terça-feira, 3 de novembro de 2015

Encontro preverso!

Sexta, 21 de Janeiro de 2005
 
 
Uma linda vista da Pousada de Alvito. Como se vê, está situada nas muralhas do Castelo. É linda! Podem comprovar.
 
Nesta Sexta levantei-me muito cedo. O meu marido sabia da consulta. Fui com ele até à  estação, perto do emprego dele. Aqui apanhei o comboio para Entrecampos.
Tinha combinado com o Fernando Pedro encontrarmo-nos lá. Dali, íamos para o médico. Ele levou o carro dele.
Fui consultada enquanto ele esperava na sala. Eu ia pedir um atestado para que me  facultasse um tempo sem a minha mãe em casa.
Foi errado, mas eu queria sair ou ter o Pedro na minha casa.  Queria ter liberdade. E, com a minha mãe, isso era impensável.
Mau grado o meu. A minha mãe, sempre seria a minha mãe, e este biltre seria, apenas, uma passagem na minha vida. Só que eu andava enfeitiçada por ele. Ele era tão gentil, meigo, atencioso, carinhoso, compreensivo que me deu a volta à cabeça.
Mas o mal foi feito. E, por muito que eu queira, não posso apagar esse passado longínquo, mas tão próximo na minha vida.
Magoa-me muito ter feito o que fiz em prol de um homem que não vale nada, absolutamente nada, na vida em termos gerais..
 
Da consulta fomos para Entrecampos. Era aí, perto da estação, que ficava o quarto que iríamos partilhar nas próximas duas horas.
Eu ia muito apreensiva e macambúzia. Tinha tanto receio que alguém me visse para lá entrar que tremia como uma vara num vendaval.
O Pedro agarrou a minha mão e deu-me segurança. Disse palavras de conforto e carinho. Mas eu ia metida no meu casulo.
Foi aí, no segundo andar, que estava uma moça muito jovem que nos recebeu com simpatia e algum brilho no olhar. Perguntou se era o Senhor Fernando Pedro Marques. Também perguntou se era com banho. Ele assentiu e fez-se o check in. Eu colocava-me por detrás dele para que a moça não me olhasse. Parecia que ela adivinhava o que nós íamos fazer.
Para minha surpresa, ele puxou do dinheiro e pagou.
Fomos conduzidos ao terceiro andar. O quarto era o número *** do lado direito de um corredor muito comprido. Tinha uma passadeira vermelha e eu caminhava como se fosse direita ao cadafalso.
Entrámos e o Pedro foi logo abrir a cama. Eu fiquei em transe. Não sabia o que fazer. Ele movia-se com um à vontade invulgar.
Os lençóis eram de fantasia cor-de-rosa. A colcha era de um vermelho carregado e os cortinados a condizer.
Tinha televisão por cabo. O Pedro apanhou o comando e foi direito a um canal com música francesa. Ele conhecia. Eu não.
Um bocado encabulada, perguntei se era a sua primeira vez que estava naquelas circunstâncias. Dava que pensar. Mas ele jurou e disse que o canal já era seu conhecido em casa. Logo saber procurá-lo. Ninguém pode saber quão mesquinha me senti...
Mas o Pedro soube dar a volta à situação. Começou com as suas carícias e eu consegui relaxar um pouco.
Se foi bom, não sei. Ainda hoje me pergunto como dei um passo desses que se tornou rotineiro.
Ficámos na cama durante algum tempo a falar sobre a minha decisão de ter ido pedir um atestado. Na altura, pareceu-me uma ideia excelente, mas, depois, veio o amargo de boca.
Ele tomou banho. Eu, apenas me lavei superficialmente.
Saímos dali e fomos ao primeiro café que encontrámos na direção da estação dos comboios.
O Fernando Pedro pediu um pão por Deus com fiambre e eu, apenas, um chá de camomila para me acalmar.
Já na estação, fizemos as despedidas. " Foi muito bom " disse ele. Mas para mim, tinha sido um pesadelo.
Combinámos que nesse dia não haveria mensagens nem MSN.
Para mal dos meus pecados, voltei muitas vezes a esse lugar.
Quando cheguei a casa, fui direita à banheira.  Tomei um banho demorado para tirar a sujeira que sentia em cima. Queria apagar aquele cheiro do quarto, que me impregnava, como um perfume barato.
 
 


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Muito apreensiva!

Quinta, 20 de Janeiro de 2005
 
 
Mais uma vista linda da cidade de Sintra.
 
 
E mais uma vez, eu venho transcrever o que se passou entre mim e o Fernando Pedro Marques.
Eu sei ver que não foi agradável o que fiz nem sei, sinceramente, como me envolvi com ele. A verdade é que envolvi. E como eu, envolveram-se outras tantas mulheres. E ainda se estão envolvendo. Queria que todas soubessem o quanto lamento por não as poder avisar do perigo que correm.
Apesar de ser uma mulher de baixo nível, pois porque outro nome não tenho, não deixo de ter o meu orgulho, a minha reputação a defender, a alegria de poder continuar a viver uma vida condigna ao lado do homem que me ama e me perdoou toda a loucura que vivi com este sociopata que só me arrastou para a lama.
Hoje resta-me um pouco de dignidade. Estou mais madura e ciente do perigo que me cerca.
Mais uma vez me sirvo do meu diário onde escrevia toda a atividade que tinha com o Fernando Pedro. Mal sabia eu, que o que escrevia, na altura, serviria para expor este sociopata ao mundo.
Muitas vezes conversámos sobre a minha escrita. Ele dizia que haveríamos de recordar mais tarde quando estivéssemos juntos para sempre. Nunca foi esse o meu desejo. Apenas queria tê-lo como um amigo que nos ajuda nas horas difíceis.
 
 
09h20m12s
 
- Estou sim, faz favor?
- Amor mio, sou eu. Bom dia. Dormistes bem?
- Bom dia Pedro. Sim, dormi. Porquê?
- Pensei que levasses a noite a pensar no que vamos fazer amanhã..
- Amanhã vou ao médico, certo?
- Sim. Eu sei, mas também vamos à p*****. Já reservei. Não estás contente?
- Não! Estou muito apreensiva e tenho algum receio. Nunca me vi numa situação igual.
- Há sempre uma primeira vez, como já te disse. E depois, se não gostares, não vamos lá mais. Se não houver asseio, eu nunca mais lá vou.
- A boca foge-te sempre para a verdade.
- Qual verdade?
- Pedro, não me mintas. Fala-me a verdade. Já lá estiveste com outras mulheres?
- Porra! Quantas vezes tenho que dizer que NUNCA lá estive?!
- Também não precisas de ser mal educado. É que já disseste várias vezes coisas que dão a entender que conheces o sítio.
- A conversa não me agrada. Queres ou não queres ir amanhã comigo?
- Eu vou, mas ficas avisado. Se deres indício de que já lá estiveste, eu venho-me embora...
- Não tive ( Era estive, mas ele comia as palavras muitas vezes. ) nada. É a primeira vez.
- Não se fala mais nisso.
- Não ficas zangada?
- Não. Amanhã se verá.
- Sabes que eu só te tenho a ti, além da Z*. Com ela não faço nada. É só contigo.
- Bem, assim ela vai desconfiar...
- Sabes que já estivemos a dormir em camas separadas...
- Sei e que tu, mesmo assim, fizeste amor com ela. Segundo me contaste.
- E  foi verdade. Não sou de ferro.
- Eu sei. Mas não te zangues. Amanhã vamos estar juntos.
- Vou contigo ao médico. Ele conhece o teu marido?
- Não. É a primeira vez que lá vou. Vou arranjar um médico que me dê loucura por uns tempos.
-Ih!Ih!Ih! Porquê?
- Depois falo sobre isso.
- Eu vou trabalhar. Tenho que fazer alguma coisa, né?
- Pois!
- Beijokinhas só nossas.
- Beijos para ti também.
 
 
13h18m39s
 
< Já almocei. Sozinho. E tu já almoçastes? Bjs para tua sobremesa. >
 
117h23m48s
 
Tocou o telefone. Tinha cá a minha empregada. Atendi, mas disse que era engano. A Glorinha disse que se enganavam muitas vezes. Com ela também já tinha acontecido.
 
21h57m49s
 
< Foi bom falar contigo. Bons sonhos. Até amanhã, amor mio. Bjs molhados. >
 
Falámos no msn. Dessas conversas não tenho registo. Não sabia como fazer.
  


domingo, 1 de novembro de 2015

Eu nunca lá entrei!

Quarta, 19 de Janeiro de 2005
 
A pousada de Alvito fica nas muralhas do Castelo. Eu já lá estive. Tem um atendimento excelente! Não foi com o Fernando Pedro. Foi com o meu marido. Passámos lá uma semana. A semana da gastronomia de Alvito. Esta vila alentejana viu nascer o maior biltre que há memória, o Fernando Pedro.
 
Mais um dia de conversa com ele. Conversa que não era construtiva, mas animava-me muito. Ele conseguia fazer brilhar os meus dias. Se eu soubesse que brilho tão deslumbrante, me sairia caro, tão caro, queria continuar na minha vida de sempre.
Toca o telefone e eu olho para o relógio. Eram precisamente 08h45m10s. Só podia ser ele, mas à cautela, perguntei:
 
- Estou sim, faz favor?
- Bom dia minha querida. Dormistes bem?
- Hum! Bom dia.
- Com essa voz ainda estavas a dormir?
- Como é que sabes?
- Não te esqueças  que já dormimos juntos algumas vezes...
- Sim, eu sei. Ainda não são 09h, caramba...
- Olha eu estou a pé desde as 06 da manhã e não me queixo.
- Pois! Estás a trabalhar. Eu já não trabalho. E quando trabalhava também me levantava a essa hora.
- Agora gozas os rendimentos, não é?
- Provavelmente. E estou muito quentinha..
- Pois, mas agora vamos falar a sério.
- A sério? Porquê? Nunca foi uma conversa a sério?
- Amor, eu não queria dizer isso...
- Então o que era?
- É sobre a Sexta. Afinal posso marcar quarto para nós dois?
- Podes. Uma aventura, não me fará mal. Vamos ver como corre.
- Vai correr bem, acredita em mim.
- A falar assim até parece que já lá estiveste...
- Nãooo... Mas quantas vezes tenho que dizer  que nunca lá entrei!?
- Também não precisas ficar assim. Acredito em ti.
-Foi um colega meu que me deu o número. Ele diz que é uma p***** muito boa e respeitável.
- Respeitável? Não deve ser... Para alugar quartos assim... Eu duvido. Mas vamos experimentar, certo?
- Certo. Agora vou já alugar um quarto para nós.
- Fica muito caro? ( Tinha que perguntar. Já estava a pensar que seria eu a pagar... )
- Não. São só **** €. Até é barato.
- Só se for para ti. Por duas horas, eu acho caro.
-Mas eles pensam que nós passamos lá a noite.
- Hum! Pode  ser que sim... Vamos ver como corre. Estou muito apreensiva e com medo.
- Eu vou lá estar para que não tenhas medo.
- Está bem. Pareces muito seguro nesta decisão! Sim senhor... Para quem diz que é a primeira vez...
- E é. Nunca lá estive antes. ( Vim a saber, depois, que ele já tinha levado para lá outras mulheres. Mas foi muito depois... )
- Então marca lá e logo se vê.
- Se gostarmos, vamos voltar.
- Pode  ser.
- Bem, agora, podes voltar a dormir. Vou trabalhar. Vou para Santa Apolónia. Logo telefono.
- Então até logo, mas vou-me já levantar. Já me espantaste o sono.
- Que gracinha! É que tenho que ir para...
- Santa Apolónia, já disseste...
- Beijokinhas molhadas.
- Beijos também para ti.
 
12h04m25s
 
< Bom almoço. Hoje era o nosso dia, mas é sexta. Bjs doces. >
 
17h09m59s
 
- Estou sim, por favor?
- Amor mio, sou eu.
- E...
- Já estou despachado e vou-me embora. Hoje o dia correu bem.
- Ainda bem. Andas-te sempre a queixar...
- Não ando nada. É só um desabafo.
- Pois, quem não te conhecer, que te compre.
- Queres vender-me? Eu nem por nada deste mundo te vendia. Quero-te só para mim. És o meu sol.
- E logo hoje que está um dia tão feio é que sou o " teu sol".
- Pois! Por ele estar feio é que tu o iluminas.
- Que gracinha... Espero que nunca te arrependas do que dizes.
- Nunca me arrependerei. Eu amo-te, percebes?
- Sim... Já disseste isso muitas vezes.
- É porque é verdade. Se não fosse, eu não o dizia. Ainda bem que te encontrei.
- E eu a ti. Espero NUNCA me arrepender do dia em que te conheci. ( Reforcei o " nunca " para ele se aperceber. )
- Não digas tão refincado. Eu sei. Conhecemo-nos no dia...
- 6 de Setembro.
- Eu não vou esquecer esse dia. O dia que mudou a minha vida para sempre.
- E a minha também.
- Bem, logo vais ao MSN?
- Talvez vá. Espera por mim.
- Então até logo, meu docinho.
- Até logo. Beijos
- Beijokinhas molhadas. Hum! Tão gostosas...
 
 
21h56m34s
 
< Bjs doces, molhados para dormires a pensar em mim. Adoro-te, sabia? >

sábado, 31 de outubro de 2015

Já pensaste?

Terça, 18 de Janeiro de 2005
 
Mais uma vista linda do Castelo dos Mouros em Sintra. Quem não conhece, eu recomendo uma visita a esta cidade linda, Concelho de habitação do nosso Fernando Pedro.
 
 
Ai Fernando Pedro, ai Fernando Pedro! Tu não prestas, mesmo. Porém, és fiel aos teus gostos desde que andámos juntos. Ainda ouves o " Porto Sentido ". Foi a primeira canção que me cantaste, ao telefone, de um bar qualquer onde ias fazer Karaoke. Tenho a certeza que lês o meu blog e sabes que eu não minto ao invés de ti que mentes constantemente. A tua boca só serve para mentir e para.... Não posso mencionar porque é obsceno. 
Tu sabes a que me refiro e creio que os meus leitores também.
 
 
Neste dia telefonou-me ainda cedo. Eu ainda estava a dormir. Mas atendi. Nessa altura, tinha o telefone na mesa de cabeceira. Hoje já não tenho. Modifiquei muita coisa para não me recordar dele.
Há muita coisa que foi apagada da minha memória. Só ficaram aquelas que registei no meu diário. Aquele que hoje me serve de guia para transcrever a tua maldade e como fazes para cativar uma mulher. Cativá-la até teres dela o que almejas. Foi assim comigo. És peixes e, como eles, gostas de andar no cimo da vida para filares as tuas presas.
 
 
O telefone tocou e eu, languidamente, apanhei o auscultador. Já adivinhava quem poderia ser o autor da chamada mas, certeza, não tinha:
 
08h20m45s
 
- Estou sim, por favor?
- Amor mio, sou eu. Bom dia. Dormiste bem? Eu dormi que nem uma pedra.
- Bom dia. Olha por falar em " pedra ", sonhei contigo....
- Sonhaste? E o que foi? Não me digas que te v******, no sonho!
- Não. Não foi um sonho erótico. Foi um sonho normal, mas falei alto. O meu amarido perguntou-me o que estava a sonhar porque tinha falado em pedra. Era a chamar por ti. Só que ele não percebeu.
- Eu bem te digo para teres cuidado! Um dia ainda és apanhada.
- E tu não? A tua mulher pode apanhar uma mensagem minha ou ver o meu nome no telemóvel.
- Ah, ah, ah. Isso não vai acontecer. Tenho o teu nome como José António.
- A sério?
- Sim. Eu sou muito cauteloso. É para veres. Olha já pensastes na minha proposta?
- Que proposta? Não me recordo! Desculpa.
- As desculpas não se pedem, evitam-se. De irmos para a p***** no dia que fores ao médico.
- Ainda não pensei. E como é só sexta, ainda tenho tempo para pensar...
- Eu tenho que saber, para reservar.
- Ao fim do dia já tenho uma resposta.
- Então, logo, diz-me, ok?
Ok! Combinado.
- Agora vou fazer qualquer coisinha para o homenzinho.
- Tens uma lata!!!
- Vá, até logo. Beijos docinhos. Hum! Do jeito que tu dás.
- Até logo gozão.
 
 
12h01m23s
 
< Vou almoçar. Já pensastes na minha proposta? Bjs para tua sobremesa. >
 
17h10m25s
 
- Estou sim, por favor?
- É essa maneira linda de atenderes o telefone que me cativa.
- Não gozes, está bem?
- Não estou a gozar. É verdade. Tens um charme que me arrepia todo.
- Tu e os teus arrepios.
- A sério. E já pensastes na minha proposta?
- Já e não.
- Mau! Como é afinal?
- Pensei que deveria ser bom, mas por outro lado, não sei se vou querer. Nunca estive nessa situação.
- Há sempre uma primeira vez para tudo. Nunca tinhas saltado a cerca e agora saltastes. ( Este tempo verbal era sempre dito e escrito da mesma maneira. )
- Pois! É um dos meus erros. Que nunca me venha a arrepender.
- Não, amor mio. Eu não deixo.
- Assim o esperemos no futuro.
- Bom, posso reservar?
- É cedo. Amanhã falamos disso.
- Cedo? Já vou sair e tu dizes que é cedo?
- Cedo para reservar. Basta de um dia para outro, penso eu...
- Pensas mal. Logo falamos no MSN?
- Não sei. O meu marido tem trabalho.
- Eu espero por ti. Beijokinhas só nossas.
- Beijinhos.
 
 
22h20m13s
 
< Foi bom falar contigo. Foi um cadinho, mas foi bom. Dorme bem. Bjs só nossos.>

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

De volta de novo!

Segunda, 17 de Janeiro de 2005
 
Quem não conhece esta entrada? Nem precisa referenciar. Este Castelo é perto da A********a, onde reside o Fernando Pedro.
 
Mais um dia que recorro ao meu diário. Já me tinha esquecido, mas hoje relembrei como tudo  se tivesse passado de novo.
 
09h19m29s
 
 
- Estou sim, faz favor?
- Bom dia, bom dia, meu Amor. Que saudades de te ouvir. Estou de volta, de novo, aos nossos telefonemas..
- Hum! Bom dia. Estás muito bem disposto! Passa-se alguma coisa que deveria saber?
- Sabes, estive a pensar numa coisa e assim guardo os dias para as nossas luas de mel.
- E posso saber o que vem aí desta vez?
- Estou a trabalhar em Entrecampos. Andei a fazer uns telefonemas. Um amigo meu deu-me alguns números.
- E do que se trata?
- Vens ter comigo e vamos a uma pe***o aqui perto. Tem banho e é muito asseada.
- ( Silêncio)
- Não dizes nada? Não gostastes da ideia?
- Deixa ver se percebi. Vamos a um sítio passar uma horas e pronto? Deixas de vir a casa?
- Não é bem isso. Vou ai também, mas é mais fácil vires tu ter comigo. Assim guardo dias para sair contigo.
- Estou a ver. E posso saber como se chama?
- Chama-se P****o L***s. É aqui na Avenida *********.
- Já lá foste com outras?
- Nãooooo! Que disparate. Foi um colega que me deu. Mas se não queres, tudo bem.
- E para quando?
- Não dissestes que vens ao médico no dia 21? Íamos só lá experimentar. Que achas?
- Vou pensar nisso.
- Vamos primeiro ver como é. Se gostarmos, vens ter comigo.
- Ok. Vou já processando a ideia.
- Espera um cadinho...
-..........................
- Estou de volta. Ainda estás ai?
- Estou, mas esse " cadinho " dava para eu ter ido a Lisboa e voltar.
- Desculpa, mas tive que resolver um assunto.
- Eu, por mim, não me importo. Tenho o dia todo...
- Como estava o teu marido?
- Estava bem. Recebeu-me lindamente. Aí em casa como foi?
- Como se viesse de um dia normal de trabalho. Só a C*****a é que ficou feliz por me ver.
- É sempre assim?
-É, lamentavelmente, é sempre assim.
- Deixa lá. Eu dou-te carinhos...
- Ainda bem que te encontrei. Não te quero perder. Mas agora tenho que te deixar. Vou trabalhar.
- Então, até logo? Não telefones depois das seis da tarde.
- Está bem. Beijokinhas só nossas.
- Beijos e tem um bom dia. ( desliguei )
 
 
17h54m18s
 
 
< Já não posso falar. Vai ao MSN. Beijokinhas doces. >
 
 
22h01m34s
 
< Dorme bem. Foi bom falar contigo. Hoje durmo melhor. Bjs só nossos. >

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Eu entendo!

Domingo, 16 de Janeiro de 2005
 
 
Um Castelo com identidade. Sintra, como sempre no seu melhor.
 
 
Neste dia o meu marido foi correr. Ia sempre para manter a linha. Foi futebolista e isso ficou-lhe para sempre. Fazia os seus treinos sempre que podia.
Eu aproveitei para enviar ao Fernando Pedro uma mensagem, via telemóvel, para ele ir ao pc.
Explicava porque não tinha respondido nem ido ao MSN.
Respondeu assim:
 
10h12m25s
 
< Meu Amor de ontem de hoje e de amanhã. Entendo o teu silêncio mas, era difícil para mim depois, de termos passado uma semana tão boa. Hoje já podes vir ao msn? Parece que não falo contigo há que tempos. Estou com fome dos teus beijos, carícias meiguices e tudo o que trocámos naquele quarto, percebes? Hoje sei ver que não posso ficar sem ti. Amo-te e deixo tudo para estar contigo. Meu docinho és a minha musa. Bjs que só tu sabes dar. > 
 
 
14h35m46s
 
< Amor mio estou no MSN à tua espera. Aparece. Eu entendo senão apareceres. Bjs doces. >
 
 
 
Não fui ao MSN. Meu marido estava comigo na sala e eu não o queria deixar sozinho. Enviei mensagem a dizer que não podia ir.
 
 
22h10m58s
 
 
< Dorme bem. Pensa que estás a meu lado. Amanhã falamos. Bjs só nossos. >
 
E foi assim que terminou mais um dia. Eu estava a ficar com medo do Fernando Pedro. Mas, por outro lado, ele era um amor.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Sábado solitário!

Sábado,  15 de Janeiro de 2005
 
Que linda é a Igreja de Alvito! Esta vila alentejana tem coisas muito lindas. Pena ter sido palco de dar à luz uma criança em 1955 que, mais tarde, se haveria de tornar um sociopata.... Isto acontece aos melhores. Nem todos os alentejanos são assim.
 
Neste Sábado acordei cedo. Estava já habituada àquele ritmo da Nazaré. Eis porque não gosto da rotina. O meu marido ainda dormia. Eu fiquei surpresa de ele estar a meu lado. Esperava encontrar o Fernando Pedro. Foi alívio num sentido. Estava na minha casa. A primeira abordagem que fiz no dia anterior com o meu marido tinha sido maravilhosa. Ele tinha-me enlaçado nos seus braços e eu senti-me protegida pela primeira vez na vida. Ele dava-me segurança e compreendia-me sem sessar. Tinha pedido ao Pedro para não me contactar na noite de Sexta. E ele cumpriu. Talvez, também, para conveniência dele.
Voltei a adormecer nos braços do meu marido e senti que nada me poderia prejudicar. Nem tinha o problema de ir ver se me faltava dinheiro. Adormeci tranquila.
 
Pelas 09h32m10s o meu telemóvel deu sinal de mensagem a chegar. O meu marido acordou e eu acordei também. Fiquei com receio de ser o Pedro e nem me sentia com coragem de ir ver.
O meu marido quebrou o silêncio e disse: - Não vais ver quem te quer desejar bom dia?
Respondi que estava tão bem nos seus braços que não me apetecia desfazer aquele abraço tão nobre.
Mas, languidamente, estendi o braço e apanhei o telemóvel.
Era, realmente, o Pedro. Dizia o seguinte: - Bom dia meu Amor. Dormiu bem? Eu não. Pensei em ti toda a noite. Vai ser um sábado solitário. Bjs só nossos.
 
Ao meu marido disse que era a minha filha e fiz uma mensagem imaginária. Tinha aprendido com o Pedro a mentir.
O meu marido agarrou-se a mim e disse que tinha sentido a minha falta. Senti tamanho peso na consciência que o abracei com força e disse que também tinha sentido o mesmo.
 
 
Estava eu a fazer o almoço quando o meu telemóvel tocou.
 
12h34m23s
 
< Meu Amor estou tão só que tenho vontade de chorar. Dia solitário sem ti. Hoje almoço só com a C*****a. Bjs molhados. >
 
Não respondi. Não me apeteceu. Eu nem sabia se aquilo era verdade... Pelas mentiras que dizia todas as noites à mulher e filhas fez com que  eu já não acreditasse nele.
 
15h20m45s
 
< Estou no MSN. Aparece. Tenho saudades. O sábado tem sido solitário. Bjs doces. >
 
 
17h45m56s
 
< Ela já veio do trabalho. Pq não vieste? Tenho ciúmes desse gajo. Beijokinhas molhadas. >
 
 
 
22h01m28s
 
 
< Hoje foi um sábado solitário. Bjs e nem sei como vou dormir. >
 
Eu não queria estar a enviar mensagens. Não queria que o meu marido desconfiasse. Nem fui ao pc. Estive todo o dia na brincadeira com o meu marido. O Sábado passou-se e eu estava feliz ao seu lado . Até o cheiro  dele me alegrava.