sexta-feira, 25 de março de 2016

Segundo dia no Alentejo!

Sábado, 16 de Abril de 2005

Mais umas mensagens do Pedro. Estávamos longe e não podíamos  falar.
Ele sentia inveja por eu estar com o meu marido. Também não sabia disfarçar. As mensagens seguintes mostram isso mesmo.

09h12m34s

< Bom dia Amor mio. Dormiu bem? Eu não. Só de pensar que estás com ele sinto-me mal. Onde vais hoje? Beijocas de quem te ama muito >

13h09m13s

< Amor estás a almoçar aonde? Lembra quando estivemos juntos. Eu te AMO muito. Sinto-me só. Ele tem-te toda. Beijocas onde e como quiseres.

17h23m15s

< Amor mio toda a tarde pensei em TI. Estivestes em Vila Nova com ele. Estou só. Sinto a tua falta. Não te queria com ele. Beijoquinhas que gostamos de dar.

20h17m18s

No pôr do sol eu envio os meus beijos. Recebe-os pq são dados com muito Amor. Eu adoro-te, sabia? >

21h30m25s

< Amor mio sinto-me triste. Não posso pensar que estás com ele aí. Podiam ter escolhido outro lugar não o nosso. Dorme bem. Eu já não durmo. Beijoquinhas MUITAS E ADORO-TE, SABIA? >

Estas são as mensagens que ele me enviou neste dia em que eu estava em Porto Covo. Andava a prepara o caminho para me pedir dinheiro.





terça-feira, 22 de março de 2016

Novamente Porto Covo!

Sexta, 15 de Abril de2005
Esta foto representa uma estação tirada pelo Pedro quando foi ao norte para estar com a sua amante mais temporal. Nunca teve uma relação tão duradoura. Chama-lhe "Nia".

Neste dia fui para Porto Covo com o meu marido.
O Pedro ficou todo ruído de inveja. Não queria que fossemos para o apartamento que tínhamos quando para lá fomos nós. Afinal não era.

Já não falámos neste dia. Foi tudo através de mensagens via telemóvel.

10h21m11s

< Meu Amor não vás para o nosso apartamento. Ele tem as nossas recordações. Te adoro, sabia?>

16h42m40s

< Meu Amor ainda bem que vais descansar. Bem precisas dele. Bjs muito doces que tanto gosto de te dar. TE ADORO MUITO.>

17h36m30s

Amor está tudo bem contigo? Por aqui reina a monotonia. Apenas recordações de momentos inesquecíveis. Bjs longos e saudosos. >

21h20m10s

< Dorme bem meu Amor. Ainda bem que não foste para o nosso apartamento. Ele tem as nossas recordações. Bjs de amor e   saudade. >


segunda-feira, 21 de março de 2016

Estive em Davos!

Quinta, 14 de Abril de 2005

Só quem conhece esta imagem sabe que eu estive na Suíça.
Aqui passei os meus dias com toda a família. Foi em Davos. Lindo de morrer. Aqui nunca tinha estado e adorei.
Porém, hoje volto à ribalta para escrever mais sobre o Pedro. É um sociopata que alicia as mulheres e depois despoja-as dos seus bens mais preciosos.

Neste dia fui ter com ele a Entrecampos.
Fomos ao L******.
Pouco posso falar deste dia. Era um dia igual a tantos outros. Pouco se falou, mas os gestos valeram mais que mil palavras. Foi muito generoso comigo. Falou-me ao coração e levou-me a pensar que nada de mal poderia acontecer-nos.
Eu acreditei nele e pensei que eu estava errada ao imaginar que ele só queria o meu dinheiro. Ele mostrava-se puro e transparente. Dizia coisas que me deixavam hipnotizada.  Não queria acreditar no meu "eu interior". Apenas só ele era a verdade e o caminho correto que eu tinha que percorrer. Meu Deus, como eu estava enganada...


sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Estou na linha de Sintra!

Quarta, 13 de Abril de 2005

Já não sabia o que queria. A minha vida tinha dado um volta de 180 graus. Quando acordava e via a madrugada a entrar pelas frinchas da janela, já não conciliava o sono. Era um sonho que eu não queria ter. O homem com quem saíra e tinha uma relação, tornou-se num sapo e não naquele príncipe que eu idealizara.
O dia vinha de mansinho beijar a minha cama. Mas eu não queria os seus beijos. Abominava-os. Pois eles traziam de volta o que eu não queria viver.
Voltava tudo de novo. Mais um dia, mais uma desventura, mais uma desilusão.
As horas voavam e com elas chegava aquele telefonema que eu não queria atender. Mas com receio de algo pior, acabava por me embrenhar em mais uma aventura.

08h25m10s

- Estou sim, faz favor?
- Agora ficas às escuras. 
- Porquê? Vai faltar a luz?
- Não. Mas é porque não conheces o número.
- Pois, este não conheço. Telefonas de um número qualquer...
- Estou na linha de Sintra. Perto de casa. Estás bem? Sempre vais para Porto Covo no fim de semana?
- Vou. O meu marido já marcou o apartamento.
- Vê se não ficas no nosso apartamento. Eu não quero que partilhes as nossas recordações com ele.
- Não sei. O meu marido é que marcou.
- Amanhã queres vir ter comigo? Estou em Entrecampos e podíamos ir ao L******. Quero-te ter nos meus braços antes que te vás embora.
- Hum ! Tão romântico!?
- Eu sou sempre assim para a mulher que amo. E eu amo-te. Tu sabes.
- Será que sei?
- Sabes. E faço-te feliz. Quero-me casar contigo.
- Vais ficar por aí?
- Mudas de converseta. Vou passar aqui o dia todo.
- E eu vou fazer análises.
- Já tinhas dito. Por isso é que telefonei cedo. Beijokinhas dadas com paixão, amor, ternura e muito carinho.
- Beijinhos e bom dia de trabalho. 

17h11m12s

< Amor já não dá para falar contigo. Vai ao msn. Beijokinhas doces. >

Fui ao msn e falámos. Marcámos encontro para o dia seguinte, já que eu, na sexta, iria passar o fim de semana a Porto Covo. 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Estás bem disposta?

Terça, 12 de Abril de 2005

Não consegui dormir de noite. Na minha cabeça martelavam as palavras perniciosas do Pedro. Volteava na cama à espera que o sono chegasse de mansinho e me fizesse esquecer o dia anterior. Mas não aconteceu e levantei-me com os olhos do dia que clareavam o quarto pelas frinchas da janela.
Meu marido revelou que eu tinha que voltar ao médico. Nem dormia nem deixava que ele dormisse. Não respondi. Ele tinha razão, mas eu estava num dilema tão grande que não conseguia refazer uma boa noite de sono.
Tomei banho enquanto ele se vestia. Perguntou-me se eu ia a algum lado. Era estranho estar-me a levantar tão cedo sem ter a minha mãe em casa. Redargui que não ia a lado nenhum, mas que não fazia sentido continuar na cama uma vez que não dormia. Tinha coisas a fazer que me ocupariam o dia.
Deixei a água cair no meu corpo para me sentir viva. Precisava de sentir que eu era eu e que o que tinha acontecido, não passara de um mero pesadelo.
Quando já estava na sala a escrever no meu diário, o telefone tocou. Foi com lentidão que me levantei. Não tinha pressa. Já sabia quem estava do outro lado da linha.

09h10m11s

- Estou sim, faz favor?
- Sabes onde estou? 
- O telefone ainda não tem TV.
- Estou em Entrecampos. O meu colega está de férias e eu vim fazer o trabalho dele.
- Pois. Ontem tinhas dito que ele estava de férias.
- O trabalho é a dobrar. Estás mais bem disposta?
- Porquê? Pareço que quero vomitar? 
- Não é isso, mas ontem foste-te embora assim de repente...
- Eram horas do comboio e como te tinha dito, tinha que vir cedo para casa.
- Já tenho o carro na oficina. Ainda não sei o orçamento.
- Tu é que sabes...
- Não. Sabemos os dois. Eu conto-te tudo. Tu não?
- Também te conto tudo e ando com um problema muito grande, como sabes.
- Ele foi cedo para casa?
- Não. Já chegou bem tarde. Eu estava a dormir. ( Era mentira, mas tinha que fazer com que parecesse credível. )
- Mas não sabes que tipo de jogo?
- Não faço ideia e nem percebo de jogo.
- Já contei ao meu amigo. Ele vai tomar medidas.
- Ok! Talvez o apanhem.
- Era bom para nós passar um tempo no chelindró ( tema que ele utilizou para prisão. ) Assim ficavas senhora da conta e ele não lhe podia tocar... Riu-se com gargalhadas.
- Sabes? Amanhã vai trabalhar para MonT****. Não podes vir.
- Então tinha pedido ao chefe que ia a uma consulta!?
- Terás que dizer que te mudaram a consulta.
- E na quinta podes vir ter comigo?
- Talvez. 
- Eu continuo aqui em Entrecampos. Vamos ao L****. Queres? Eu adorava.
- Sim, eu também.
- Agora vou trabalhar. Tenho os homens à espera. Beijinhos com paixão, amor, doçura, ternura...
- Ena! Tanta coisa.
- É para veres que te amo muito.
. Beijinhos doces.
- Não sei se posso telefonar hoje!
- Envia mensagem.
- Até logo.

Quando desliguei, senti um alívio nunca antes experimentado. Isso dizia que estava sem falar com ele todo o dia. Agora era preciso desligar. Fui ao Centro e à escola para estar com as minhas colegas.
Perto das 17h recebi a seguinte mensagem:

< Amor meu coração voa para junto do teu. AMO-TE e recordo nossos momentos lindos. Bjs Kentes. >

Terminou assim mais um dia de expectativa. 

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O gravador!

Segunda, 11 de Abril de 2005

Não foi um dia fácil. Foi num lugar igual à foto que eu e o Pedro nos sentámos naquele dia para experimentar o gravador que tinha comprado. Ideia do Pedro para apanhar o meu marido em flagrante. Mas até chegar a esse momento, eu tenho que relatar o que se passou anteriormente.

Como já vinha sendo hábito, os nossos encontros eram à porta do Centro que dá acesso ao Continente. Foi aí que eu esperei por ele com o coração a transbordar de uma ansiedade nunca antes experienciada por mim.
Por volta das 12h ele desceu as escadas e lá vinha todo gingão e com uma confiança que me deu volta ao estômago. Senti vontade de correr e desaparecer por entre as pessoas que se iam aglomerando na entrada para um almoço merecido. Mas fiquei petrificada qual asno que não quer andar por que está a comer a sua cenoura preferida.
Ele, sem sombra de dúvida, vinha alegre e com uma vivacidade que eu não lhe conhecia.
Cumprimentámo-nos com um beijo que não foi sentido por mim. Também não o foi por ele, mas eu achava que o sentiria pelo prazer  de ser homem, indubitavelmente, sabujo.
Pegou na minha mão e arrastou-me, literalmente, para dentro do Centro. Eu era um espectro que seguia a sua sombra sem haver sol. Subimos as escadas rolantes. Ele falava, mas eu não o ouvia. Pensava na maneira de me livrar da pedincha do dinheiro. Era primordial para mim que ele acreditasse e me deixasse em paz.
Já na área dos restaurantes, fomos pôr-nos na fila para levar uma malga de sopa. Ele disse que não queria um almoço prolongado porque tinha imenso para falar comigo. Eu levei sopa e ele uma taça de salada de fruta. Pouco comi ou nada. Ele dava-me papaia porque sabia que eu gostava imenso.
Depois seguimos para o nosso refúgio " o jardim ", lugar onde pouca gente andava àquela hora. 
Então pediu para que eu falasse primeiro. Senti um rubor no rosto e pensei que a minha máscara iria cair a qualquer momento. 
Falei que o meu marido andava num esquema de jogo. O papel que eu assinara, quando estive doente, fora para levantar dinheiro para pagar a dívida do jogo. Também descobrira que o meu marido tinha negócios ilícitos com a minha cunhada, mas que me tinham faltado pormenores por que eles falavam em código. Era a minha mentira planeada há vários dias. Não ousava olhar para ele com receio que não acreditasse. Porém, disse-me que ambos estávamos com problemas, mas que se nos uníssemos, seria possível sair deste pesadelo. Foi um alívio para mim pensar que ele tinha acreditado na minha mentira tão credível e bem moldada para a altura. Então, começou a falar que tinha um amigo que era da judite ( Nome vulgarizado para Polícia Judiciária ). Eu arregalei os olhos e perguntei, na minha santa ignorância, o que era a "judite". Explicou-me e disse que iria alertar o amigo para averiguar se havia jogo ilegal em A*********. Depois falou, com muita segurança, que era melhor eu comprar um gravador pequeno para ter no bolso e gravar as conversas entre a minha cunhada e o meu marido. Ambos iríamos descodificar logo que eu tivesse apanhado algo. Aqui fiquei um pouco amedrontada. Não se passava nada entre o meu marido e a minha cunhada. Também nunca iriam pegar o meu marido porque ele não jogava. 
Pegou na minha mão e levou-me à Worten. Vimos vários e a escolha caiu num muito pequeno e que cabia num bolso sem ser descoberto e passar despercebido. Comprei-o e fomos para fora do Centro. Sentámo-nos num local igual à foto que postei. Não deitava água e estava um sol convidativo para a converseta, como ele lhe chamou. 
Foi ele que ligou o gravador e o pôs a funcionar. Depois deu-me um beijo muito repenicado que ficou gravado. Ainda tenho essa gravação. Fui dar com ela quando fui para ouvir outra gravação que fiz de uma conversa que tive com ele e que me disse que tinha entrado na minha conta bancária para ver os movimentos registados pelo meu marido. É crime, mas não usei quando fiz queixa. Talvez ainda me sirva para alguma coisa.
Aqui começou a falar da situação em que se encontrava. Estava decidido em mandar arranjar o carro e depois logo se via. Disse-me que eu tinha dinheiro no BES. Fiquei suspensa no ar com esta revelação. Como é que ele sabia disto? Como sabia que eu, ainda, tinha dinheiro? Falou que perguntou e que um amigo o tinha ajudado. " Tens dinheiro e não me venhas com tangas. " Foi o que me respondeu. 
Não havia saída para mim. Mas redargui que nada me levava a crer que lho pudesse emprestar. "Isso é o que vamos ver", respondeu com um ar de vencedor.
Perdi as minhas forças e pensei que ia desmaiar, mas lá me recompus. Levantei-me, abruptamente,  e disse que estava na hora de ir apanhar o comboio.
No regresso chorei todo o caminho.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Desesperado!

Domingo, 10 de Abril de 2005

Hoje postei uma foto diferente. Talvez a menina Florbela a conheça. Bom, mas hoje não venho falar dela. Que dê o ar da sua graça quando lhe apetecer. Mesmo que seja com outro nome... Estou aberta para novas conversações e novos horizontes e, até, a novas mulheres que tenham uma mescla de dor que o Fernando Pedro causou.

Neste dia, fui com o meu marido, almoçar a casa da minha sogra. Lá não tínhamos rede. Por essa razão só obtive as mensagens do Pedro quando regressei a casa. De facto estava zangado. Não pela conversa do dia anterior, mas por eu não responder.

11h20m15s

< Acabei de me levantar. Penso e não sei que fazer. Ajuda-me. Bjs só nossos. >

15h09m10s

< Mas que se passa? Liga a merda do telemóvel. >

16h23m19s

< já não à paxorra ( pachorra, mas ele dava erros  que se fartava ). Estou farto. Qd quiseres aviza. >

20h03m29s

< Podias ter dito. Desculpa. Estou na merda e não sei o q faço. Vai ao msn. Bjs >

Não fui ao msn. Avisei porquê e ele entendeu. Disse-lhe que se acalmasse que na Segunda falávamos. Eu também tinha uma coisa para lhe contar que tinha descoberto. (Mais uma maneira que eu achei para não lhe dar dinheiro. Porém, infrutífera. )