terça-feira, 22 de setembro de 2015

Conhecer a minha filha

Terça, 21 de Dezembro de 2004
 
Este dia marcou uma época para mim. Fui fazer uma eco à tiroide e deu dois nódulos já grandinhos. Entrei em pânico quando a médica me disse. Quando saí da Clínica, telefonei logo ao Pedro a contar. Eu chorava muito e ele mal percebia o que se estava a passar. Pensou que fosse alguma coisa relacionada com a minha filha. Ela chegava, neste dia, pelas onze da manhã, ao aeroporto da Portela.
Quando o Pedro compreendeu do que se tratava, tentou animar-me e dar-me forças dizendo que havia de me amar sempre fosse qual fosse o meu estado.
Também me telefonou o meu colega Andrino. Contei, muito chorosa, o que se estava a passar. Ele tentou animar-me e a esposa dele também me animou. Eram ambos meus colegas.
Fui buscar a minha filha ao aeroporto. Chorei agarrada a ela. Deu-me força e disse que, se não me tratassem em Portugal, iria com ela. Conhecia bons médicos e tinha um bom relacionamento com eles.
Do aeroporto, fomos para o Vasco da Gama. Tinha combinado com o Pedro que iríamos almoçar para ele conhecer a minha filha.
Quando nos encontrámos com o Pedro, eu vi, pelo semblante da minha filha, que algo não estava bem, mas não perguntei nada.
 Fomos almoçar à Portugália.
Pedi uma salada de camarão para mim. A minha filha e o Pedro pediram um " Bife à Portugália ".
Quando terminámos o almoço, veio a conta e, como de costume, foi entregue ao Pedro. Foi a primeira vez que o vi puxar pela carteira. Olhei para ele e estava lívido. Eram cinquenta € e setenta cêntimos. Puxei o livrinho onde estava a quantia para mim,  não o deixando pagar. Eu é que o tinha convidado para conhecer a minha filha. Ele mostrou-se aliviado. Até a minha filha reparou e não deixou passar em branco.
O resto da tarde foi passado nas compras. Afinal o Natal era mesmo isso " compras ".Despedimo-nos do Pedro e viemos para casa.
No caminho, a minha filha disse-me que não tinha gostado dele. Nem em me deixar pagar a conta. Era um miminho que ele poderia ter feito para agradar à minha filha, disse-me ela. Não contei à minha filha que eu é que pagava sempre. Senão, ainda tinha ficado com mais má impressão dele.
Já à noite recebi uma mensagem dele que dizia o seguinte: - Como me portei? axas que a tua filha gostou de mim? Eu gostei dela. Dorme bem. Bjs molhados. ( sempre com erros ortográficos. Eu ficava horrorizada. Mas ele só tinha o décimo segundo, feito pós laboral. Era de valorizar. )

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Encontro inesperado.

Segunda, 20 de Dezembro de 2004
 
Hoje foi um dia complicado. Estive em reuniões. Ficou deliberado que no Sábado vou aos Açores para ir visitar a firma de lá e acertar alguns pontos. Só devo vir na terça já noite ou quarta de manhã. Vou ficar privada de escrever aqui nesses dias. Lá também tenho computador, mas não vou levar o meu diário. E, provavelmente, estarei cansada ao fim do dia. Fica aqui o meu esclarecimento.
 
Neste dia 20, logo pelas 07h20m30s recebi uma mensagem do Pedro a perguntar se podia vir ter comigo. É que no dia a seguir vinha a minha filha e lá se ia a nossa volúpia de amor.
A mensagem dizia o seguinte: - Amor podemos encontrarmos hoje? É que depois já não dá. Bjs molhados. >
 
Eu ainda estava ensonada e não me tinha recordado disso. Respondi que podia vir e que eu ia ao comboio, buscá-lo
Às nove horas já eu estava na estação. O comboio veio atrasado, como já era seu apanágio.
Vi-o descer as escadas com o seu porte de galã de cinema. Estava feliz e sorria para mim.
Quando chegou junto de mim, abraçou-me muito e beijou-me efusivamente como se estivesse estado longe de mim largas semanas.
Já no carro, as suas mãos mexiam e remexiam em todo o meu corpo. Pedi para parar porque eu vinha a conduzir.
Em casa a cena repetia-se e a roupa foi ficando aqui e ali.
Foi com êxtase que fizemos amor e fui a mulher mais feliz naquele momento. Eu pensava mesmo que ele gostava de mim como eu gostava tanto dele. Tinha uma paixão avassaladora que me levava a não pensar que era um erro crasso o que estava a fazer. Para mim, isso era normal e amava-o, pensava eu. Hoje vejo, friamente, que foi uma paixoneta e não passou disso. Descobri quando o comecei a conhecer  melhor e ele me começou a arranjar amantes. Isto depois de ter lá o dinheiro que me tinha pedido e não era pouco. Além de todas as despesas serem pagas por mim.
Depois do habitual banho, fomos almoçar ao Chinês ao C******.
Quando a empregada trouxe a conta, ele, como sempre, empurrou-a para o meu lado. Eu já estava habituada e não liguei.
Lá vieram os papelinhos da sorte. O meu dizia:- O inimigo está a teu lado.
O dele dizia:- Não estragues a tua sorte.
 
Rimo-nos e eu não levei a sério o aviso que me era dado. Não era supersticiosa. Conversámos tanto que o dono do restaurante, pôs-nos na rua, literalmente.
Fui levá-lo ao comboio e fiquei a vê-lo ir com o seu porte majestoso.
 
Já vinha para casa quando recebi esta mensagem < Foi um dia muito feliz não axastes? Amo-te sabia? >
Á noite ainda falámos no MSN.
 
Fiquei doida de alegria e li e reli a mensagem. Era uma prova de como ele gostava de mim, pensei eu. 
 
 
 

domingo, 20 de setembro de 2015

Foto do Jardim!

Domingo, 19 de Dezembro de 2004
 
 
Neste dia andei a enfeitar a árvore de Natal com o meu marido. O Pedro enfeitou o jardim e enviou-me uma foto. Estava muito bonito. O meu marido apenas colocou lâmpadas de várias cores  nas árvores do nosso jardim. Também lhe dava um ar festivo e eu ansiava a noite para ver o efeito. Gosto destas coisas. Tínhamos um pequeno presépio. Estávamos a arrumar tudo. A minha filha vinha passar o Natal connosco. Estava com intenção de a apresentar ao Pedro.
 
 
11h20m30s
 
 
< Vai a foto. Gostas? É o meu jardim. andei a enfeitar com a C*****a R****l. Já enfeitaste o teu? Bjs molhados. >
 
 
 
15h02m09s
 
 
< Amor vai ao MSN para falarmos um cadinho. adoro-te sabia? Bjs >
 
 
Não pude ir ao MSN. A minha sogra veio cá a casa.
 
 
17h30m23s
 
 
< Amor o que foi ela aí fazer? Estragar-te o dia? Não penses. Bjs de quem te ama. >
 
 
22h10m45s
 
 
< Dorme bem. Tenho o jardim que parece a praça da figueira. O teu está iluminado? Bjs molhados. >

sábado, 19 de setembro de 2015

Pintar o cabelo!

Sábado, 18 de Dezembro de 2004
 
Lindo é este aspeto do interior da igreja de Alvito. Terra Natal do Fernando Pedro. Uma vila com muita história. Entre essa mesma história, nasceu o nosso sociopata e maior biltre que já conheci: O Pedro.
 
 
11h10m10s
 
 
< Bom dia Amor. ando às compras no Feira Nova. tinta para pintar o cabelo. Já tenho algumas brancas. Bjs doces. >
 
 
12h30m43s
 
 
< não te tinha dito? Pois pinto o cabelo. É para ser jovem. Hi!hi!hi!....Bjs dos nossos.
 
 
 
15h45m29s
 
 
< Estou no MSN. Aparece. Quero falar contigo. Bjs molhados. >
 
 
15h55m56s
 
 
< Não podes? Mas ele está aí? E logo? Bjs docinhos. >
 
 
 
 
21h49m34s
 
 
< hoje foi para esquecer. Tenho saudades tuas. Bjs. teu Pedro. >

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

As Desculpas não se pedem

Sexta, 17 de Dezembro de 2004
 
 
Como já era hábito desde há uns meses atrás, o Fernando Pedro C*****o Marques, telefonou logo pela manhã. Eu já estava levantada porque tinha que ir ao Banco.
 
 
08h45m25s
 
 
- Estou sim. Quem fala?
- Meu único Amor, sou eu. Bom dia. Acordei-te?
- Não. Ia agora ao Banco resolver um assunto.
- Então mais um cadinho e não te apanhava, certo?
- Sim.
- Lá ficava eu a pensar que tinhas fugido com outro.
- Não sejas parvo. Também tenho a minha vida, percebes?
- Estava só a brincar.
- Pois. A brincar, a brincar, mas lá vais  magoando.
- Vá, não te zangues. Vai lá ao banco, não vá o patrão chatear-se.
- Qual patrão? ( Perguntei eu sem perceber onde ele queria chegar )
- O teu marido.
- Não vou ver a conta dele, vou ver a minha conta.
- Têm contas separadas?
- Não, mas tenho uma só minha. E que te interessa? Já te perguntei se tinhas conta separada da Z`**?
- Mas eu já te disse.
- Mas do dizer ao ser verdade, vai muita coisa.
- É verdade. É por causa da casa.
- Olha não me interessa e tenho mesmo que ir. Não quero chegar atrasada. O  Sr. Fidalgo está à minha espera.
- Estás a despedir-me?
- Não, mas tenho hora marcada. Desculpa.
- As desculpas não se pedem, evitam-se.
- Bolas!!! Estás sempre a dizer isso. Começo por ser mal educada e não " pedir desculpas ".
- Ui... Esse mau feitio.
- Olha até logo. Ah! Logo a Glorinha só sai às 6 horas. Não telefones.
- Ainda mais essa. Então inté.
- Adeus e beijinhos.
- Beijinhos doces.
 
 
12h00m56s
 
 
< Amor já tratou do banco? Qual é? Bom almoço. Bjs molhados. >
 
 
 
17h34m58s
 
 
< Também não precisavas ser tão mal educada. Não me interessa qual o banco. Foi só para meter conversa. Vais ao MSN? Vamos falar um cadinho. Ela trabalha. A V*** M***** vai sair e a C****** R***** Vai dormir cedo. Diz que está cansada. Eu sei que ela vai ouvir música, mas eu fico à vontade. Aparece. Bjs de quem te adora muito, sabia? >
 
21h45m29s
 
< Foi tão pouco tempo que nem deu para nada. Amanhã aparece à tarde. Dorme bem. Bjs só nossos. > 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Atrevido!

Quinta, 16 de Dezembro de 2004
 
 
Mais um dia que fui buscar ao meu diário. Fernando Pedro C*****o Marques foi perentório em dizer-me umas coisas que me envergonharam e, as quais, não transcrevo aqui por serem do foro íntimo e muito agressivas. Mas transcrevo parte da conversa mantida com ele. Era sempre à mesma hora que me telefonava. Pouco saía desse horário. E eu atendia ainda sonolenta. Estava frio e apetecia estar na cama.
 
 
09h20m09s
 
 
- Estou sim, por favor?
- Ainda na cama? Já são horas de levantar...
- Bom dia para ti também. Nem sequer me estás a ver para afirmar tal coisa.
- Mas oiço a tua voz de ensonada. Estou errado?
- Não.
- Ontem estavas...... ( não transcrevo o resto)
- Toma cuidado com o que dizes. Tu também não estiveste nada mal.
- Pois. Ambos estávamos......
- A conversa gira à volta do mesmo?
- Não. Dormistes bem?
- Dormi e nem sonhei, que me recorde.
- Ainda bem. Já fomos dois.
- Chegaste bem a casa?
- Sim. Ela nem reparou como eu estava feliz. Nunca repara em nada, percebes?
- Sim, percebo. Aqui passa-se o mesmo.
- Espera um cadinho....
- ..................
- Estás aí?
- Estou.
- Foi um cadinho grande. Desculpa.
- Eu sei esperar.
- Estávamos a falar de...
- Nada de importância.
- Não era importante? A nossa conversa?
- Tudo tem importância entre nós, mas falamos coisas que não valem a pena mencionar, novamente.
- Hum! Está bem. Tenho que te deixar. Vou para a ponte.
- Tem cuidado não caias.
- Gosto de te ver preocupada comigo. É bom.
- Claro que me preocupo.
- Bem agora vou sair. Beijos molhados e muito docinhos. Hum! Que gostoso...
- Até logo e beijinhos doces.
 
 
12h05m04s
 
< Bom almoço. Bjs doces de mel para a tua sobremesa. >
 
18h20m10s
 
< Amor mio cheguei agora a casa. já não tive tempo de te telefonar. Ela está a trabalhar. Vai ao MSN para falarmos um cadinho. Estou muito cansado. Bjs molhados, quentes, loucos e atrevidos. >
 
 
22h01m50s
 
< Passa-se alguma coisa? Não viestes ao MSN. Dorme bem. Até amanhã. Bjs dos nossos. >
 
 


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Com prazer, subi às nuvens!

Quarta, 15 de Dezembro de 2004
 
Havia algumas semanas que não via o Pedro. Encontrava-me nervosa sem saber como ele iria reagir. Já descobrira algumas facetas desagradáveis nele e não queria descobrir mais nenhuma. Porém só o futuro me iria abrir os olhos para descobrir o grande biltre que ele era. O sociopata com quem eu me metera. Era, também, e é, um bipolar. Ora estava com uma disposição incrível, ora estava de mau humor, além de outros sintomas que eu, como psicóloga, lhe tinha detetado. Mas não queria admitir e esperava que estivesse enganada no meu diagnóstico.
Encaminhei-me para a estação de comboio para o ir buscar. Eu tremia muito, tanto interior como exteriormente. Estava eu envolta nos meus pensamentos quando o apito do comboio me fez estremecer sacudindo o meu corpo como uma vara bamboleando ao vento. Olhei o relógio e eram 09h10m29s. Vinha um pouco atrasado. Esperei uns escassos minutos e vi-o a descer as escadas. Tinha um porte majestoso e parecia muito seguro de si. Sorria e acenava-me efusivamente. Chegou junto de mim e entrelaçou-me nos seus braços fortes, num abraço firme e sentido, pensei eu. A sua boca procurou a minha com tanta brusquidão que me esmagou contra ele. Beijou-me com ênfase e com sede de ser beijado.
No decorrer do caminho, as suas mãos passeavam pelo meu corpo como uma lagarta percorre a couve à procura da parte mais tenra. Estava sôfrego e dizia que o caminho lhe parecia muito longo.
Quando chegámos a minha casa e fechei a porta, ele começou logo a despir a minha roupa que foi ficando aqui e ali. Eu tinha deixado o aquecimento ligado e ele disse que estava muito agradável. Ora se despia a si, ora me despia a mim até ficarmos desnudados. Atirou-me para cima da cama e aí foi o começo de uma loucura que me fez esquecer quem eu era e o que estava a fazer erradamente. Foi uma manhã cheia de volúpia que durou até quase às treze horas.
 Fomos tomar banho juntos e fez-me feliz mais uma vez. Não se cansava de me acariciar e eu não consegui resistir a mais um orgasmo. Ele era maravilhoso naquilo que melhor sabia fazer. E era assim que ele cativava as mulheres. Depois vinha a parte mais amarga. Pagávamo-la com bastante amargura. Mas antes levava tudo o que tínhamos e não tínhamos. Até pedi dinheiro emprestado para lhe dar. A minha conta era conjunta com a do meu marido.
Fomos almoçar ao Chinês. Ele dizia que adorava a comida. Eu comi shop, shop de galinha e ele comeu pato à Pequim. Comemos crepes e outras iguarias.
Quando a empregada lhe entregou a conta, ele empurrou-a para o meu lado. Tudo me caiu. Senti-me atraiçoada e indignada, mas paguei com um sorriso amarelo.
O resto da tarde foi passado com muitos miminhos e carícias. Dizia-me sempre para lhe fazer o que me apetecesse para ficar saciada e feliz. No sofá, ainda me fez subir às nuvens. Ele tinha essa particularidade muito apurada e de saber sabido de quem já tinha uma larga experiência. Cheguei a questioná-lo nesse sentido, mas ele era perentório e dizia que era a primeira vez que estava com outra mulher sem ser com a sua. Eu ficava a pensar nisso, mas não me debruçava muito sobre o assunto para não me arrepender do que estava a fazer.
A hora da despedida chegou e foi com tristeza que nos despedimos, mas ele afirmou que na próxima quarta-feira estaríamos, novamente, juntos. Para despedida, levou-me, de novo, ao êxtase. Ele sabia os meus  pontos erógenos e assim que os tocava, eu não conseguia parar.
Viu subir as escadas e fiquei triste, mas muito satisfeita com a sua prestação.
 Voltei para casa e à noite ainda falámos no MSN.