele olhava para mim com um olhar de ternura e meiguice. Eu retribuía e foi mais um dia maravilhoso.
À hora do comboio, fui levá-lo. Foi com lágrimas nos olhos que dissemos " adeus". Vi-o partir no comboio e fiquei na gare até o comboio desaparecer.
Regressei a casa e vinha muito feliz.
Ele enviou-me uma mensagem a dizer que tinha sido um dia maravilhoso. Neste dia não falámos no MSN. > 

terça-feira, 2 de junho de 2015

Meu irmão

 
Terça, 26 de Outubro de 2004
 
Mais uma conversa tida com o Pedro quando falávamos ao telefone. São conversas registadas no meu diário e que me servem hoje para escrever aqui.
 
08h45m00s
 
- Estou sim, faz favor?
- Bom dia, Amor. Dormiu bem?
- Sim. E tu?
- Eu não e estou muito nervoso.
- Pode-se saber porquê?
- Podes. Tenho que falar com alguém que me compreenda. Lá em casa não posso falar nisto.
- Então fala que eu ouço. É sobre o quê?
- É sobre o meu irmão.
- Aquele que te vendeu a casa?
- Não. É aquele que morreu de acidente.
- Áh! Não sabia.
- Pois. Nunca falámos nisto. Eu era solteiro e estava em casa com a minha mãe quando bateram à porta. Eu logo me lembrei que era sobre o meu irmão. Ele tinha saído de moto.
- Então tinhas outro irmão!?
- Sim e dava-me muito bem com ele. Quando abri a porta, perguntei logo se era sobre o meu irmão. Nem queria acreditar no que me diziam. Não sei como tive coragem para dizer à minha mãe. Ele tinha morrido de acidente.
- Que pena! E sonhaste com ele?
- Não, mas veio-me ao pensamento e não consegui dormir. Estou nervoso.
- Queres que eu vá ter contigo para te sentires mais aliviado?
- Se tu pudesses vir, eu agradecia-te. Nem sou capaz de trabalhar.
- Então eu vou almoçar contigo.
- Obrigado. Eu sabia que tu me compreendias.
- Num caso assim, toda agente compreende.
- Então vens ter comigo?
- Se te ajudar, eu vou.
- Vens no comboio das 11 horas?
- Sim, Amor. Estarei para te ajudar no que puder.
- A tua presença já ajuda e tenho com quem desabafar.
- Então até já, meu Amor.
- Obrigado, meu Amor.
- Não tens que agradecer. Faço-o por que quero.
- Beijinhos e até já. Faz boa viagem.
- Obrigada, Amor. Beijinhos.
 
Fui ter com o Pedro ao Centro Vasco da Gama. Esperei por ele no local habitual. Apareceu muito pálido e muito nervoso. Almoçámos na casa das sopas e ele comeu muito pouco. Falámos muito e contou-me todos os pormenores da morte do irmão. Passei a tarde com ele a passear no parque junto ao rio.
Quando o deixei, já estava mais descontraído. Ficou combinado ele vir no dia seguinte ter comigo. Despedimo-nos com muitos beijinhos e ele colocou a mão dele na janela do comboio quando a porta se fechou. Eu coloquei a minha e vim satisfeita por o ter ajudado.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Zangada

Segunda, 25 de Outubro de 2004
 
Tudo o que escrevo neste blogue é verdade. Tenho um caderno onde escrevia tudo o que se passava entre mim e o Pedro. Só não tenho as nossas conversas do msn porque não sabia como guardar nem nunca me ensinou.
 
 
08h555m00s
 
 
- Estou sim, por favor?
- Olá, meu Amor. Foi um fim de semana para esquecer. Ontem não consegui falar contigo. O que se passou?
- Bom dia, Pedro. Ontem fui almoçar ao restaurante da minha cunhada e, depois, passei a tarde em casa da madrinha do meu marido. À noite fui jantar com a minha sogra.
- Mas tu não te dás com elas...
- É verdade. Mas de vez em quando tenho que marcar o ponto para não haver chatices. E agora menos quero ter problemas com o meu marido.
- Ok! Tu lá sabes.
- Então foste ao Alentejo no sábado?
- Fui. A minha mãe tinha que lá ir e eu levei-a.
- E só soubeste no sábado?
- Não. Porquê?
- Porque não me disseste na sexta-feira no MSN.
- E tinha que te dizer?
- Não. a vida é tua. Eu também não tenho nada que te dizer quando vou ou por que vou a casa da minha sogra.
- Estás a ser mazinha.
- Não. Respondi da mesma maneira que tu.
- Vá, não estejas zangada. Eu não quero. Queres vir almoçar comigo hoje?
- Não posso. Tenho a roupa para secar. Amanhã vem a Glorinha passar e arrumar o sótão.
- Por que chamas sótão àquilo? É outro andar que tu tens.
- Não sei. Talvez porque está assim na planta da casa.
- Hum, está bem. Que posso fazer para não estares chateada?
- Vem na quarta ter comigo.
- Sim, vou, Amor mio. Agora, se me dás licença, tenho que ir trabalhar. Vou para a linha de Cascais.
- Um bom dia para ti. Beijinhos e até logo.
- Beijinhos dos nossos. Não sei quando me despacho.
- Se for depois das 18 horas, já não telefones.
- Beijinhos e fica bem.
- Beijinhos.
 
18h20m35s
 
 
< Meu amor de ontem de hoje e de amanhã só cheguei agora. Já não pude falar contigo. Foi um dia grande e muito trabalho. Logo vai ao MSN para falarmos um cadinho. Só estou bem a falar e estar contigo. Na quarta faço-te ir ao ceu outra, vez e vai ser tão bom como sempre.
Agora vou pa casa. Ela está a trabalhar de noite esta semana. Dá para falarmos à vontade.
Beijinhos quentes e molhados. >
 
22h01m45s
 
< Foi bom falar contigo. Dorme bem. Beijinhos dos nossos. >
 
 


domingo, 31 de maio de 2015

MSN

Domingo, 24 de Outubro de 2004
 
10h11m03s
 
 
< Bom dia Amor. Hoje vai ao MSN às 15h. Ela está a trabalhar. Bjs dos nossos. >
 
 
 
17h15m04s
 
 
< Não foste ao MSN. Porquê? Bjs molhados. >
 
 
 
21h01m12s
 
 
< Meu Amor de ontem de hoje e de amanhã não vieste ao MSN. Estive à tua espera e não apareceste. Ela está a trabalhar e até era bom, falarmos à vontade. Estás zangada comigo? Não te zangues pq eu Amo-te muito. Não sei viver sem ti. És a luz dos meus olhos e o meu caminho. Estou sempre a pensar em ti. Tenho-te no coração e no pensamento. Diz alguma coisa para eu descansar. Beijo teus lábios vermelhinhos com doçura. >

sábado, 30 de maio de 2015

Alvito

Sábado, 23 de Outubro de 2004
Neste dia, foram as mensagens que eu recebi do Pedro, via telemóvel. Não percebi se estava a falar a sério, se não queria falar comigo por causa de Sexta-Feira.
 
08h22m01s
 
 
< Meu Amor vou a Alvito com a mãe L****. Não sei a que horas chego. Bjs dos nossos. >
 
 
 
12h35m10s
 
 
Vou Almoçar agora. Estou em casa do meu irmão. Bjs molhados.>
 
 
 
21h45m02s
 
 
Meu Amor cheguei agora. Já não dá para falarmos no MSN. Boa noite. Bjs molhados. >

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Mentiras


Sexta, 22 de Outubro de 2004
 
Mais uma mensagem do Pedro. Só passados uns dias que fui à terra é que vi que a linha da Casa Branca estava desativada. Não sei por onde andou neste dia. Estava-me sempre a mentir. Mas era atencioso, meigo, compreensivo, carinhoso, amoroso... Retrato de um sociopata.
 
08h10m12s
 
 
< Bom dia meu Amor de ontem de hoje e de amanhã. Hoje não posso falar contigo. Vou para a Casa Branca trabalhar com uns homens. Não quis deixar de te dizer nada. Amo-te muito e vou contigo no coração. Não sei a que horas chego. Mas vai ao MSN pode ser que já tenha chegado. Beijinhos dos nossos. >
 
 
22h10m24s
 
 
< Meu Amor dorme bem. Só cheguei agora. Beijos dos nossos. >

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Pular a cerca

Quinta, 21 de Outubro de 2004
 
09h00m001
 
 
Mais um telefonema do Pedro. Serve-me o meu diário como guia nesta dissertação.
 
 
- Sim, por favor?
Bom dia, meu Amor. Dormiste bem? Eu dormi maravilhosamente a pensar no dia bom que me destes.
- Bom dia, Amor. Eu também dormi muito bem. O meu último pensamento foi para ti.
- Tenho uma pergunta a fazer-te. Posso?
- Podes. Vamos ver se te sei responder.
- Foi a primeira vez que pulastes a cerca?
- Pular a cerca? Que expressão é essa? Não conheço.
- Ter um caso como o nosso.
- Já te disse milhentas vezes. És o primeiro e último, além de meu marido. Nunca tive um amante, se é isso que queres saber.
- Sim, queria. Ontem foste o máximo. Estavas em fogo. Eu adorei.
- Mas muitas coisas foram ensinadas por ti. O teu fetiche é muito giro e é bom. Nunca tinha visto e nem sabia que se poderia fazer.
- Assim dá-se mais prazer à companheira.
- As coisas que tu sabes. Agora faço eu uma pergunta. Posso? É de carácter pessoal, também.
- Faz as perguntas todas que quiseres.
- É a tua primeira vez além da tua mulher? É que tens muita experiência.
- Sabes que sim. A experiência vai-se ganhando ao longo dos anos. Por isso é que eu fui aprendendo para ela saber o bom da vida. E para ti agora.
- Tenho dito.
- Quando quiseres, podes perguntar seja o que for. Eu sei sempre responder.
- Aposto que sim. Tens resposta para tudo, lá isso é verdade.
- Vim para Lisboa com doze anos. Aprendi muito.
- Vê-se. E calculo que sim. A vida é a nossa mestra. Eu, então, vim estudar para Lisboa, mas trouxe um casal para tomar conta de mim. Era muito tímida. Enfim.....
- Agora vou trabalhar. Vou a Santa Apolónia e depois volto aqui. Até logo, meu Amor.
- Beijinhos doces e até logo?
- Beijinhos daqueles que só tu sabes dar.
 
17h45m00s
 
- Estou sim, faz favor?
- Meu Amor sou eu. É só para me despedir. Hoje já trabalhei bastante. É para aqueles dias como ontem.
- Ainda me tens que dizer como podes tirar tantos dias.
- Fica para amanhã. Ainda vou a Entrecampos buscar uma coisa e estou com pressa.
- Que não seja por isso. Até logo no MSN. Beijinhos doces.
- Até logo no MSN às nove, certo? Beijinhos dos nossos.