quinta-feira, 5 de abril de 2018

A conversa na Repartição das Finanças!

Sexta, 02 de Setembro de 2005

Sei que não posso levar a minha vida dependendo das vontades e necessidades do Fernando Pedro. Aterroriza-me a ideia de ele dizer que quer os 12.500€. Eu não os tenho. Não posso levantar tanto dinheiro. Que iria dizer ao meu marido?
O Fernando Pedro alvitrou e deu a ideia de eu dizer que tinha sido para ajudar uma colega, mas que colega? Meu marido conhece-as todas e é muito dinheiro.  Esses €s já não virão parar às minhas mãos. Ele já lá tem mil e não fala em pagá-los. Mas que imbróglio. Onde me fui meter? Na boca de um lobo com pele de cordeiro. Nada lhe assenta tão bem como esta frase. É mesmo isso que ele é.
 
Sinto-me perdida e sem confiança em mim própria. O medo tomou conta de mim e faz-me desconfiar até da minha sombra. Já não tenho cabeça para raciocinar. Tudo é escuro e sem visibilidade...
O tempo passa e o telemóvel não toca. Será mesmo que foi às Finanças?
Ligo para lá e dizem-me que o Sr. Fernando Pedro Cachaço Marques está no gabinete do Chefe.
 
Fico confusa. Da outra vez não tinha lá ido e agora estava lá! Mas que se passa? Que grande embrulhada!
Eu tinha-lhe falado na casa que tinha para venda, mas ele rejeitou a ideia e disse que ela não queria assinar.
 
Fico na incerteza e já nem sei se hei de acreditar ou não no fisco...
 
14h 45m 26s
 
< Amor mio estou em casa. Já falei com o chefe deu-me, algum tempo eu disse que ia ser operado ficou para depois. Descansa um pouco e voltamos a falar. Bjs nesse coração lindo. AMO-TE sabia? >
 
Por enquanto, ia ficar um tempo descansada. Não voltaria a falar no dinheiro e eu descansava a cabeça.
Suspiro fundo e as preocupações foram todas embora.
 
17h 09m19s
 
< Amor vou a Rio de Mouro falar com a minha irmã e o meu cunhado. Dpos falamos. Bjs só nossos. >
 
Desejo que a conversa seja pacífica e útil.
Fico na Esperança que tudo se resolva.
 
21h 15m 45s
 
< Vai ao MSN. >
 
Vou e ele diz-me, a chispar fogo pelos olhos, que brigou com eles e que ia matando o cunhado. Falo para se acalmar e esperar para depois da operação ao nariz. Pelo menos, parece mais calmo. Começamos a falar de outras coisas e sinto que o mau tempo passou...


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Mau Pressentimento!

Quinta, 01 de Setembro de 2005
 
Nada me dá mais irritação do que estar a dormir e ouvir o trim, trim do telefone.
Acordo meio aturdida com o tocar, incómodo, do telefone mesmo ao lado do meu ouvido.
Abro os olhos e, ainda, está escuro. Ao meu lado, a cama está vazia. O meu marido já se foi embora. Olho o relógio digital e é cedo para alguém me telefonar. Mas o telefone continua a tocar acordando tudo o que está à minha volta.
Apanho o auscultador, muito ensonada, e pergunto:
 
 
08h 10m 01s
 
- Estou? ( sem mais preâmbulos )
- Vê-se mesmo que estavas a dormir.
- Claro. Para mim é cedo e para ti também. Não costumas telefonar a esta hora... O que se passa? Caiu o Carmo ou a Trindade?
- Nem uma coisa nem outra. É só para dizer que vou trabalhar para a Casa Branca.
- Ah! Sim, está bem. É todo o dia?
- Não sei. Depende do trabalho.
- Casa Branca? Vais trabalhar para os Estados Unidos?
- Pronto, ainda a dormir... Acorda, porra. És mesmo preguiçosa! Casa Branca, Alentejo.
- Ok! Estava só a brincar...O que é que me chamaste?
" Preguiçosa "! Disse alguma mentira?
- Estás-me a insultar logo pela manhã... Não sou preguiçosa. Faço o que me apetece.
- Hoje não é um bom dia para ti nem para mim. O dia está fosco. Parece que vai chover.
- É por isso que vejo pouca claridade no quarto...
- Às vezes és um bocadinho " Lerda ".
- Desculpa!? Pára de me insultar, senão...
- Senão o quê? Desligas o telefone? Experimenta fazer isso e vê o que acontece.
- Estás a ameaçar-me? Mas hoje tiraste o dia para me atormentares logo de manhã? Tem dó...
- Acordei com um mau pressentimento.
- E eu que pague as consequências disso...
- Vá, não te chateies. Se puder, ligo de lá. Agora tenho de ir. Beijokinhas que não demos ontem.
- Pois! Mas magoaste-me, sabias?
- Até logo e dorme mais um pouco.
- Agora já não... Vou-me levantar.
- Ok! Até logo...
- Até logo. Beijinhos...
 
 
Fico tão melindrada que choro copiosamente. " Às vezes é tão amoroso e outras tão mau. Parece que não tem meios termos " . Penso eu para os meus botões.
Levanto-me e faço o habitual. Já se tornara uma rutina e eu não gosto de rutinas. Mas faço tudo  como uma autómata.
 
11h 45m 54s
 
< Eu disse k tinha um mau pressentimento... Telefonaram-me agora para ir amanhã às finanças de  Sintra. Bjs doces.>
 
Pergunto o que quer isso dizer...
 
12h 00m59s
 
< É, deve ser daquilo que tenho falado contigo por causa da minha irmã e do meu cunhado. Depois falamos. Bjs. >
 
Não augúrio nada de bom. Deve sobrar p´ra mim.
 
A Glorinha chega mais cedo e estou um pouco triste. Falamos e ela quer animar-me. Conta-me uma anedota e eu riu. Apanha nas coisas e vai para cima. Eu vou almoçar, mas sem apetite nenhum.
 
Durante a tarde não tenho mais nada do Fernando Pedro. Fico em desespero
 
19h 38m 09s
 
<  Estou a chegar. Vou jantar tomar, banho e vai ao MSN para falarmos. Bjs >
 
21h 12m 18s
 
< Estou no MSN. >
 
Vou ao MSN e falamos do dinheiro e de todas ou nenhumas hipóteses que tem em pagar a dívida. Fico sem saber o que pensar...
 
 
 

terça-feira, 3 de abril de 2018

Não sei o que ele quer de mim!


À noite não consigo dormir. Mexo-me e remexo-me na cama. O cansaço domina, mas a inquietação não é mais pequena. Não sei o que ele quer ou, por outra, sei o que ele quer, mas não tenho meios para lho dar. De facto que tenho dinheiro, mas está em conjunto com o meu marido. Não posso levantar sem que ele se aperceba. É muita " grana ".
O sono acaba por vencer a batalha que travo dentro de mim. Adormeço, finalmente, mas não um sono tranquilo.
 
 
Quarta, 31 de Agosto de 2005
 
 
Já o sol entra pelas frinchas da janela quando abro os olhos e saúdo o dia com uma espreguiçadela. Estendo-me e deslizo pela cama abaixo como seda e a pura nitidez de ter um dia daqueles, muito complicado pela frente. Desvio o meu pensamento e vejo o meu marido, já vestido, a observar-me. Sorrio sem saber porquê e estendo os braços que o envolvem numa carícia. Quero que assim permaneçamos durante muito tempo. Porém, não pode ser como eu quero, mas como a vida já o proporcionou.
Beijamo-nos com muito carinho e deduzo que ele está meio perdido sem saber se deve ficar ou ir embora.
Rimos a bandeiras despregadas. Afinal não é assim tão mau acordar para um dia que não sei como se vai passar, mas que naquele momento é tão prazeroso que não o quero perder.
Enfim, só.
Levanto-me e venho tomar o pequeno-almoço. Ouço o carro afastar-se e fico deprimida.
 
 
08h 45m 29s
 
 
< Meu AMOR bom dia afinal vem a ter a Entrecampos estou aqui, a trabalhar. Pelas 11h estou no, sítio do costume. Beijokinhas de sonho que darei a seguir. >
 
 
Já na estação recebo outra mensagem:
 
 
10h 08m 18s
 
 
< Estás na estação. Estou a  ver-te. Até posso dizer a roupa que trazes. Beijokinhas. >
 
 
Fico apreensiva e  olho em todas as direções. Não era a primeira vez que me vinha esperar. Tantas outras vezes que me fizera essa surpresa que eu já não consigo dizer se é real.
 
Mas nada. Ele não está por ali. Apanho o comboio e não reparo nos homens que trabalham do outro lado da linha.
 
Chego à estação bem pertinho das 11h.
 
Desço e fico à porta que dá para a Feira Popular. Não espero muito. Nem sei de onde vem por que é tão rápido que me dá um susto enorme. Abraçamo-nos, beijamo-nos e começamos a andar em direção da Feira. Ele fala da mensagem e diz que foram os colegas que estavam a trabalhar na estação que o avisaram.
Fico a saber que ando a ser controlada, mas não dou importância. Riu e não retruco.
 
O caminho é o da pensão. Nem sei que diga. Não, não digo nada e deixo-me levar.
 
Por volta das 14h, vamos almoçar à Feira Popular. Eu como pescada de escabeche com salada e ele come um bife com tudo.
 
Não se fala do dinheiro e trata-me como se eu fosse a sua única esperança de vida. Pago e encaminhamo-nos para a estação.
Já na estação diz-me que foi chamado para fazer a operação ao nariz, no Hospital Amadora-Sintra. Fico aflita e pergunto se posso fazer alguma coisa. A rir diz que será mais tarde que o posso ajudar. Eu penso que seja sobre a operação, mas não se trata disso.
 
Despedimo-nos. O comboio arranca e ele põe a mão no vidro. Coloco a minha sobreposta à sua e vejo-o a sumir-se.
 
21h56m30s
 
< Depois de um dia tão bom vou, dormir com a certeza de te AMAR cada dia mais. AMO-TE sabia. Bjs loucos. Dorme bem. >
 
Também lhe dou as boas noites e fico sem saber o que ele quer de mim...
 
 


quinta-feira, 29 de março de 2018

Outra Vez o Fisco!



Lamego é uma cidade muito bonita. Já subi estas escadas todas para a Senhora dos Remédios. Na Semana Santa tem um historial muito emotivo, com valor religioso e um bem estar que sentimos no Santuário.
 
 
Terça, 30 de Agosto de 2005
 
 
A sério que não sei qual o problema do Pedro. Acredito, acerrimamente, que seja a dívida ao fisco. Porém, pontos de interrogação...
 
 
Estou eu nestas conjeturas quando o telefone toca estridentemente. Assusto-me   e dou um pulo na cama como se fosse uma boneca de molas. Refaço-me e respiro tranquilamente. Atendo...
 
 
08h36m51s
 
 
< - Por favor?
- Como foi a noite do meu AMOR? ( bem acentuado ).
- Nem boa nem má. Não dei por ela passar!!!
- Então dormiste bem, certo? Eu não. Ando aqui com problemas e nem sei como resolvê-los.
- São assim tão difíceis? És tão inteligente e não sabes resolver esses problemas? Podem ser contas de multiplicar, dividir, somar ou diminuir...
- Gracinha! Estes têm contas mais complicadas. Podem ser de polícia, prisão e descrédito.
- Faz uma equação.
- Estou a falar a sério.
- Certo! Não me digas que ainda é a dívida ao fisco? Não resolveste já isso?
- E como? Sabes que não tenho dinheiro...Vou parar às Mónicas.
- Para aí não vais com certeza. Vais para a de Sintra. Ficas mais perto de casa.
- És capaz de falar a sério? Estou numa enrascada feita pela minha irmã e o meu cunhado. Não tenho saída.
- E não querias falar nisso pelo telefone... Porquê hoje?
- O cerco aperta e eu estou sem tempo. Podes vir ter comigo e almoçar? Tiro a tarde para ficar contigo.
- Pedro já te disse que estou nas limpezas grandes...
- Mas eu preciso desabafar. Não tenho ninguém. Com ela não posso e diz que não me pode ajudar.
- E eu posso?
- Tu é que sabes. Gastas tanto dinheiro nisto e naquilo...
- Ei, Pedro. Gasto onde faz falta, mas com o conhecimento do meu marido.
- Não podes vir ? E quando podes?
- Amanhã posso.
- Então eu tiro a tarde para passarmos juntos. Estou melhor. Desabafei e pronto.
- Às vezes faz falta.
- Bem, vou trabalhar. Sabes que te amo?
- Penso que sim...
- É verdade e tenho mostrado isso.
- Olha, ainda ontem estavas muito zangado...
- Muito, não. Estava aborrecido.
- Está bem, eu acredito. Vai lá trabalhar porque a Glorinha está a chegar.
- Beijinhos. Hum, nessa boquinha de sonho. Só de pensar nisso...
- Cuidado que alguém pode ouvir-te.
- Vá, beijinhos grandes.
- Beijinhos doces.
 
O telefone é desligado e eu fico a pensar que ele deve estar mesmo doido. 12.500€ é muito dinheiro. Eu não posso arranjar tanto dinheiro...
 
12h10m20s
 
< Estou a almoçar sozinho não, tenho fome e estou mesmo infeliz a pensar em, ti longe e a trabalhar. Bjs loucos. >
 
Eu estava a almoçar com a Glorinha e não pude responder.
 
Depois respondo quando ela vai para a sala.
 
Acabamos o trabalho pelas 17h. A Glorinha arruma as coisas e eu vou fazer o lanche.
 
18h20m57s
 
< Estou a chegar a casa. Ela trabalha até tarde. Vai ao MSN mais logo. Bjs de mel. >
 
21h09m11s
 
< Estou no MSN. Bjs grandes. >
 
 
Fui ao MSN e falamos em tudo menos no dinheiro e no fisco.
 
Vou-me deitar e estou muito cansada...


quarta-feira, 28 de março de 2018

Boa Páscoa!

Aproxima-se a Semana Santa. Venho, por este meio, desejar uma feliz Páscoa a todos os meus leitores e leitoras. Há quatro anos estava em Braga com o meu marido. Adoro assistir à Semana Santa na Cidade dos Arcebispos. Mas,também venho escrever algumas coisas sobre o problema que eu criei por me ter apaixonado pelo Fernando Pedro.
 
Segunda,29 de Agosto de 2005
 
Eu sei que a manhã começa cedo. Acordo com os primeiros raios da aurora. Olho em redor e o meu marido ainda se encontra deitado. Dorme tranquilamente e eu penso no Pedro.
O tempo passa e o meu marido abre os olhos e vê-me acordada com grandes olheiras. A sua preocupação é visível. Sabe,à partida, que eu não dormi bem. Não faço grande alarido à volta disso. Respiro fundo e digo que vou dormir. Beija-me e diz que já não  me  vai dizer nada, quando sair, para eu descansar um pouco mais. Mas, pelo cansaço acumulado,fecho os olhos e apago.
Ouço, ao longe, um trim trim vindo de muito longe. Não sei onde estou e fico zonza. Sinto-me mal e com uma vontade louca de vomitar. Engulo em seco e atendo o telefone.
 
< - Estou, por favor? - Olho o relógio e marca 08h34m56s
Logo a voz do Pedro ribomba nos meus ouvidos como um trovão.
- Quando é que  te acostumas a saber que, a esta hora, só posso ser eu?
Fico atónita e respondo:- Nem sempre. Recorda que tenho filha e marido e  que podem ser eles!
- Eles o tanas. O teu marido não se preocupa contigo e a tua filha só telefona à noite.
- Nem sempre. E eu sou casada, tenho filha e tenho família. Até pode ser alguma coisa da minha mãe. Tens  que parar para pensar e não seres tão cáustico logo pela manhã.
- Desculpa, vai. Às vezes também tenho problemas.
- E que género de problemas, posso saber?
- Ontem não fostes ao MSN. Porquê? Estive à tua espera.
- Sabes que nem sempre estou disponível, né?
- Pois. Hoje vens ter comigo?
-  Hoje não dá. A Glorinha anda a fazer uma limpeza grande e tenho que segurar o escadote.
- Ela não está no seguro?
- Está e já te tinha dito, mas eu tenho que prevenir.
- Já sei que vou almoçar sozinho e tenho uma coisa para te pedir.
- E não podes pedir por telefone?
- Não. É complicado.
- Essa coisa pode  esperar?
- Depende do ponto de vista...
- Mas é urgente?
- Vá, deixa pra lá. Depois falamos. Agora vou trabalhar. Beijinhos e inté.( Era assim o seu despedir. Agora utiliza o " Fica bem ".
- Beijinho grande e até logo.
 
Fico de pulga atrás da orelha. Será que ainda são os 12.500€?
 
Levanto-me dum salto. A Glorinha abre a porta e eu visto-me à pressa.
O dia passa com muito trabalho. Almoçamos as duas e também lanchamos. Do Pedro nem sinal. Ficaria zangado? " Penso eu ".
 
18h09m21s
 
< Amor foi um dia complicado. Beijinho e vê se vais ao MSN. >
 
A mensagem é breve, mas a minha também é. Digo que estou muito cansada e que me deito cedo.
 
21h34m53s
 
< Dorme bem meu AMOR e sonha comigo. AMO-TE sabias? Beijokinhas de mel.>
 
E assim termina  o meu dia...
 
 
 

terça-feira, 27 de março de 2018

A minha Pergunta




 
 
À noite, vou-me deitar, com uma pergunta por responder. Eu sabia que a Sogra do Pedro só ia a casa dele nos Domingos, segundo me confidenciou um dia. Por que razão,desta vez, haveria de ir Sábado? Voltei, outra vez a ler as mensagens que me havia enviado e lá estava, a sogra XPTO estava lá em casa e ele ia fazer o almoço. Fiquei intrigada e muito aborrecida, cheia de tristeza porque ele me estava a enganar como tantas outras vezes.
 
Fico a magicar naquilo e em não me ter dado as boas noites como era hábito!
 
Mas acabo por adormecer de cansaço.
 
Domingo, 2 de Agosto de 2005
 
No Domingo acordo cedo. Está muito calor e uma neblina que nos deixa sem respiração. Fico na marquise, na cadeira de baloiço, a remoer toda aquela confusão.
Meu marido chega e pergunta se dormi alguma coisa. Respondo que sim, mas que acordei cedo.
Ele faz o pequeno-almoço para ambos e sentamo-nos a saborear a iguaria. Não me importo com as horas. Até deixei o telemóvel, lá em cima, para não me chatear.
Estamos numa de Domingo de paz.
Falamos na nossa visita, em Setembro, a nossa filha. Fazemos projetos e delineamos algumas coisas que gostaríamos de fazer na Alemanha. O meu marido vai buscar o mapa e vemos as cidades que iremos visitar. Fico  empolgada com a viagem e vejo que já nem falta um mês.
Levanto-me, desengonçadamente, e digo que vou tomar banho.
No quarto procuro o telemóvel. Tem duas mensagens do Pedro.
 
09h20m19s
 
< Bom dia meu AMOR fiquei triste pq ontem, não me destes as boas noites. Aconteceu alguma coisa que eu deva saber? AMO-TE e tu sabes disso preciso, saber se está tudo bem contigo. Beijokinhas doces para o teu pequeno-almoço. >
 
10h00m45s
 
< Meu querido AMOR afinal o que se passa? ainda não me respondestes e, eu estou, a ficar nervoso. Diz-me ok? Beijos só nossos.>
 
Eu respondo e pergunto se a sogra vai lá almoçar ...
 
 
10h15m20s
 
< Meu AMOR tu sabes que sim é dia deles virem vou, fazer o almoço e quero falar com ela para ver se vêm menos vezes. Tb quero ir à praia com a Clá****. Bjos Grandes. >
 
Fico possessa. Ele, ontem, mentiu-me. Porquê?
Vou tomar banho e fica a água a correr, em catadupa, por cima de mim para me acalmar.
 
Vou para a mesa e não tenho vontade de comer. Fico tensa e nervosa. Meu marido, que já me conhece tão bem, pergunta o que tenho. Respondo que são saudades da minha filha. Também é, mas há outra coisa a preocupar-me.
Tudo corre na normalidade. Nada de mensagens e muito silêncio. Meu marido vai a casa da minha sogra e eu fico só.
Choro e penso que ele me mente descaradamente. Vejo um filme e embrenho-me no enredo. Não dou pelas horas passarem.
 
19h56m09s
 
 
< Meu Amor muito querido vais ao MSN ? Eu vou agora e despacha-te. Bjs. >
 
" Não sou nenhum pau mandado ", penso eu. E não me mexo. Continuo a ver o filme.
 
21h13m02s
 
< Estou no MSN vens se, não vieres vou-me, deitar. Bjs e dorme bem.
 
Não vou. envio uma mensagem a desejar boa noite e desligo o telemóvel...
 
 


segunda-feira, 26 de março de 2018

O meu dia na Figueirinha

 
 
Peço desculpa pela semana inteira que fiquei sem dar notícias. Estive sem net e, na minha rua, ninguém teve  durante a semana. Voltou hoje pelas 13h completamente.
Hoje vou falar de mais um dia em que a minha vida estava ligada ao Fernando Pedro. Não pela parte dele, mas pela minha. Tudo rodava à sua volta e a minha vida ficava para trás, eu inclusive. Apenas pensava nele e só nele, se bem que já estivesse com um pé atrás por causa do dinheiro ao fisco. Porém, ele fazia-me pensar o contrário. E quem não pensaria? A maneira como ele  me travava, o carinho, o olhar, os beijos, as suas mãos pequenas e sapudas, mas que eu achava as mãos mais lindas que já tinha visto. Elas sabiam acariciar...
 
Sábado, 27 de Agosto de 2005
 
Neste Sábado, um pouco nublado, vou, com o meu marido, para a praia da Figueirinha. Está abafado. Vamos logo de manhã por causa da bicha na Ponte 25 de Abril.
Não digo nada em todo o caminho. Finjo dormitar, mas não durmo coisa nenhuma. O meu pensamento está com  aquele biltre que me está a estragar a minha vida. Eu sei isso, mas afasto essa possibilidade. Revejo os melhores momentos da nossa vida, dos seus carinhos, carícias, beijos e um amontoado de coisas lindas que ele me fazia.
Quando chegámos, o meu marido, chama-me, com muita doçura, a pensar que eu estou a dormir.
Abro os olhos que ficam ofuscados pela luz do sol. Digo muito rápido: - Olha o tempo lindo que faz aqui! Mesmo muito admirada.
O meu marido ajuda-me a sair do carro. Eu saio ainda inebriada com os meus pensamentos, mas depressa disfarço.
Pego no saco da praia e retiro o meu telemóvel para ver as horas. Tenho uma mensagem e logo referencio o Pedro nela. Abro a toda a brisa para a ler com os olhos a lacrimejar. O meu marido vai à frente e eu leio com sofreguidão.
 
09h34m21s
 
< - Meu Amor adorado ainda ontem estivemos juntos e já tenho saudades tuas, são as saudades que me matam e a ti o que é?
Onde estás? Ainda na cama? ou já a tomar o pequeno almoço? diz-me tudo eu estou ancioso. Beijinhos loucos doces de mel. AMO-TE, sabias? >
 
Começo a rir. Ele não sabe onde eu estou. É bom que ele não saiba muita coisa da minha vida e nem lhe vou dizer.
 
Respondo evasivamente e digo que estou ensonada, que vou tomar banho e depois o pequeno-almoço.
 
E vou mesmo. Vamos a um restaurante pequeno ali ao lado.
Falamos algumas banalidades, pagamos e vamos para a praia.
O sol queima-me a pele e a areia faz-me confusão. Apanho um livro e leio. O meu marido vai correr pela praia fazer o seu cross, como habitual.
O tempo passa rápido, pois quando estou a ler, abstraio-me completamente.
Olho para o telemóvel e são 12h45m10s. Em redor há muita gente, ainda, e do meu marido nem sei onde está. Fico apavorada e os meus olhos percorrem a praia para ver se o vejo. Realmente os meus olhos vislumbram a sua silhueta. Está dentro de água a olhar o infinito. Chamo-o e ele olha para trás e faz-me sinal que já vem.
Chega cansado e estende-se ao sol para se secar. Eu reclamo por que são horas do almoço. Ele responde que ainda é cedo e fica-se estendido na toalha.
Sento-me e oiço o chegar de uma mensagem. Não vou logo ver para não dar nas vistas, mas fico alerta. Disfarçadamente, vejo a mensagem. Era do Pedro.
 
13h01m45s
 
< Meu AMOR minha vida hoje tenho cá a mãe dela e o padrasto, eu fiz o almoço, ela anda a pôr a mesa, a mãe é toda XPTO e eu não gosto deles.
Onde estás? Já fizestes o teu? ADORO-TE sabias? Beijokinhas só nossas. >
 
Respondo que ainda não almocei, mas que tenho o almoço à minha espera. Digo-lhe para não ser assim  com a mãe da mulher. Ele tem que a respeitar como a mulher respeita a mãe dele. Despeço-me com beijinhos e um até logo. Mas esse " até logo " não chega. Ele já não fala comigo neste dia.
Penso que ficou zangado por eu ter dito aquilo.
Depois de um dia tão bom, fico triste quando chega a noite...