sábado, 3 de outubro de 2015

Sinto-me sozinho!

Domingo, 26 de Dezembro de 2004
 
Mais umas mensagens enviadas pelo Fernando Pedro C*****o Marques que me faziam acreditar que ele era um homem perfeito. Acreditei piamente nele e foi o pior passo que dei na minha vida, num caminho pedregoso e cheio de abismos.
 
 
09h29m57s
 
< Meu Amorzinho bom dia. Estás melhor? Acredita que tb me doeu a mim. Bjs de sonho. >
 
 
12h35m28s
 
< Estou a fazer o almoço. Tenho cá a minha mãe. Adoro-te sabia? Bjs só nossos. >
 
 
16h45m49s
 
< Estou no MSN. Podes vir um cadinho? Bjs de saudades. >
 
17h09m20s
 
< Ok. Eu compreendo. Com tanta gente, mas sinto-me sozinho. Bjs q gostaria de dar agora. >
 
22h01m35s
 
< Amanhã já podemos falar? Tenho tantas saudades. Dorme bem. Amo-te. Bjs molhados. >

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Dia triste

Sábado, 25 de Dezembro de 2004
 
 
Voltei dos Açores. Ontem tive reuniões para dar conta do que estabeleci em Ponta Delgada e como ficou a parceria com os nossos produtos.
Foi cansativo, mas muito produtivo. Ainda tive tempo de visitar a cidade no Tuk, tuk e mais alguns pontos turísticos.
Agora vou continuar a escrever as minhas aventuras com o Fernando Pedro. O sociopata e bipolar que me estragou a vida.
 
 
No dia de Natal estive com dores de cabeça. Dores que me dão de um nódulo inofensivo que tenho no lado esquerdo da cabeça, mas dores que são de morrer.
O Pedro enviou, pela manhã, uma mensagem.
 
09h10m23s
 
< Meu Amor como foi a tua noite de Natal. Pus a tua prenda na árvore e disse que era uma prenda minha para mim. E tu? Puseste a minha? Bjs molhados. >
 
Respondi laconicamente a dizer que estava com dores de cabeça.
 
09h39m48s
 
< Meu Amor descansa. Eu estou preocupado. Bjs só nossos. >
 
 
13h55m49s
 
< Ainda estamos a almoçar. Tenho cá a minha mãe. Estás melhor? Bjs doces. >
 
 
17h10m25s
 
 
< Amor mio como estás? O dia tem sido triste por estares doente. Bjs loucos. >
 
 
21h30m56s
 
 
< Ainda bem que estás melhor? Foi um dia triste para mim. Até a minha mãe reparou. Dorme bem. Bjs só nossos. >

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Natal Feliz!

Sexta, 24 de Dezembro de 2004
 
 
10h34m36s
 
 
Mensagens do Pedro, via telemóvel.
 
 
< Sonhei contigo. Q tenhas um Natal Feliz. Adoro-te sabia? Bjs de Natal. >
 
 
12h45m56s
 
 
< Já estás a almoçar? Ele está bem disposto? Faz anos e tem a filha deve, de estar. Bjs só nossos. >
 
 
14h02m59s
 
 
Tenho ciúmes desses momentos. Pouco falas. Tens medo do quê? Bjs molhados. >
 
 
17h20m30s
 
 
< Não viestes ao MSN. Porquê? já não falamos hoje? Estou a ajudar na ceia. A minha mãe vem cá. Bjs dos nossos. >
 
 
00h01m59s
 
 
Obrigada. Natal Feliz tb para ti e tua filha. Bjs prás duas. >

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Quinta, 23 de Dezembro de 2004
 
 
Levantei-me cedo. A minha filha ia passar o dia com as amigas. Era o trocar de presentes, o almoço de boas vindas e combinar coisas para a passagem de ano. Eram jovens e a vida sorria-lhes. Eu fiquei em casa para preparar iguarias do Natal. Afinal era já no dia seguinte. O meu marido não foi trabalhar. Ficou para me ajudar.
Enviei uma mensagem ao Fernando Pedro a dizer isso precisamente. Retorquiu que estava a mais na família e se sentia um intruso. Ainda disse que estava com ciúmes e se encontrava sozinho. Eis as mensagens dele.
 
 
09h23m01s
 
< Sinto que estou a mais. Bjs molhados. >
 
 
12h09m23s
 
 
< Sou um intruso na tua família. Pões tudo à minha frente. Não consigo compreender. Tu lá sabes como fazer as coisas. Secalhar nem vais ler esta mensagem. Andas louca com o Natal. E se estivesses comigo tb era assim? Vou almoçar. nem sei pq perco tempo a escrever. Estou com ciúmes. estou sozinho. Sabes o que isso é? Bjs >
 
 
 
16h35m46s
 
 
< vou-me embora. amanhã não venho. Vai ao MSN. Bjs. >
 
 
 
22h01m08s
 
 
< Foi bom falarmos um cadinho. Dorme bem. Acabo por compreender. Bjs que tenho saudades de dar. >

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Descanso

Quarta, 22 de Dezembro de 2004
 
Sabia de antemão que neste dia não iria ser perturbada logo pela manhã. Tinha a minha filha em casa e tínhamos combinado que não me telefonava sem eu dar o sinal, via telemóvel.
Acordei feliz. A minha filha dormia no quarto dela. Desci para lhe preparar o pequeno almoço e levar-lho à cama. Era um miminho.
Estava na cozinha quando ouvi o toque de mensagem. Evidentemente que era o Pedro. Dizia o seguinte: - Hoje estou triste por não houvir a tua voz. Estás feliz? Bjs molhados. >
Eram precisamente 08h45m02s
 
 
12h30m20s
 
 
< Não me respondeste. Andas assim tão atarefada com a tua filha? Fico com ciúmes. >
 
 
16h02m56s
 
 
< Muito silêncio desse lado. Estás de descanso de mim? Bjs doces e adoro-te sabia? >
 
 
21h58m59s
 
 
< Não vieste ao MSN. Ela ocupa o computador? Tenho ciúmes. Bjs >

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Conhecer a minha filha

Terça, 21 de Dezembro de 2004
 
Este dia marcou uma época para mim. Fui fazer uma eco à tiroide e deu dois nódulos já grandinhos. Entrei em pânico quando a médica me disse. Quando saí da Clínica, telefonei logo ao Pedro a contar. Eu chorava muito e ele mal percebia o que se estava a passar. Pensou que fosse alguma coisa relacionada com a minha filha. Ela chegava, neste dia, pelas onze da manhã, ao aeroporto da Portela.
Quando o Pedro compreendeu do que se tratava, tentou animar-me e dar-me forças dizendo que havia de me amar sempre fosse qual fosse o meu estado.
Também me telefonou o meu colega Andrino. Contei, muito chorosa, o que se estava a passar. Ele tentou animar-me e a esposa dele também me animou. Eram ambos meus colegas.
Fui buscar a minha filha ao aeroporto. Chorei agarrada a ela. Deu-me força e disse que, se não me tratassem em Portugal, iria com ela. Conhecia bons médicos e tinha um bom relacionamento com eles.
Do aeroporto, fomos para o Vasco da Gama. Tinha combinado com o Pedro que iríamos almoçar para ele conhecer a minha filha.
Quando nos encontrámos com o Pedro, eu vi, pelo semblante da minha filha, que algo não estava bem, mas não perguntei nada.
 Fomos almoçar à Portugália.
Pedi uma salada de camarão para mim. A minha filha e o Pedro pediram um " Bife à Portugália ".
Quando terminámos o almoço, veio a conta e, como de costume, foi entregue ao Pedro. Foi a primeira vez que o vi puxar pela carteira. Olhei para ele e estava lívido. Eram cinquenta € e setenta cêntimos. Puxei o livrinho onde estava a quantia para mim,  não o deixando pagar. Eu é que o tinha convidado para conhecer a minha filha. Ele mostrou-se aliviado. Até a minha filha reparou e não deixou passar em branco.
O resto da tarde foi passado nas compras. Afinal o Natal era mesmo isso " compras ".Despedimo-nos do Pedro e viemos para casa.
No caminho, a minha filha disse-me que não tinha gostado dele. Nem em me deixar pagar a conta. Era um miminho que ele poderia ter feito para agradar à minha filha, disse-me ela. Não contei à minha filha que eu é que pagava sempre. Senão, ainda tinha ficado com mais má impressão dele.
Já à noite recebi uma mensagem dele que dizia o seguinte: - Como me portei? axas que a tua filha gostou de mim? Eu gostei dela. Dorme bem. Bjs molhados. ( sempre com erros ortográficos. Eu ficava horrorizada. Mas ele só tinha o décimo segundo, feito pós laboral. Era de valorizar. )

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Encontro inesperado.

Segunda, 20 de Dezembro de 2004
 
Hoje foi um dia complicado. Estive em reuniões. Ficou deliberado que no Sábado vou aos Açores para ir visitar a firma de lá e acertar alguns pontos. Só devo vir na terça já noite ou quarta de manhã. Vou ficar privada de escrever aqui nesses dias. Lá também tenho computador, mas não vou levar o meu diário. E, provavelmente, estarei cansada ao fim do dia. Fica aqui o meu esclarecimento.
 
Neste dia 20, logo pelas 07h20m30s recebi uma mensagem do Pedro a perguntar se podia vir ter comigo. É que no dia a seguir vinha a minha filha e lá se ia a nossa volúpia de amor.
A mensagem dizia o seguinte: - Amor podemos encontrarmos hoje? É que depois já não dá. Bjs molhados. >
 
Eu ainda estava ensonada e não me tinha recordado disso. Respondi que podia vir e que eu ia ao comboio, buscá-lo
Às nove horas já eu estava na estação. O comboio veio atrasado, como já era seu apanágio.
Vi-o descer as escadas com o seu porte de galã de cinema. Estava feliz e sorria para mim.
Quando chegou junto de mim, abraçou-me muito e beijou-me efusivamente como se estivesse estado longe de mim largas semanas.
Já no carro, as suas mãos mexiam e remexiam em todo o meu corpo. Pedi para parar porque eu vinha a conduzir.
Em casa a cena repetia-se e a roupa foi ficando aqui e ali.
Foi com êxtase que fizemos amor e fui a mulher mais feliz naquele momento. Eu pensava mesmo que ele gostava de mim como eu gostava tanto dele. Tinha uma paixão avassaladora que me levava a não pensar que era um erro crasso o que estava a fazer. Para mim, isso era normal e amava-o, pensava eu. Hoje vejo, friamente, que foi uma paixoneta e não passou disso. Descobri quando o comecei a conhecer  melhor e ele me começou a arranjar amantes. Isto depois de ter lá o dinheiro que me tinha pedido e não era pouco. Além de todas as despesas serem pagas por mim.
Depois do habitual banho, fomos almoçar ao Chinês ao C******.
Quando a empregada trouxe a conta, ele, como sempre, empurrou-a para o meu lado. Eu já estava habituada e não liguei.
Lá vieram os papelinhos da sorte. O meu dizia:- O inimigo está a teu lado.
O dele dizia:- Não estragues a tua sorte.
 
Rimo-nos e eu não levei a sério o aviso que me era dado. Não era supersticiosa. Conversámos tanto que o dono do restaurante, pôs-nos na rua, literalmente.
Fui levá-lo ao comboio e fiquei a vê-lo ir com o seu porte majestoso.
 
Já vinha para casa quando recebi esta mensagem < Foi um dia muito feliz não axastes? Amo-te sabia? >
Á noite ainda falámos no MSN.
 
Fiquei doida de alegria e li e reli a mensagem. Era uma prova de como ele gostava de mim, pensei eu.