sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Eu dormi bem!

Domingo, 6 de Fevereiro de 2005
 
Uma rua da linda Vila de Alvito. Vai dar ao Castelo onde está inserida a Pousada.
 
Este Domingo foi muito calmo. A minha mãe estava bem e o Fernando Pedro estava bem disposto. Enviou três mensagens, via telemóvel, e falámos no MSN um bocadinho quando fui deitar a minha mãe.
 
10h20m31s
 
< Bom dia Amorzinho. Dormiu bem? Eu dormi. Bjs molhados. >
 
15h20m45s
 
< Estou no MSN. podes vir? Bjs doces. >
 
22h10m56s
 
< Foi bom falar um cadinho. Dorme bem. Amanhã falamos. Bjs molhados. >

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Estou desconsolado!

Sábado, 5 de Fevereiro de 2005
 
Uma foto do Oriente. E Esta foi tirada de onde? Só eu sei.
 
São dias de angústia estes que eu passo com a minha mãe. Outros virão, mas estes foram um pesadelo. Pensei em contratar uma enfermeira, mas não consegui. Também o Fernando Pedro não gostou da ideia. Nunca me disse porquê.
Como sempre, levantei-me, ainda, com o meu marido em casa. Tenho que o honrar por isso. Não se ia embora para o emprego  ou para a mãe, sem que eu ficasse já de banho dado e pronta para receber a minha mãe. Fora uma noite tranquila. Afinal a minha mãe precisava de se sentir acompanhada. Quando isso acontecia, dormia a noite toda sem dar problemas e nós descansávamos.
A Glorinha passou a vir mais cedo para ajudar a dar banho à minha mãe ainda na cama. Era mais fácil e seguro. Apesar de ser Sábado, mas ela disponibilizou-se para me vir ajudar. O meu marido tinha que sair.
Faltava só vesti-la quando o telefone deu o seu primeiro apito. Não fui atender. Tinha que vesti-la primeiro.
Eu não sabia se era o Pedro. Era Sábado e não me tinha dito que ia trabalhar. Fosse quem fosse, tinha que compreender que a minha mãe estava primeiro. ( Afinal era o Pedro e ficou um bocado aborrecido por isso ).
Depois trouxemos a minha mãe para lhe dar o pequeno-almoço. Sentámo-la na cadeira e a Glorinha começou a árdua tarefa. Eu fui atender o telefone, novamente, sem saber  quem estava do outro lado. Eram 09h20m10s
 
- Estou sim, faz favor?
- Então hoje não me atendes?
- Bom dia para ti, também. Para já não me disseste que vinhas trabalhar. Hoje é sábado...
- Eu ontem disse " até amanhã ".
- Pois, mas o "até amanhã" não me dizia que vinhas trabalhar.
- Estás sozinha?
- Não.
- E estás a falar comigo?
- Só está a Glorinha e ela está na cozinha a dar o pequeno-almoço à minha mãe.
- Caramba! Tanta gente para tratar só de uma pessoa...
- Pedro a minha mãe está doente e temos que cuidar dela. Onde está o homem compreensivo de ont....(interrompeu-me abruptamente).
- Esse homem hoje tem ciúmes e está desconsolado.
- Por vires trabalhar?
- Não. Tive problemas em casa. Ela entrou a ralhar ontem à noite e ralhou até hoje de manhã. Não a suporto...
- Mas ela é a tua mulher.
- Não me é nada. Eu não sou casado.
- Pronto, é a tua companheira que vai dar ao mesmo.
- Estou farto dela. Hoje preciso de miminhos.
- Mas eu também.
- Precisamos os dois. Ele foi para casa da mãe? Era para estarmos juntos hoje.
- Pois, mas não dá e tenho cá a Glorinha.
- Posso telefonar logo?
- Fazemos como é hábito.
- Ok! Beijokinhas e até logo.
- Beijinhos.
 
Desliguei e fiquei com a sensação que ele me estava a mentir. Soube mais tarde que saiu com outra mulher. O trabalho era só fachada para mim e para a mulher dele.
Ainda mais admirada fiquei quando não me enviou a mensagem do almoço. Para quem precisava de "miminhos", estava muito calado. Mas eu também não enviei nada.
 
17h09m42s
 
- Estou sim, por favor?
- Sou eu.
- Hum, para quem precisava de "miminhos" estiveste muito calado durante o dia.
- Estás sozinha?
- Não.
- Então como podes falar assim comigo?
- A Glorinha anda a dar uns passinhos com a minha mãe. Sabes, pensei em contratar uma enfermeira.
- Para quê? Não dás conta do recado?
- Não. Eu e a Glorinha já andamos cansadas.
- Vais gastar dinheiro sem necessidade. Mas tu é que sabes..
- Só que não consigo encontrar nenhuma. Não respondeste. Estiveste muito calado durante o dia!
 - Tive muito trabalho. Com o vento caiu um placard e tivemos que o colocar no sítio. Foi muito trabalho.
- Está bem. Olha elas vêm aí. Beijos e até logo.
- Vais ao MSN?
- Logo vejo se posso ir, mas não garanto.
- Beijokinhas doces como e onde quiseres.
 
22h01m09s
 
< Amor obrigado por teres vindo falar um cadinho. Bjs de boa noite. >
 
 
 
 

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Nunca se sabe!

Sexta, 4 de Fevereiro de 2005
 
Uma linda foto do Hotel Horta em Alvito. É lindo e um paraíso para descanso.
Ontem estive na Associação de Diabéticos a fazer o meu dia de voluntariado. Não vou lá muitas vezes, mas gosto de ajudar quem precisa. Eis a razão por que não escrevi nada neste blog.
 
Mais um dia com a minha mãe em minha casa. Não estava a aguentar a pressão. Sentia-me a morrer aos poucos Sabia que ela dormia sossegada e tranquila quando me via deitar na cama improvisada junto à dela. E isso deixava-me, também, tranquila. Por isso, dormíamos todos bem.
Levantei-me cedo para tomar banho ainda com o meu marido em casa.
O meu marido saiu e ela dormia tranquilamente como um Anjo. Fui arrumar o meu quarto. A minha mãe continuava a dormir. Eu só pedia que o Pedro não telefonasse para não a acordar. Mas o telefone tocou e ela acordou com o som estridente que ecoava pela casa.
Atendi e quando vi que era ele, realmente, pedi-lhe que telefonasse daí a pouco. Tinha que tratar da minha mãe. Ela tinha acordado com o som do telefone.
Com muito custo, levantei-a e vesti-lhe o robe. Pus-lhe uma mantinha pelos ombros. Era muito arriscado que se constipasse.
Dei-lhe o pequeno-almoço e esperei que a Glorinha chegasse.
O telefone voltou a tocar e eu fui atender. Olhei o relógio. Eram 08h56m34s
 
- Estou sim, por favor?
- Amor não sabia que ela ainda dormia. E agora está calma?
- Está calma e eu espero pela Glorinha para lhe dar banho.
- Mas já lhe destes o pequeno-almoço?
- Já. Desta vez sem problemas. Dei os comprimidos como disseste e correu uma maravilha.
- Quem é amigo, quem é?
- Eu sei, Amor e, por isso, te agradeço.
- Não me agradeças. Quem sabe se não me ajudarás em breve? Nunca se sabe.
- Não vais precisar. A tua mãe tem saúde.
- Nunca se sabe. ( mal sabia eu que já estava a planear o seu golpe. )
- Se precisares, estou em dívida contigo.
- Não é uma dívida, é uma ajuda. Assim como eu o faço contigo.
- Tens razão. É uma ajuda. Hoje ficas por aí?
- Não. Tenho uma reunião em Santa Apolónia e só venho depois do almoço.
- Ok! Eu tenho que desligar. Vem aí a Glorinha. Beijinhos doces.
- Beijokinhas só nossas.
 
12h35m49s
 
< Amor a reunião acabou agora. Vou almoçar. Beijokinhas doces para tua sobremesa. >
 
17h10m57s
 
- Estou sim, por favor?
- Amor sou eu. Venho dizer até amanhã.
- Ah, Lucina como estás?
- Estou preocupado contigo. Até a tua voz perdeu aquele brilho que eu tanto gostava. ( Sussurrava ele do outro lado. )
- Sim, eu sei, mas a vida nem sempre corre como nós queremos. Tudo há de passar.
- Com ela a piorar?
- Quando cair à cama, vai para a casa de saúde em P**********. O Diretor é filho do meu antigo professor de Higiene. E eu já falei com ele.
- Assim é melhor para ti.
- E para as minhas irmãs. A minha mãe tem dinheiro que suporta os custos.
- Ainda bem. Agora vou-te deixar. Beijokinhas doces, molhadas, do jeito que tu gostas. E onde e como quiseres..
- Obrigada pela tua atenção. Beijos também para ti.
 
 
21h10m20s
 
< Estou no MSN. Podes vir? >
 
21h11m23s
 
< Não sabia que já estavas deitada. Dorme bem. Bjs só nossos. >

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A Toma dos comprimidos!

Quinta, 3 de Fevereiro de 2005
 
Eu estava a ficar com uma pressão muito grande. Nem eu nem a Glorinha tínhamos prática com doentes como a minha mãe. Dormi com ela no quarto e consegui descansar. Acho que a minha mãe precisava de companhia, mas não se sabia expressar. Ela dormiu toda a noite muito tranquilamente.
 
Acordei com o meu marido a tomar banho. Ele ficou contente com o resultado. Mas não me queria longe dele. Disse-me que dormisse com ele. Sentiu a minha falta. Mas fiz-lhe ver que todos conseguíamos dormir e descansar, se esta técnica resultasse. Tinha que experimentar mais uma noite.
Já fiquei acordada à espera que a minha mãe, também, acordasse. Tomei banho ainda com o meu marido em casa para me ajudar se  a minha mãe acordasse entretanto.
Só acordou pelas 8h e 30m.
Consegui levantá-la e levá-la para a casa de banho, mas não consegui dar-lhe banho sozinha. Tive que esperar pela Glorinha. Dei-lhe o pequeno almoço. O maior problema era dar-lhe os medicamentos. Eram dez pela manhã. Eu pensava que dando tudo ao mesmo tempo, ela os engolisse e o trabalho ficava facilitado. Mas não. Ela não tinha capacidade de os engolir e deitava tudo fora. O problema persistia. Neste momento tocou o telefone e eu fui atender na esperança que fosse o Pedro para me ajudar com a toma dos comprimidos, como me tinha prometido.
 
- Estou sim, por favor?
- Amor, bom dia. Como foi essa noite?
- Muito tranquila. Ela descansou e eu, também, descansei bastante. O problema é dar-lhe os medicamentos. Estava neste momento a querer que ela os engolisse, mas nada.
- São muitos?
- Pela manhã, são dez.
- E como lhos dás?
- Todos ao mesmo tempo. Como devem ser tomados, acho eu.
- Não, Amor. Ontem estive a ver na net e descobri, que em doentes que têm a doença da tua mãe, há uma técnica para lhos dar.
- Então diz-ma por que estou desesperada para lhos dar.
- O que come ela pela manhã?
- Nestum receitado pelo médico por ser mais fácil engolir.
- Ora aí tens. Por ser mais fácil de engolir. Não lhe deves dar os medicamentos todos de uma só vez.
- Então como faço?
- Pões um em cada colher de Nestum e ela, assim, engole-os todos.
- Ai Amor, o que faria eu sem ti? Obrigada por me ajudares.
- Amor tenho que zelar para que te mantenhas saudável e sem stress.
- Bem, agora vai lá dar-lhe o pequeno-almoço. Eu volto mais tarde. Beijokinhas doces.
- Beijos, Amor, e obrigada pela ajuda.
- Não agradeças. Um dia vais tu ajudar-me. ( Aqui já ele estava a maquinar como me cobrar tudo, mas eu nem sonhava. )
 
Fui para junto da minha mãe  e dei-lhe os medicamentos assim como ele me disse. Fiquei de boca aberta. Ela engoliu tudo sem problemas. Quando a Glorinha chegou, ficou pasmada ao ver que assim não havia mais confusões com a toma dos comprimidos. Demos banho à minha mãe, mas combinei com ela que lho iríamos dar na cama, virando-a. Seria mais fácil. Mas eu continuava a querer a minha mãe levantada e dava pequenos passeios com ela em casa e no jardim, quando o tempo o permitia.
 
O dia decorreu normal. Tínhamos descoberto a maneira fácil de lhe dar os comprimidos sem stress para ambas as partes. Eu estava agradecida ao Pedro e nem sabia como lhe pagar a sua ajuda.
 
17h20m45s
 
O telefone tocou e eu fui atender. Já tinha dado o lanche à minha mãe e sem confusões de ela engolir ou não os comprimidos.
 
- Estou sim, faz favor?
- Então resultou a toma dos comprimidos? ( Ele sussurrava para não se fazer ouvir ).
- Ah! Sim, obrigada. Foste de uma grande ajuda, Lucina. Assim não se torna numa frustração para nós e complicado.
- Ora diz lá quem é amigo? Estou aqui para te ajudar, percebes?
- Sim, percebo e agradeço muito. Nem tenho palavras para te agradecer.
- Estamos aqui para nos ajudar mutuamente, não achas?
- Sim... Mas eu sei que tu não vais passar por este problema.
- Nunca se sabe. A minha mãe já não é nova.
- Pois...
- Essa da " Lucina " dá resultado. O que interessa é que falo contigo, Amor. Chama-me o que quiseres, mas ama-me.
- Muitíssimo. Acreditas?
- Sim, acredito. Eu, também, te amo muito. Nem sei viver sem ti.
- Eu também não. Amanhã falamos mais. És uma grande colega e amiga. Obrigada.
- Então fica bem. Logo vais ao MSN?
-Não. Deito-me cedo para aproveitar o sono da minha mãe.
- Ok! Beijokinhas só nossas. Adoro-te, sabias?
- Eu sei. Beijos e, mais uma vez, obrigada. Até amanhã.
 
Neste dia não houve mais mensagens. Eu deitei-me cedo e adormeci, depois da minha mãe estar a dormir.

domingo, 15 de novembro de 2015

Apoio incondicional!


Quarta, 2 de Fevereiro de 2005
 
Começava aqui mais uma temporada de muito trabalho para mim e, também, alguns dias longe do Pedro. Todavia, ele continuava a dar-me um apoio incondicional. Ele sabia fazer as coisas e fazia-as bem, quando queria algo que eu tinha.
De facto que tinha que demonstrar que valia o que me iria pedir mais tarde. Teria que mostrar que estava à altura de merecer o prémio final. Eu estava agradecida pela sua generosidade. Dava-me bons conselhos e estava sempre lá quando eu precisava. Mas eu não sabia quão caro me ia ficar esse "apoio incondicional" Não pensava que me iria cobrar cada segundo que passou a ajudar-me.
Já eu estava na sala com a minha mãe e a dar-lhe o pequeno-almoço, quando tocou o telefone. Calculei que fosse o Pedro, mas também podia ser o meu marido. Ele telefonava amiúde para saber como estava tudo a correr. " Se precisares de mim, é só chamares" dizia antes de sair de casa e quando me dava o beijinho de um até logo.
Tinha a Glorinha que vinha todos os dias para me ajudar, mas só vinha mais tarde.
Levantei-me e fui atender. O número não era do meu marido, mas também não era o de costume do Pedro. Fiquei na dúvida e atendi a medo.
 
- Estou sim, faz favor?
- Posso falar?
- Acabei agora de dar o pequeno-almoço à minha mãe. Foi difícil. Ela quer apanhar a colher e eu só tenho duas mãos.
- Olha, uma dica. Quando lhe estiveres a dar o comer, põe-lhe um lenço comprido ao pescoço e enfia o braço direito dela. Assim fica apanhado e já não te incomoda. Ou uma ligadura forte. Há à venda nas farmácias. Dizes para que a queres e eles dão-ta.
- Uma boa ideia. Obrigada. Não sei o que fazia sem ti.
- Estou aqui para te ajudar. Não posso ir aí a casa, mas posso ajudar-te de outras maneiras. Estive a ver na net como cuidar dessas pessoas.
- Nem tenho palavras. És um Amor grande que eu tive a sorte de encontrar.
- E eu a ti. Se não consegues dar-lhe banho na banheira, rola-a na cama e vai lavando de um lado e depois fazes ao contrário. Outra dica.
- Obrigada, Amor. Tenho a Glorinha, mas nem sempre é fácil. Também a minha mãe faz anos hoje e as minhas irmãs devem telefonar. O meu marido também me disse, que se me visse atrapalhada, para o chamar. Mas foi trabalhar.
- Hoje estou na linha de Cascais. Telefonei de outro número.
- Pois! Fiquei na dúvida quem seria. Não conhecia o número.
- Hoje vai ser um dia longo. A que horas posso ligar?
- Hoje não sei. Tenho cá a Glorinha.
- Fazemos assim. Faz de conta que é uma colega tua a perguntar pela tua mãe. Eu telefono pelas cinco, pode ser? Vai ser este número.
- Está bem. Vamos fazer assim. Mas tu lá arranjaste uma desculpa. Depois....
- Não é uma mentira. É uma maneira para falar contigo. Agora vou trabalhar e deve estar a chegar a tua empregada...
- Sim, são horas disso.
- Beijokinhas só nossas e estou sempre para te ajudar. Eu amo-te, sabias?
- Sim, eu sei disso. Obrigada.
- Até logo, então.
- Até logo.
 
 
12h45m20s
 
< Só vamos almoçar agora. Como correu o almoço? Fizestes como eu disse? Bjs só nossos. >
 
 
17h09m20s
 
 Estávamos a dar o lanche à minha mãe. Eu tinha que lhe dar dois comprimidos. Ela não os engolia e deitava fora. Deixei a Glorinha na difícil tarefa e fui atender o telefone.
 
- Estou sim, por favor?
- Amor posso falar? Fazemos assim como eu disse. Certo?
- Olá! Estou a dar o lanche à minha mãe. Tenho que lhe dar dois comprimidos, mas ela não os engole. Nem sabemos como fazer. Tu sabes, Lucina?
- Não sei, mas amanhã já te digo como hás de fazer. Estive todo o dia a pensar em ti. Amo-te e o teu problema também é meu.
- Obrigada. Vão ser uns dias muito difíceis. A dar-lhe o comer, já arranjei solução, mas com a medicação, estou aflita.
- Amor, amanhã já te digo como. É só ir ver à net.
- Obrigada pela tua atenção. Isto está a ser muito difícil.
- Não vais ao MSN?
- Não. Hoje faço uma caminha ao lado da dela e vou dormir assim. Talvez durma mais descansada.
- Não tens o aparelho que te levei da outra vez?
- Sim, tenho um aparelho, mas acho que durmo mais descansada.
- Amor até amanhã. Estou aqui para te ajudar sempre que precises. Beijokinhas só nossas.
. Obrigada pela atenção. Um beijo também para ti.
 
Desliguei, mas tinha receio se a Glorinha tinha ouvido a voz dele. Porém, fiquei mais tranquila quando ela me disse que tinha colegas boas.
Pensei:- Vou ficar em dívida com ele.
 
 
 
  
 

sábado, 14 de novembro de 2015

Recompensar!

Terça, 1 de Fevereiro de 2005
 
Neste dia tinha uma notícia para dar ao Fernando Pedro. Não era uma notícia agradável, mas era uma notícia que tinha que ser dada com alguma urgência. Na véspera tinha recebido um telefonema da minha irmã mais nova a dizer que estava de cama e que eu tinha que ir buscar a minha mãe. Foi recebido o telefonema já depois de me ter despedido dele. Para mim também não era agradável. Mas era a minha mãe e eu tinha que ir busca-la.
Como sempre, o telefone tocou pouco tempo antes das nove da manhã. Não vi as horas por que estava já na sala e não olhei para o vídeo.
Atendi o telefone sem saber se era ele ou a minha irmã. Ia tomar o pequeno-almoço para me deslocar a Sintra, local onde morava a minha irmã e mora.
 
- Estou sim, por favor?
- Bom dia minha Deusa Shakti. Dormiu bem? Eu dormi. Afinal amanhã estamos juntos. Vou fazer-te muito feliz e satisfazer os teus desejos todos.
- Estamos? Diz-me como...
- Então é o nosso dia e eu vou aí.
- Não vens.
- Não?
- Ontem depois de termos falado, a minha irmã telefonou a dizer que está de cama e que eu tenho que ir buscar a minha mãe. São, pelo menos, 15 dias.
- Não me digas!? É mesmo verdade?
- Apesar de me teres chamado " mentirosa" mas isto é verdade. Não ia mentir com uma coisa que me deixa, também, doente. É muito difícil tratar da minha mãe. Tem dias que é agressiva e eu nem sei lidar com isso.
- E quando te recompenso?
- Recompensar de quê? ( Eu bem sabia onde ele queria chegar, mas eu não estava com disposição de voltar a falar no assunto. )
- Recompenso-te depois. É do tempo que estamos longe- redarguiu ele.
- Pois, isso.
- Assim que ela melhorar, vou logo levá-la.
- Vai ser muito difícil estar este tempo todo longe de ti. Agora estava mesmo a precisar da tua companhia. Ontem houve discussão lá em casa.
- Paciência! A mim não me calha nada bem. Tenho que pedir a ajuda da Glorinha. Deitá-la ainda tenho o meu marido que me ajuda, mas para o resto, não tenho capacidade. Já passa mais tempo na cama, segundo diz a minha irmã. Mas eu vou ver se a mantenho levantada, Escuso de andar, constantemente para baixo e para cima.
- Vai ser bonito, lá isso vai. Tenho muita pena de ti, mas não te esforces muito.
- É um esforço sobrenatural. Eu bem digo que ela estava melhor na casa de Saúde em P**********. Ela tem dinheiro para isso. Mas as minhas irmãs não querem, ainda.
- E vais busca-la agora?
- Já estava de saída. A minha irmã tem uma consulta às duas horas da tarde.
- Então, vai lá. Não te atrases por minha culpa. E logo? Telefono?
- Não sei. Depois envio mensagem.
- Beijos para te ajudarem nesta luta. Muitos docinhos, molhados do jeito que tu gostas como e onde quiseres.
- Beijos também para ti.
- Posso enviar mensagem à hora do almoço?
- Não envies. Posso vir a conduzir. Ainda vamos dar o almoço lá, à minha mãe.
- Até logo e boa viagem.
- Obrigada e até logo.
 
O dia foi longo. Era eu, a minha irmã e o meu cunhado a meter a minha mãe no carro e não conseguíamos. Ela enrijeceu os músculos e parecia uma pedra. Por fim a minha irmã foi dar-lhe as gotas SOS e só assim conseguimos.
Cheguei a casa com os olhos inchados de tanto chorar. Fiz o caminho todo a chorar. Não era pela minha mãe, mas pela doença de que sofria. De facto que não merecíamos isto. Mas bate à porta de qualquer um.
Quando cheguei a casa já tinha a Glorinha que me tinha feito o jantar e arrumado o quarto com a cama feita de novo.
Depois enviei uma mensagem ao Pedro. Na volta enviou esta:
 
< Amor mio não te deixes ir abaixo. Eu estou contigo. Amo-te. Bjs molhados. >
 
21h43m24s
 
< Dorme bem na medida do possível. Bjs só nossos. >  
 
 
 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Desconfianças!


Segunda, 31 de Janeiro de 2005
 
Mais uma foto que referencia onde habita o Fernando Pedro ou muito perto.
 
Era um dia igual a tantos outros. Eu estava a abrir a janela do meu quarto para arejar até eu ir tomar banho. De dentro veio um estridente som que me tirou da minha apatia de sempre. Não me apetecia ouvir ninguém e muito menos o Pedro. Ainda estava magoada com ele. No remanso da minha casa, pensei cuidadamente, sobre o que se tinha passado no Sábado. Tinha ficado muito triste por ele me ter agraciado com tantos defeitos. Eu tinha sido generosa, embora me apetecesse dizer que ele era um oportunista. Mas não o fiz para não ferir a sensibilidade dele.
Laconicamente  deixei-me estar na janela. Não iria atender. Ele tinha que pensar que me tinha magoado muito. 
De repente o telefone deixou de se ouvir e eu respirei de alívio. Fizera uma coisa que eu pensava não ser capaz de fazer. Mas fi-lo e senti-me bem. Só que foi alívio de pouca dura. O telefone voltou a ouvir-se. Lá tive que atender. Ao certo, não sabia quem estava para lá da linha.
 
08h56m34s
 
- Estou sim, por favor?
- Amor sou eu. Bom dia para a flor mais linda do meu jardim.
- Ah! És tu?
- Estavas à espera que fosse outra pessoa? A esta hora sou eu sempre. Ou não?
- Podes não ser. O meu marido já me telefonou a dizer que vem almoçar. Vai à Serra de M********* com um colega e pediu-me para fazer almoço a contar com dois. Como vês, pode ser qualquer pessoa.
- Ainda dizes que andas só comigo...
- Calma lá! No Sábado já me ofendeste que chegue. ( Cortei eu azedamente. ) Se vens com a mesma conversa, é melhor desligares já. Não estou com pachorra de ouvir as tuas desconfianças.
- Calma, Amor. Eu não penso nada.
- Ai não? Então por que me atormentas sempre com a mesma conversa? Já chega, Pedro. Estou farta por não teres confiança em mim.
- Eu tenho confiança, mas tenho muitos ciúmes...
- Os ciúmes são doentios e não trazem nada de bom a uma relação. Pára de  seres  infantil. Eu não aguento.
- Pronto! Já cá não está quem falou. És brava quando queres.
- Não é "quando quero", é quando tu me provocas.
- Pronto! Só não te quero perder...
- A comportares-te assim, um dia mando-te passear.
- Desculpa, prontos.
- Olha agora digo como tu me dizes às vezes, As desculpas não se pedem, evitam-se. E esta conversa era desnecessária. Bem basta que a tivesse que ouvir no Sábado. Foste mesmo desagradável e és quando queres.
- Perdoa. Julgava que estava a ser uma conversa de circunstância.
- Achas que eu acredito nisso?
- Vá lá Amor, fazemos as pazes? Ainda ontem tive que levar com a mãe dela mais aquele homenzinho insignificante.
- É a tua obrigação. Não estás a viver com ela? Tens que receber a sogrinha também.
- Olha, sabes? Na quarta posso ir a tua casa. Vamos ser felizes e eu compenso-te de todo o mal.
- Vamos ver se podes vir. Se o meu marido não acabar o trabalho na Serra, vai vir aqui almoçar.
- Ai não me faças isto. Preciso de estar contigo. Quero estar contigo o tempo que puder.
- Só logo sei. E hoje não me podes telefonar à tarde. Ele pode vir mais cedo.
- Ainda mais essa..
- Nada de anormal. Amanhã falamos.
- E logo não vais ao MSN?
- Logo se vê.
- Adoro-te, sabias?
- Sei lá se adoras... Às vezes tens atitudes que deixam muito a desejar.
- Tenho ciúmes, prontos...
- Os ciúmes não levam a lado nenhum.
- Vou-me controlar.
- Espero bem que sim.
- Beijokinhas doces, meigas, molhadas e saborosas. Hum! Que bom!
- Beijinhos e até logo.

12h09m10s

< Vou almoçar agora. Penso em ti com todo o meu Amor. Bjs para tua sobremesa. >


17h15m34s

< Meu Amor de ontem de hoje e de amanhã amo-te muito, e por isso tenho medo de, te perder. Não me deixes e ama-me como eu te amo a ti. És o sol da minha vida cinzenta e triste. Não sabes como é a minha vida lá em casa. Às vezes só a C****** R***** me compreende. Mas é muito jovem para perceber. Tu percebes. Eu confio em ti. Quero-te para SEMPRE. Amo-te. Bjs molhados e ternos. >


21h59m58s

< Dorme bem. Foi bom falar contigo. Bjs só nossos. >