sexta-feira, 15 de maio de 2015

Foi bom!

Segunda, 11 de Outubro de 2004
 
 
08h55m00s
 
 
- Estou sim, por favor?
- Bom dia Amor, dormiu bem? Eu estou muito Feliz. Foi tão bom estar contigo no sábado. Não gostastes?
- Bom dia, Pedro. Dormi a pensar em ti. Estou muito Feliz, também. Acho que nunca fui tão Feliz.
- Eu sei que agora somos um do outro. Nunca tive dúvidas, como tu.
- Foram dúvidas saudáveis. Tinha medo de ser Feliz. Coisa que nunca fui. A maior Felicidade que tive, foi ser mãe. Vivo para a minha filha.
- E agora vives para mim. Já tens duas pessoas para quem viveres.
- Pois, eu sei.
- Hoje vou trabalhar fora. Assim que chegarem os homens, vou sair.
- Então já não falas comigo hoje?
- Falo. Logo tenho que vir aqui e telefono. Hoje já não tens as limpezas.
- Não. As grandes já acabaram. Agora só vem nos Meu beijinho doce como o mel e até logo, meu Bem.
- Beijinho e tem um bom dia. >
 
 
12h10m23s
 
< Meu amor estou a almoçar em entrecampos. Beijinho doce de mel para sobremesa. >
 
 
17h35m00s
 
- Estou sim, faz favor?
- Então como foi o teu dia?
- Não estás a telefonar do mesmo número?
- Não. Já não vou ao Oriente, hoje.
- O meu dia foi a pensar em ti e a relembrar o nosso encontro.
- Ui, nem me fales. Foi tão bom que quero repetir, percebes?
- Sim, percebo. Por isso já na quarta estarás comigo.
- Estou desejoso que passe depressa para estar contigo. Não costumas teres vizinhas a bisbilhotar?
- Não. Aqui toda a gente trabalha e como são vivendas, é tudo muito individual.
- Ainda bem. Vou no comboio das nove. Vais-me buscar à estação?
- Claro, meu Amor. Lá estarei às nove horas. Antes. Gosto mais de esperar do que esperem por mim.
- Vai ser bom, acredita. Vou fazer-te ires ao céu. Há muito tempo que lá não vais?
- Sim. Há bastante tempo.
- Então vamos os dois. Isto por aqui também anda mal nesse aspeto.
- Não me digas? Anda assim tão mal?
- Nem imaginas. Agora chega às onze horas e vem sempre cansada e de mau humor. Começa logo a implicar mal chega à porta.
- Não deve ser fácil viver com uma pessoa assim.
- Não é fácil. Mas eu agora já não me ralo. Tenho-te a ti! És toda a minha vida.
- E tu a minha. Era tão diferente antes de te conhecer! Nada fazia sentido. Só sentia prazer quando ia a Alemanha ver a minha filha. Eram e serão os dias mais felizes da minha vida.
- Gostas muito da tua filha, não gostas?
- Sim, gosto muito. Amo-a e sem ela não era ninguém. Temos uma cumplicidade muito grande. Depressa lhe vou contar isto.
- É bom ver essa cumplicidade. A minha mulher só é assim para a minha mais velha.
- Tem outra idade e compreende melhor. A C***** é muito nova e ainda não compreende.
- A converseta está muito boa, mas tenho que ir. Também está a chegar o teu marido.
- Sim, de facto que já são horas.
- Muitos beijinhos de mel nesses lábios vermelhinhos e até logo no MSN.
- Beijinhos doces e até logo. >
 
 
22h10m11s
 
< Meu amor mesmo agora te deixei e já tenho saudades. Boa noite e até amanhã. Beijinhos dos nossos. >

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O Carro

Domingo, 10 de Outubro de 2004
 
10h12m02s
 
 
< Meu Amor de ontem de hoje e de amanhã gostei de ler, a tua mensagem. Vem cheia de Amor. Eu tb te AMO muito e agora, mais que nunca sei que não, te quero perder. Não te preocupes com o meu carro. Já falei com o mecânico meu, conhecido e vou pô-lo hoje à tarde para ser arranjado. São coisas que acontecem, percebes? Não quero que isto atrapalhe o nosso Amor.
Eu tb não consegui dormir a pensar no lindo dia que me deste. Ainda sinto os teus beijos nos meus lábios tão gulosos. Hum, que maravilha. Na quarta vamos se encontrar outra vez. Estou ancioso. Beijinho e deixa de pensar no meu carro. Pensa antes em nós. >
 
 
15h23m50s
 
 
< Meu Amor estou no MSN. Aparece para falarmos um cadinho. Beijinhos molhados. >
 
 
 
22h10m10s
 
< Meu Amorzinho foi bom falar contigo. Agora sei que estamos juntos. Boa noite. Beijinho e adoro-te sabias? >

terça-feira, 12 de maio de 2015

Segundo Encontro

Sábado, 9 de Outubro de 2004
 
10h20m50s
 
Segundo encontro
Valha-me o meu diário para me recordar ao pormenor de tudo.
 
< Encontrámo-nos à porta do Centro Comercial Vasco da Gama. Ele deu-me dois beijinhos e eu retribui. Disse-me que era muito bom eu ter ido. Estava muito contente na sua camisa aos quadrados azuis, encarnados e brancos. Levava uma maleta à tiracolo e umas calças claras. Assim que saímos do Centro para o lado do Tejo eu perguntei-lhe se não estava a fazer nenhum "frete" ao andar comigo. Muito atrapalhado com a pergunta, disse que não e que estava muito contente por estar comigo. Afirmou que me amava muito e pegou-me na mão. Levou-me para o jardim e começou a beijar-me com uma avidez que parecia que não via mulher há muito tempo. Passado um tempo começou a chover aquela chuva primeira de Outono. Molhámo-nos e quando parou de chover agarrou-se novamente a mim. Eu também lhe passei o braço em redor do seu corpo e a camisa molhada e fria fê-lo dar um gritinho. Assustei-me, mas ele disse que a camisa estava fria. Larguei-o logo a seguir. Não queria magoá-lo. O tempo voou e quando demos pelas horas já tinha passado da hora de almoço. Hoje volvidos tantos anos, sei que não fomos almoçar porque ele não queria pagar o almoço e, também, não queria que fosse eu a pagar para não o deixar mal visto. Sei disto de outras vezes que nos encontrámos. Era sempre eu que pagava a conta porque ele não a pagava. Fomos lanchar. Eu pedi um crepe na casa dos crepes que havia no Centro e ele não pediu nada. O meu crepe vinha cheio de canela e ele sacudiu-o com um guardanapo. Foi um dia maravilhoso para mim. Pensava que estava a viver o melhor dia da minha vida, mas não era. Seria o meu segundo passo para o calvário. A hora da despedida foi cruel para mim. Ele também se mostrava triste. Fomos até ao carro dele. Estava orgulhoso do seu mercedes. Era um carro já velho, mas bem conservado.
Quando chegámos, tinham-lhe partido o vidro do lado do pendura e levado o autorrádio. Também fiquei triste por ele e prontifiquei-me a pagar os estragos porque era por mim que ele ali estava. Não aceitou. Já dentro do carro discutimos, no bom sentido, onde nos haveríamos de encontrar para haver mais intimidade entre nós. Não se achava um lugar. Então eu, burra como sempre, ofereci a minha casa para tão vil ato. Ficou combinado que na próxima quarta-feira ele vinha no comboio e eu iria busca-lo à estação às nove horas. Agora era eu que não o queria perder. Não sei o que ele me fez para eu ter caído de amor por ele. Era um amor que não tinha sentido por ninguém. A despedida foi triste para mim e deixei-o com lágrimas nos olhos. Foi assim, cheio de amor, o nosso segundo encontro. >


segunda-feira, 11 de maio de 2015

Folhetos

Sexta, 8 de Setembro de 2004
 
 
10h20m01s
 
 
< Meu Amor de ontem de hoje e de amanhã hoje não telefonei para não atrapalhar, enquanto andas nas limpezas. Já acabas hoje e tb é para te enviar os folhetos. Tira proveito que são muito bons. Logo telefono para combinarmos para amanhã. Se telefono antes das seis tens a tua empregada se telefono, depois das seis chega o teu marido, mas vou arriscar. Tem um bom dia. Adoro-te sabias? Beijinhos dos nossos. >

15h17m10s

< O teu marido só serve para estragar tudo. Enviei os folhetos e ele já tos tinha arranjado. Não queria ter ciúmes mas, tenho muitos. Desculpa. E não precisas agradecer. Foram enviados com muito Amor.Não recebi os versos de que falas. envia novamente. Beijinhos de mel. >

17h15m45s

< Amor mio não posso telefonar. Vou agora sair. Já recebi os versos e não tinha a caixa cheia. És desconfiada? Não gosto.
Os versos são muito bonitos. Agora sou eu que gradeço. Amanhã encontramo-nos à porta do Centro que foi da outra vez. 10 horas está bem para ti? Para mim está bem. Se não poderes envia mensagem para o telemóvel. Vai ao MSN. Beijinhos doces. Até amanhã. >

domingo, 10 de maio de 2015

Pen

              Quinta, 7 de Outubro de 2004

 
Mais uma vez me servi do meu diário para escrever o que se passou entre mim e o sociopata do Pedro. Parecia adivinhar os meus pensamentos. Fazia tudo para me agradar. Era meigo, carinhoso, compreensivo, possessivo e eu pensava que me amava, mas enchia-me de mentiras para levar avante o seu intento.
Mais uma conversa que me levava para o abismo. Nunca tinha tido um homem a não ser o meu marido, mas tive que me emprenhar nas façanhas do Pedro.
 
09h00m00s
 
- Estou sim, faz favor? ( nunca sabia quem estava do outro lado)
- Meu Amorzinho, sou eu. Como estás hoje? Não estás zangada por não falar contigo ontem?
- Não. Cada um tem a sua vida. Tem que seguir em frente e fazer tudo para não darmos bandeira. Eu não gosto disto. Receio o que aí vem.
- Não receeis. Vou fazer tudo para te fazer Feliz. Escreve o que te digo.
- Sim, escrevo as nossas conversas e o que está no computador, espero guardar quando me arranjares a pen. Não é assim que se chama?
- É. E vou-te arranjar uma e depois digo-te como podes guardar.
- Eu disso não percebo nada.
- Eu ensino-te. É mais fácil que dar um ai.
- Acredito que será fácil para quem sabe.
- Meu amor estou aqui para te ajudar sempre. Te amar, dar carinhos, meiguices e compreensão.
- Eu espero que sim, porque nunca me envolvi com ninguém.
- Eu também não. ( uma mentira que descobri mais tarde que antes de mim já tinham por lá passado umas quantas e até as levou a sítios onde me levou a mim).
- Calada? que foi que eu disse que te fez ficar calada?
- Nada ou por outra, estava a pensar se fui mesmo a primeira nesta aventura.
- Não lhe chames " aventura" porque não é. Levo muito a sério.
- A ver vamos. Agora tenho uma empregada que vem aí e tenho que desligar. Beijinho e até.
- Quando a conversa está boa, temos sempre que desligar. Beijinho e até logo. >
 
17h45m00s
 
- Estou sim faz favor?
- Amor o prometido é devido. Aqui estou para falarmos mais um cadinho.
- Desculpe, mas é engano. Aqui não mora ninguém com esse nome. Com licença. ( a Glorinha ainda estava a acabar a limpeza desse dia e tive que improvisar. )
 
22h01m45s
 
< Ainda tens a tua empregada? Não vieste ao MSN e estou triste. Beijinho de boa noite. >

sábado, 9 de maio de 2015

Quarta,6 de Outubro de 2004
 
09h00m00s
 
- Estou sim, faz favor?
- Bom dia Amor mio. Estás bem?
- Bom dia, Pedro. Má hora para telefonares. A Glorinha está quase a chegar.
- Quando ela chegar, eu desligo.
- Sim, tem que ser.
- Vens sábado ter comigo?
- Sim. O meu marido está fora todo o dia.
- Pois. Eu já disse lá em casa que trabalho no sábado para não haver surpresas.
- Não gosto disto. Nunca menti ao meu marido.
- Não precisas de lhe mentir. Dizes que vens ao Centro Comercial e ele compreende.
- Vou dizer. Vem aí a Glorinha. Beijinho.
- Beijinho.>
 
17h56m00s
 
< Meu Amor hoje tenho aqui o chefe. Estava a ver se ele se ia embora, mas acho que vai ficar mais um tempo. Como trabalho de noite se houver, alguma coisa vou já para casa. Que chegue o sábado depressa. Vai ao MSN. Se eu estiver gostava, de falar contigo. Beijinhos muitos e dos nossos. Adoro-te sabias? >

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Fiz a noite

11h22m10s
Terça, 5 de Outubro de 2004
 
< Meu Amor de ontem de hoje e de amanhã fiz a noite, só cheguei agora. Não te posso telefonar porque tens a tua empregada. Gostava de ouvir a tua voz, mas deitei-me eram quatro da manhã. tive um trabalho. como faço a noite não posso ficar. tenho que vir assim que me chamam. depois explico com mais pormenores. Meu Amorzinho adoro-te e sei que tu tb me adoras mas, quero ouvir isso mais uma vez. Faz-me bem ouvir, percebes? Beijinhos dos nossos e tem um bom dia. >
 
18h00m00s
 
- Estou sim, faz favor?
- Meu Amor, sou eu. Já tinha saudades de te ouvir. Trabalhar de noite não é bom, mas tenho que o fazer.
- Boa tarde, Pedro. Explica lá isso.
- Somos dois a fazer este trabalho. O meu chefe também faz. É quando avaria algum placard nós temos que o ir arranjar. De três em três semanas, calha-me a mim.
- Deve ser difícil estares a dormir bem e teres que te levantar.
- Mas depois durmo de manhã. É para compensar.
- Estou a ver.
- Quando acabas as limpezas?
- Esta sexta-feira já acabo, se tudo correr bem. Fico com tudo limpinho. Até dá gosto estar em casa.
- No sábado está combinado?
-Sim. Ainda ontem o meu marido me disse que ia a casa da minha sogra arranjar não sei o quê e almoça lá. Já chega de noite e no Domingo deve ir acabar.
- Estou desejoso que passe a semana. Já disse lá em casa que venho trabalhar. É por causa das coisas, percebes?
- Sim, percebo.
- Como está a tua mãe?
- Está a piorar de dia para dia. Esta doença é mesmo assim. Já nem conhece as filhas em certos momentos. Estou preocupada porque as minhas irmãs já disseram que eu tenho que ficar com ela uns tempos. Em Janeiro vem fazer exames médicos e fica cá um tempo.
- Não nos podemos encontrar nessa altura.
- Vamos ver como correm as coisas. Vem aí o meu marido. Beijinho doce e até amanhã.
- Até amanhã, meu Amor. Vai ao MSN um cadinho. Beijinhos molhados. >