sexta-feira, 18 de setembro de 2015

As Desculpas não se pedem

Sexta, 17 de Dezembro de 2004
 
 
Como já era hábito desde há uns meses atrás, o Fernando Pedro C*****o Marques, telefonou logo pela manhã. Eu já estava levantada porque tinha que ir ao Banco.
 
 
08h45m25s
 
 
- Estou sim. Quem fala?
- Meu único Amor, sou eu. Bom dia. Acordei-te?
- Não. Ia agora ao Banco resolver um assunto.
- Então mais um cadinho e não te apanhava, certo?
- Sim.
- Lá ficava eu a pensar que tinhas fugido com outro.
- Não sejas parvo. Também tenho a minha vida, percebes?
- Estava só a brincar.
- Pois. A brincar, a brincar, mas lá vais  magoando.
- Vá, não te zangues. Vai lá ao banco, não vá o patrão chatear-se.
- Qual patrão? ( Perguntei eu sem perceber onde ele queria chegar )
- O teu marido.
- Não vou ver a conta dele, vou ver a minha conta.
- Têm contas separadas?
- Não, mas tenho uma só minha. E que te interessa? Já te perguntei se tinhas conta separada da Z`**?
- Mas eu já te disse.
- Mas do dizer ao ser verdade, vai muita coisa.
- É verdade. É por causa da casa.
- Olha não me interessa e tenho mesmo que ir. Não quero chegar atrasada. O  Sr. Fidalgo está à minha espera.
- Estás a despedir-me?
- Não, mas tenho hora marcada. Desculpa.
- As desculpas não se pedem, evitam-se.
- Bolas!!! Estás sempre a dizer isso. Começo por ser mal educada e não " pedir desculpas ".
- Ui... Esse mau feitio.
- Olha até logo. Ah! Logo a Glorinha só sai às 6 horas. Não telefones.
- Ainda mais essa. Então inté.
- Adeus e beijinhos.
- Beijinhos doces.
 
 
12h00m56s
 
 
< Amor já tratou do banco? Qual é? Bom almoço. Bjs molhados. >
 
 
 
17h34m58s
 
 
< Também não precisavas ser tão mal educada. Não me interessa qual o banco. Foi só para meter conversa. Vais ao MSN? Vamos falar um cadinho. Ela trabalha. A V*** M***** vai sair e a C****** R***** Vai dormir cedo. Diz que está cansada. Eu sei que ela vai ouvir música, mas eu fico à vontade. Aparece. Bjs de quem te adora muito, sabia? >
 
21h45m29s
 
< Foi tão pouco tempo que nem deu para nada. Amanhã aparece à tarde. Dorme bem. Bjs só nossos. > 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Atrevido!

Quinta, 16 de Dezembro de 2004
 
 
Mais um dia que fui buscar ao meu diário. Fernando Pedro C*****o Marques foi perentório em dizer-me umas coisas que me envergonharam e, as quais, não transcrevo aqui por serem do foro íntimo e muito agressivas. Mas transcrevo parte da conversa mantida com ele. Era sempre à mesma hora que me telefonava. Pouco saía desse horário. E eu atendia ainda sonolenta. Estava frio e apetecia estar na cama.
 
 
09h20m09s
 
 
- Estou sim, por favor?
- Ainda na cama? Já são horas de levantar...
- Bom dia para ti também. Nem sequer me estás a ver para afirmar tal coisa.
- Mas oiço a tua voz de ensonada. Estou errado?
- Não.
- Ontem estavas...... ( não transcrevo o resto)
- Toma cuidado com o que dizes. Tu também não estiveste nada mal.
- Pois. Ambos estávamos......
- A conversa gira à volta do mesmo?
- Não. Dormistes bem?
- Dormi e nem sonhei, que me recorde.
- Ainda bem. Já fomos dois.
- Chegaste bem a casa?
- Sim. Ela nem reparou como eu estava feliz. Nunca repara em nada, percebes?
- Sim, percebo. Aqui passa-se o mesmo.
- Espera um cadinho....
- ..................
- Estás aí?
- Estou.
- Foi um cadinho grande. Desculpa.
- Eu sei esperar.
- Estávamos a falar de...
- Nada de importância.
- Não era importante? A nossa conversa?
- Tudo tem importância entre nós, mas falamos coisas que não valem a pena mencionar, novamente.
- Hum! Está bem. Tenho que te deixar. Vou para a ponte.
- Tem cuidado não caias.
- Gosto de te ver preocupada comigo. É bom.
- Claro que me preocupo.
- Bem agora vou sair. Beijos molhados e muito docinhos. Hum! Que gostoso...
- Até logo e beijinhos doces.
 
 
12h05m04s
 
< Bom almoço. Bjs doces de mel para a tua sobremesa. >
 
18h20m10s
 
< Amor mio cheguei agora a casa. já não tive tempo de te telefonar. Ela está a trabalhar. Vai ao MSN para falarmos um cadinho. Estou muito cansado. Bjs molhados, quentes, loucos e atrevidos. >
 
 
22h01m50s
 
< Passa-se alguma coisa? Não viestes ao MSN. Dorme bem. Até amanhã. Bjs dos nossos. >
 
 


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Com prazer, subi às nuvens!

Quarta, 15 de Dezembro de 2004
 
Havia algumas semanas que não via o Pedro. Encontrava-me nervosa sem saber como ele iria reagir. Já descobrira algumas facetas desagradáveis nele e não queria descobrir mais nenhuma. Porém só o futuro me iria abrir os olhos para descobrir o grande biltre que ele era. O sociopata com quem eu me metera. Era, também, e é, um bipolar. Ora estava com uma disposição incrível, ora estava de mau humor, além de outros sintomas que eu, como psicóloga, lhe tinha detetado. Mas não queria admitir e esperava que estivesse enganada no meu diagnóstico.
Encaminhei-me para a estação de comboio para o ir buscar. Eu tremia muito, tanto interior como exteriormente. Estava eu envolta nos meus pensamentos quando o apito do comboio me fez estremecer sacudindo o meu corpo como uma vara bamboleando ao vento. Olhei o relógio e eram 09h10m29s. Vinha um pouco atrasado. Esperei uns escassos minutos e vi-o a descer as escadas. Tinha um porte majestoso e parecia muito seguro de si. Sorria e acenava-me efusivamente. Chegou junto de mim e entrelaçou-me nos seus braços fortes, num abraço firme e sentido, pensei eu. A sua boca procurou a minha com tanta brusquidão que me esmagou contra ele. Beijou-me com ênfase e com sede de ser beijado.
No decorrer do caminho, as suas mãos passeavam pelo meu corpo como uma lagarta percorre a couve à procura da parte mais tenra. Estava sôfrego e dizia que o caminho lhe parecia muito longo.
Quando chegámos a minha casa e fechei a porta, ele começou logo a despir a minha roupa que foi ficando aqui e ali. Eu tinha deixado o aquecimento ligado e ele disse que estava muito agradável. Ora se despia a si, ora me despia a mim até ficarmos desnudados. Atirou-me para cima da cama e aí foi o começo de uma loucura que me fez esquecer quem eu era e o que estava a fazer erradamente. Foi uma manhã cheia de volúpia que durou até quase às treze horas.
 Fomos tomar banho juntos e fez-me feliz mais uma vez. Não se cansava de me acariciar e eu não consegui resistir a mais um orgasmo. Ele era maravilhoso naquilo que melhor sabia fazer. E era assim que ele cativava as mulheres. Depois vinha a parte mais amarga. Pagávamo-la com bastante amargura. Mas antes levava tudo o que tínhamos e não tínhamos. Até pedi dinheiro emprestado para lhe dar. A minha conta era conjunta com a do meu marido.
Fomos almoçar ao Chinês. Ele dizia que adorava a comida. Eu comi shop, shop de galinha e ele comeu pato à Pequim. Comemos crepes e outras iguarias.
Quando a empregada lhe entregou a conta, ele empurrou-a para o meu lado. Tudo me caiu. Senti-me atraiçoada e indignada, mas paguei com um sorriso amarelo.
O resto da tarde foi passado com muitos miminhos e carícias. Dizia-me sempre para lhe fazer o que me apetecesse para ficar saciada e feliz. No sofá, ainda me fez subir às nuvens. Ele tinha essa particularidade muito apurada e de saber sabido de quem já tinha uma larga experiência. Cheguei a questioná-lo nesse sentido, mas ele era perentório e dizia que era a primeira vez que estava com outra mulher sem ser com a sua. Eu ficava a pensar nisso, mas não me debruçava muito sobre o assunto para não me arrepender do que estava a fazer.
A hora da despedida chegou e foi com tristeza que nos despedimos, mas ele afirmou que na próxima quarta-feira estaríamos, novamente, juntos. Para despedida, levou-me, de novo, ao êxtase. Ele sabia os meus  pontos erógenos e assim que os tocava, eu não conseguia parar.
Viu subir as escadas e fiquei triste, mas muito satisfeita com a sua prestação.
 Voltei para casa e à noite ainda falámos no MSN.
 
 
 
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Terça, 14 de Dezembro de 2004
 
 
Pouco passava das nove da manhã quando fui acordada pelo estridente tocar do telefone. Era o Pedro- pensei. Não me enganei.
 
09h02m35s
 
- Estou sim, por favor?
- Bom dia para quem é a minha amada. Dormiste bem? Eu dormi e sonhei contigo. Fui a correr para a casa de banho..
- Porquê? ( perguntei eu na minha inocência. )
- És mesmo parvinha. não se está mesmo a ver o porquê? Sonhei contigo e, olha, pronto.
- Deixa-me rir- e esbocei um sorriso parvo.
- São coisas que acontecem. Contigo não?
- Não. Claro que já me aconteceu sonhar contigo e disse o teu nome, mas quando o meu marido me questionou, eu disse que estava a sonhar com uma pedra muito grande.
- Tem cuidado. Não vá ele tirar conclusões..
- Não. Ele dorme que nem uma pedra.
- Logo posso telefonar?
- Não. Hoje é dia da Glorinha.
- Amanhã vais-me buscar ao comboio? Estou ansioso. Tu não?
- Estou, mas sei esperar...
- Claro. Já me tinha esquecido da tua calma.
- Não vale antecipar com sofrimento ou ansiedade.
- Mas vais ao MSN? É para adormecer melhor.
- Vamos ver se posso. Ele precisa do computador.
- Ok! Logo se vê. Eu espero. E agora vou embora para Santa Apolónia. Beijinhos molhados, meigos, doces e loucos.
- Bjs doces.
 
12h01m46s
 
< Bom almoço Amor. Bjs para tua sobremesa. >
 
 
17h23m56s
 
< Vou sair agora. Amanhã vamos estar juntos. Bjs molhados. >
 
22h09m10s
 
< Vou dormir. Não aparecestes. Dorme bem. Até amanhã. Bjs doces. >
 
 
 
 
 


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Entendimento!

Segunda, 13 de Dezembro de 2004
 
Uma parte da piscina do hotel Horta em Alvito.
 
O meu diário, já velhinho, ainda me é muito útil para escrever as coisas que eu e o Pedro fomos dizendo ao longo da nossa relação. Foi uma relação boa até ao momento em que ele levou de mim tudo o que queria. Era tão meigo que eu pensava ser por mim, mas era, simplesmente, para atingir os seus objetivos. logo pela manhã, bem fria, telefonou-me como se nada se tivesse passado.
 
 
9h27m19s
 
 
- Estou sim, faz favor?
- Bom dia, bom dia meu Amor querido. Já tinha saudades de te ouvir. Como está a minha doce amada?
- Ena! Estás muito bem disposto. Anda passarinho novo no ar?
- Não. Apenas estou feliz em pensar que só dois dias nos separam da nossa loucura. Estou com sede. Nunca mais bebi nada. E tu nem preciso perguntar, né?
- Beber, beber ainda não bebi nada hoje. Nem sequer a água do banho.
- Não falo dessa bebida, percebes?
- Sim, eu sei. Mas será que não bebeste nada nestas três semanas? A tua mulher não te espicaça? Não te faz ter a líbido alterada?
- Não. Estou sempre cansado e ela também. Diz que está doente...
- Doente? ( interrompi eu admirada.)
- Sim. Diz que anda com uma infecção não sei das quantas.
- Hum! Será? Devo acreditar?
- Claro. Nunca te menti.
- Não sei se acredite.
-É verdade. Já não me dá vontade de fazer nada com ela porque penso em ti.
- Ok! Eu acredito.
- Então como está a tua mãe? ( Era a primeira vez que me perguntava por ela depois da nossa discussão. )
- ( Fiquei perplexa e calada durante uns segundos. ) Respondi: A minha mãe está pior, segundo me diz a minha irmã.
- Lamento por ti.
- Pois! Já não há nada a fazer. Cada dia pior segundo os médicos daqui e de P**********.
- Já tens o ar condicionado montado?
- Já. Acabaram na quarta-feira passada.
- Vamos ficar quentinhos e muito agarradinhos. Hum... Que saudades! Já estou a ficar em pé.
- Não sejas grosseiro.
- Tu é que levastes para outro lado. Já estou em pé porque vou trabalhar para a linha de Cascais.
- Engraçadinho!!!
-É verdade. Tenho ali os homens  à minha espera. Beijinhos nesses lábios vermelhinhos. Hum.. tão gostosos...
- Está bem. Beijinhos e até logo.
 
 
12h30m45s
 
< Amor já almoçastes? Só agora acabámos aquele serviço. Vamos ficar da parte da tarde. Bjs para a tua sobremesa. >
 
 
18h34m21s
 
< Já não te pode telefonar. Vou pa casa. Logo vai ao MSN. Bjs loucos e molhados. >
 
22h01m49s
 
< Voltámos ao antigamente. Dorme bem. Estou feliz. Sonha comigo. Bjs de sonho. >
 
 
 
 


domingo, 13 de setembro de 2015

Responde!

Domingo, 12 de Dezembro de 2004
 
 
Pela manhã recebi esta mensagem via telemóvel.
 
 
09h10m27s
 
 
< Bom dia. Dormi mal. Não sei o que se passa. Responde. Amo-te. Bjs doces. >
 
 
Não respondi. Estava a tomar o pequeno almoço e o meu marido disse que a mensagem deveria ser muito importante, visto ter ficado tão séria. ( Posso saber o que é? ) perguntou-me do nada. Fiquei sem saber o que dizer, mas respondi que era da nossa filha a perguntar como tinha corrido o casamento.
 
 
12h30m10s
 
 
< Ao menos responde. Estou triste. O que se passa? Bjs dos nossos. >
 
13h08m38s
 
< Vês? assim já sei que tens vizitas. Hoje não podes vir ao MSN? Bjs doces. >
 
 
18h29m01s
 
< Logo vem ao MSN. Tenho saudades tuas. Bjs molhados. >
 
 
22h10m08s
 
< Hoje não estavas faladora. Dorme bem Amor. Bjs dos nossos. > 

sábado, 12 de setembro de 2015

Casamento!

Sábado 11 de Dezembro de 2004
 
Eu tinha o casamento neste dia na minha terra, mas não o referenciei ao Pedro. Ele também já não se recordava. Estava muito sentida com ele e não me apetecia partilhar com ele o que quer que fosse. Nem tinha o direito de saber todos os passos que eu dava. Eu também não sabia o que ele fazia. Hoje sei que andava com outras mulheres, mas na altura pensava que era só meu. Acreditei que fora a sua primeira aventura extra conjugal. Mas já tinha tido muitas e continuava a ter. Eu, pelo meu lado, foi o primeiro e último homem com quem me cruzei, além do meu marido. Contudo, digo que foi um  " pular a cerca ", como ele o referenciava, muito amargo para mim. Revelou-se num biltre sem paralelo.
Estava eu já no  Alentejo quando recebi esta mensagem.
 
9h10m20s
 
< Bom dia meu Amor. Já dormistes bem? Vou às compras ao Feira Nova. Bjs dos nossos. >
 
Não respondi. Já estava a vestir-me para ir para casa da noiva. O casamento era às 11h  da manhã.
 
12h35m01s
 
< Não respondestes ( falava sempre no plural neste tempo do verbo ). Ainda estás a dormir? Bjs loucos. >
 
15h34m21s
 
< Podes vir ao MSN? Quero falar contigo. Bjs doces. >
 
17h23m45s
 
< Agora os outros estão primeiro. Qd podes falar comigo? Adoro-te sabia? Bjs >
 
21h56m34s
 
< Dorme bem e qd poderes diz alguma coisa. Estou a ficar preocupado. Bjs molhados. >
 
Não soube que eu estava no Alentejo e nunca lho mencionei. Só vim Domingo para cima. Ainda estava muito sentida com a sua insensibilidade. Nem perguntava pela minha mãe.