segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Falou na ajuda!

Sábado, 9 de Abril de 2005

Uma foto do Ex-Feira Nova, agora Pingo Doce. Era aqui que o Fernando Pedro fazia as compras no Sábado, não esquecendo o Lidl. Parece que a filha mais velha do Pedro trabalha aqui, segundo me disse a tal Florbela Pereira. A tal que me disse que pertencia ao movimento de defesa das mulheres maltratadas e ultrajadas pelos homens como o Pedro. Que é feito de si, menina Florbela? Teve medo do quê? O Fernando Pedro soube quem era? Ou assim que eu lhe disse que se fosse com o caso para a frente que tinha essas mulheres todas que me contou a apoiarem-na? Bem qualquer coisa foi. Pois por último até já enviava mails com protecção. Eu não sou o Pedro e não sei como se vê o IP de um computador.
Assim como o Fernando CM também desapareceu. Tinhas receio do quê, Fernando Pedro? Eu não te faço mal como tu me fizeste. Eu só escrevo o que, realmente, se passou. Tu, pelo contrário, só dizias e escrevias mentiras.

Neste dia recordou-me que fazia 14 dias que tinha tido o acidente e que andava muito baralhado. Tinha sido no dia de Páscoa, mas isso passou-me ao lado. Há outra coisa que me tem feito mal. Não percebo como foi trabalhar na Sexta-Feira Santa. Telefonou-me e tudo, mas ele era um autêntico mentiroso. Agora que falo nisso, na altura, fiquei intrigada. Porém, dei graças a Deus por meu marido ter ido trabalhar para casa da minha sogra, mas não lhe fiz nenhum reparo. Ele apenas apareceu e eu atendi.Eu já sabia com quem estava a lidar, mas o certo é que tenho registado no meu diário isso. Com este biltre, todo o cuidado é pouco. Bem me disse a menina Florbela " Talvez não o conheça tão bem como eu o conheço" . Ela é que tem razão. Há coisas que vou redescobrindo agora que faço uma retrospectiva do que se passou e daquilo que tenho registado desde essa altura. Entretanto, eu descobrira o que ele me queria e tinha engendrado uma maneira de me safar. Só que cai e cai de vez.

10h43m21s

< Meu Amor ando no Feira Nova. É aqui que fica o meu dinheiro. Amanhã faz 15 dias que tive o acidente. Ando baralhado. Só tu me podes safar. Bjs só nossos. >

14h45m12s

< Meu Amor vai ao msn para falarmos um cadinho. Bjs >

Não fui. Não queria falar com ele. Não queria saber como eu é que o safava. Eu já imaginava o que ele me queria, mas eu também já tinha uma desculpa e pareceu-me credível.

18h21m18s

< Tenho estado há tua espera. Aparece sff. >

Eram quase horas do meu marido chegar, mas fui num pulinho e disse que não podia ficar muito tempo. Então falou-me que ia mandar arranjar o carro na oficina onde trabalhava o  namorado da filha mais velha. Perguntou se eu achava bem. Eu respondi que não tinha nada a ver com o caso e ele é que sabia se tinha dinheiro para o mandar arranjar. Disse-me que logo se via e se eu o ajudava, caso precisasse. Respondi que tinha dado dinheiro à minha filha e não sabia o que tinha no BES. Depois disse que andava desconfiada que o meu marido andava metido num esquema de jogo com oficiais conhecidos dele. ( Foi a maneira que arranjei para não lhe dar dinheiro. ) Neste dia já não me enviou mais nada. Pensei que tinha ficado zangado.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Contas bancárias!

Sexta, 8 de Abril de 2005

E afinal estava pronta para outra. Já me encontrava bem. A maleita tinha passado e estava com uma vontade louca de estar com o Pedro. Tinha muito receio. Não sabia o que ele me iria dizer a respeito de eu ser " a sua estabilidade". Já calculava, mas não queria aceitar. Porém, pensei em algo que bem poderia ser verídico e muito constrangedor para mim. A minha defesa estava lançada, mas não resultou, de todo. Neste dia voltou à carga, mas não disse o que queria.
Como sempre, o telefone começou a tocar quando eu me encaminhava para a salle de bain. Ia tomar o meu duche matinal. Recuei e atendi. Eram 09h12m01s.

- Estou sim, por favor?
- Bom dia minha amada.
- Bom dia. Mas que grande entrada...
- Amo-te. Tu sabes disso. E tu também me amas?
- Sim, muito. Porquê?
- A pontos de fazeres o que te pedisse?
- Como assim? O que me queres pedir? Já andas há uns dias nisto. Desembucha..
- Ainda não sei, mas farias qualquer coisa para me ajudares?
- Qualquer coisa, não sei, mas ajudava se me fosse possível. 
- Só queria saber.
- Andas muito enigmático nestes últimos dias. Não gosto disso. Já pareces o meu marido. Ontem pediu-me que assinasse um papel para enviar para a minha filha. ( Lancei o isco. Mordeu, mas não resultou. ) Parece que enquanto estive doente, ela precisou de dinheiro e eu não estava em condições. Foi ele a tratar disso.
- Mas têm contas conjuntas?
- Temos. Qualquer casal tem. Tu não?
- Tenho, mas quem trata de tudo, sou eu. E não tens outra conta? Sozinha?
- Tenho uma no BES, mas tenho pouco dinheiro. É um mealheiro que faço. Porquê? ( Logo no segundo a seguir, senti-me estúpida. Por um lado estava a dizer que o meu marido me tinha pedido que assinasse um papel e no outro estava a dizer que tinha uma conta só minha. Foi mesmo estupidez, mas já estava. )
- Nada... Era só para saber...Como me compraste a prenda de anos...
- Hum! Isso não me soa bem. Que queres, ao certo? A prenda foi da conta do BES.
- Nada. Olha, se já estás melhor, queres vir almoçar comigo hoje?
- Hoje, não, mas Segunda pode ser?
- Então vamos estar juntos. Vens ter ao Centro, como de costume?
- Pode  ser. 
- O dia até me vai correr melhor. Estás bem e vamos estar juntos. Já tenho saudades tuas. Tantas que nem fazes ideia!
- Se forem como as minhas, faço ideia, sim senhor.
- Logo posso telefonar? A tua empregada está aí?
- Sai às cinco da tarde.
- Então, até logo. Beijinhos nesses lábios vermelhinhos. Hum! Tão bom... Até me estou a...
- Vá não digas asneiras. Ainda sou pequenina.
- Vê-se. Tão pequena que anda a sair com um gajo qualquer...
- Não sejas ordinário. Não gosto quando tu tocas na ferida que tenho por fazer isso.
- Pronto, minha linda, já cá não está quem falou.
- Porquê? Foi-se embora?
- Vai agora. Beijokinhas doces.
- Beijinhos

Passei o dia a pensar no que tinha dito. Se calhar não resultaria, mas a tentativa tinha sido boa.
Pelas 17h21m13s o telefone começou a tocar. Só poderia ser ele. Fui atender.

- Estou sim, faz favor?
- A tua voz enlouquece-me. És tão meiga que fico todo arrepiado.
- E lá vens tu com os teus arrepios. Não sei se me convences.
- Claro que convenço. É verdade. Olha, é  pena não poderes passar com a tua mão para veres.
- Ver ou sentir? É uma grande diferença...
- Lá vem a Senhora Professora a fazer-me sentir mal.
- Não digas isso. Não me faças sentir mal a mim, também.
- Então não és Professora!? Serás sempre. Isso ninguém to tira.
- Sim. Estás bem disposto. Deve-se a alguma coisa?
- Não. Ou talvez sim. Tu estás melhor e isso tem muito que se lhe diga.
- Pois, tem. Estou melhor. Estou outra.
- Podes ir ao msn?
- Não. O meu marido vai achar estranho.
- Bem, vou embora. Vais pensar em mim?
- Claro que sim.
- Nem tenho vontade de chegar a casa.
- Mas ela não está a trabalhar?
- Está, mas vem pra casa, né?
- Pois. E ainda bem. Ficavas viúvo. 
- Quem me dera!!!
- Não digas isso. Ela é a mãe das tuas filhas.
- Da Raq****. Já trazia a outra.
- Mas és pai. Não lhe deste o teu nome?
- Dei e gosto muito dela. Foi por ela que eu fiquei com a Z****.
- Tudo tem um princípio.
- Mas agora vamos ter o fim da nossa converseta. Vou embora fazer o jantar.
- Beijinhos e até amanhã. 
- Beijinhos minha doce Cet******. Fica bem...

Neste dia já não nos comunicámos. Mas eu fiquei a pensar na conversa das contas bancárias.


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

És a minha estabilidade!

Quinta, 7 de Abril de 2005

Uma foto do coreto de Alvito. Esta foto foi muito bem concebida. Ao fundo vê-se a pousada que fica inserida no Castelo da vila. Tem esmerado serviço. Adorei quando lá estive. Foi na ocasião da feira de Agosto. Não fui lá por ser a terra do Pedro, mas porque quis uma estadia para repousar de um período nefasto da minha vida. Enfim, o mau tempo no canal já passou e hoje respiro de alívio por me ter visto longe deste sociopata e bipolar.
Escrevo, de facto, para muitas mulheres terem acesso e verem quem é quem para não se deixarem manipular por ele.

Seguindo a minha linha e sequência dos factos, aqui me encontro para relatar mais um dia de sobressalto. Um dia em que tive que repensar a minha vida e saber como sair de uma situação que apenas ficou adiada até Maio.
Já me encontrava melhor. A Glorinha só vinha da parte da tarde e eu já me levantava e fazia pouco mais que nada, mas dava para me sentir  útil e positiva.
Ainda estava deitada quando o telefone começou a tocar. Senti um aperto no coração e saltei de susto sem saber o que o Pedro ia dizer neste dia. Era como se do outro lado do fio estivesse o papão. Senti-me qual criança sem amparo e conforto. Atendi com a angústia estampada no meu rosto. Era o cadafalso que eu não queria percorrer. Foram dias de desespero e reflexão. Porém, tinha que cair no conto do vigário.
Olhei o relógio e marcava 08h19m43s. Já estava no meu melhor. Já me preocupava com estes pormenores. 

- Estou sim, faz favor?
- Bem, hoje já gosto de te ouvir...
- Porquê? Não gostavas?
- Da forma como estavas, não. Estava muitooo preocupado contigo. Nem conseguia dormir.
- A sério? Estiveste mesmo preocupado? É que no princípio, não.
- As desculpas não se pedem, evitam-se, mas tenho que te pedir desculpas. Eu estava desesperado e depois faltaste-me tu.
- Temos que falar a sério sobre esse "desespero". Anda-me a atrofiar o não saber o que queres ao certo.
- Quando é que podes vir almoçar comigo?
- Assim que tiver forças suficientes. Acredita que vou ter contigo e quero saber tudo tim-tim por tim-tim".
- E eu vou falar " tim-tim por tim-tim " para esclarecer as coisas. Preciso de ti.
- Isso já eu entendi, mas não sei para quê.
- O importante é que melhores. Isso é bom.
- De facto. Ninguém fica doente porque quer, não?
- Pois! A tua carga é muito grande. A tua mãe onde está?
- Na minha irmã, em Sintra. E vai ficar lá por alguns meses. Entre ela e a da terra, vão ter que ficar com ela até o médico dizer que eu posso.
- Sabes, ando estafado. Ontem fiz o jantar. Ela está a trabalhar de noite e as miúdas não fazem nada.
- Não? Porquê?
- Não sabem. Ela nunca as ensinou. Olha uma via desenhos animados e a mais velha estava no mensager.
- Mas isso é um absurdo! Uma tem quase 16 anos e a outra fez 25. Isso não cabe na cabeça de ninguém. Eu ensinei a minha filha a cozinhar e a limpar a casa. Hoje já não fico preocupada com isso. Ela sabe e quando vou à Alemanha, já faz pratos típicos alemães.
- Isso faz quem tem juízo. a Z**** não tem e não faz uso dele. Fiz carne com migas.
- Um prato alentejano.
- Um dia cozinho só para nós quando nos casarmos.
- Vá, não descambes. Isso é uma utopia. Nunca vai acontecer.
- Não digas " NUNCA ". Um dia estamos a casar. Agora quero mais que nunca casar contigo.
- Mais que nunca? Mas porquê?
- Preciso de ti e só tu me podes dar estabilidade.
- Não, Pedro. Eu não quero casar contigo e não vamos falar mais sobre isso.
- Fico triste, mas não desisto. Não sou homem que desiste sem ter alcançado o que quer.
- Hoje não trabalhas?
- Estás a despachar-me?
- Não. Só quero descansar mais um bocadinho. Pode ser?
- Ok! Eu vou para a linha de Sintra. Já não volto aqui. Se puder, ainda te telefono.
- Bom trabalho. Beijinhos doces de mel.
- Beijinhos onde e como quiseres. Ficava bem deitado contigo. Hum! Que bom...Fica bem.


 A minha cabeça começou a imaginar e a pensar uma forma de não cair nas malhas do Pedro. Era primordial arranjar um plano que fosse viável para a situação. E arranjei. Só que cai e sem pensar, depois, no mês de Maio.
Como já não pôde entrar em contacto comigo, enviou-me a seguinte mensagem no PC. 

18h32m19s

< Meu amor de ontem de hoje e de amanhã já não pode ( deveria escrever-se "pude" e não pode ) falar contigo. O trabalho durou até agora. Tenho saudades de estar contigo. Amo-te muito e nem sei viver sem ti. És para mim a minha Shakti a princesa que faz, parte dos meus sonhos e da minha vida. Sempre serás minha porque eu não te quero perder. Estaremos sempre juntos, e nada nos separará. És a minha estabilidade em todos os aspectos. Contigo sei o que é ser feliz. Até te conhecer eu não sabia o que era viver. Amo-te meu Amorzinho. Hoje vai ao msn para falarmos um cadinho. Beijo-te com loucura amor e ternura. Adoro-te sabias? Se tu quizeres ( deveria escrever-se " quiseres" ) seremos sempre felizes. Eu quero... >

Não fui ao msn. Enviei uma  mensagem, via telemóvel, a dizer que não podia ir e recebi uma de volta.

21h11m10s

< Espero que estejas acordada. Dorme bem. Boa noite. Amo-te mais que tudo. Sinto a tua falta. Beijokas doces. >

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Começo da minha desgraça!

Quarta, 6 de Abril de 2005

Estive nesta capela já depois de ter acabado com o Pedro. É linda! Recomendo uma visita. Há muito para ver nesta linda vila alentejana onde nasceu o Fernando Pedro Cacha** Marques.
E já agora pergunto onde anda a menina Florbela Pereira (anocas****@gmail.com) que nunca mais deu mostra da sua graça. Bem sei que o nome é fictício, mas não deixa de ser um nome muito bonito. Não tenho culpa que também tenha sido vítima do Pedro. Foram e estão sendo muitas as mulheres que ele ultrajou, roubou e abandonou quando já não tinham mais dinheiro para sustentarem os seus luxos como um dia disse o Manuel Lisboa numa contenda com o Pedro na google +. Este Manuel Lisboa até disse que tinha feito sexo com a ****** do Pedro e com a sua amante mais temporal, a nossa Maria Arm****** Mar****** que, por sinal, é advogada e a quem ele chama NIA. Realmente é muito bonita, divorciada e com uma boa conta bancária, segundo eu penso, porque senão já não andaria com ela. Sei que se encontram em Coimbra e, muitas vezes, o leva para Braga, Viana do Castelo e outras paragens. Mas não estou aqui para falar da vida das outras mulheres. Não me afectam em nada. E nada tenho contra elas. Apenas tenho uma comiseração tremenda por caírem nas mentiras que ele canta em seu proveito, fazendo cair as mais incautas, assim como eu.

E cá venho eu a falar de mais um dia em que tive o Pedro agarrado a mim para comprar um carro novo ou ter dinheiro para  os seus luxos. Eu, sinceramente, não dava por nada, mas tive um lampejo de luz que me fez andar por outros caminhos.
Já me encontrava melhor. A Glorinha só já veio pela tarde.
Estava a tomar uma medicação muito forte, mas lá tive que atender o telefone fixo que não deixava de tocar. A hora não a sei especificar, mas recordo cada palavra dita como se fosse hoje. Acho que despertei com este telefonema e que vivi uma ansiedade maior que a depressão.

- Estou sim?
- Então não estás melhor? Preciso muito de ti.
- Estou melhor, obrigada. Diz lá porque "precisas de mim". É que não paras de dizer isso!
- Como sabes tive o acidente e o carro está na merda. Eu não tenho dinheiro.
- Sim. E...
- Preciso da tua ajuda.
- Como assim?!
- Não tenho dinheiro.
- E estás a pedir-me?
- Sei lá! É mais um desabafo. Não ligues.
- Fico assustada. É muito?
- Deixa lá. Não penses nisso, agora. Põe-te boa e depois falamos. Já te levantas?
- Já, mas a medicação faz-me muito sono. Só que agora fiquei com um aperto no coração.
- Porquê? Faço-te teres apertos no coração?
- Não sei. Deixa para lá...
- Sabes que te amo muito?
- Mais ou menos.
- Mais ou menos? Então não tenho dado provas disso? Ainda tens dúvidas?
- Não.
- Um "não" muito forçado.
- Não foi nada. E não tenho dúvidas nenhumas.
- Logo já podes ir ao msn?
- Não. O meu marido ia notar e eu não quero. Talvez amanhã.
- E hoje posso telefonar?
- A Glorinha só se vai embora quando o meu marido chegar.
- Então... Hoje já não te oiço. Nem calculas como tenho andado por saber que estás doente... Acredita que é verdade. Nem tenho dormido.
- Começa a dormir porque eu já estou melhor.
- Bem, vou-te deixar descansar. Beijinhos doces, meigos, loucos. Hum! Que  saudades! Como me enroscava bem agora aí contigo.
- Não divagues e trabalha. Beijinhos doces.
- Beijinhos meu amor de ontem, de hoje e de amanhã. Fica bem.

Quando pousei o auscultador, o meu coração começou a bater tão depressa que pensei que ia saltar da caixa torácica. Tive um lampejo de luz e pensei que se ele me pedisse muito dinheiro que eu iria arranjar uma desculpa qualquer. Fiquei acordada e a remoer no assunto. Tremia de medo e de vergonha. Não sabia como reagir à conversa que tinha acabado de ter com o Pedro e, também, não sabia o que ele me iria pedir. Aqui começou a minha descida no degrau da desgraça.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Já acredito!

Terça, 5 de Abril de 2005

Na véspera tinha ido ao Dr. Piment*** e ele deu-me logo uma injecção para acalmar o meu estado de espírito. Estava toda confusa e os neurónios não funcionavam. Confundia tudo. O dia com a noite; o meu nome com o nome da minha filha; a minha morada daqui com a morada de Vila*****ra e de A********** e por aí adiante. Nada do que eu dizia, batia certo. Não me tinha em pé e o pouco que conseguia andar era em ziguezague. 
Estive deitada numa maca durante duas horas para que o médico me pudesse fazer uma consulta. Isto foi-me contado pelo meu marido depois quando eu já estava a melhorar. Daí que haja uma falha nas horas dos telefonemas do Pedro. Não me recordo e não as consegui transcrever para o meu diário.
A Glorinha voltou a estar comigo. Mas enquanto o meu marido a foi buscar, o Pedro telefonou-me. Foi com grande sacrifício que atendi. Não tinha força no braço para apanhar o auscultador e muito menos paciência para ouvir quem quer que fosse. Já nem me recordava dele. Foi com grande esforço que lhe reconheci a voz.

- Estou sim?
- Ainda estás doente? ( Fiquei calada. Não sabia quem estava do outro lado.)
- Estás aí? Sou eu.
- Sim. A Glorinha deve estar a chegar.
- Ontem foi ela que atendeu.
- Esteve todo o dia comigo, mas eu pouco me recordo.
- Já foste ao médico?
- Já.
- E o que disse ele?
- Estou com uma depressão acentuada.
- Deu-te medicação?
- Deu. Desculpa, mas não estou muito bem.
- Posso telefonar hoje? Preciso muito de ti.
- A Glorinha está comigo até o meu marido vir.
- As melhoras. Beijinhos de mel. E vê lá se te curas que eu preciso de ti.
- Obrigada. Já disseste isso. Beijinhos.

Depois de desligar, pensei que não lhe tinha perguntado se já acreditava que eu estava doente. Mas já tinha passado. Então olhei para o telemóvel e enviei uma mensagem a dizer isso mesmo. A resposta vinha seca e lacónica: - Já acredito.
Eram, precisamente, 08h20m17s. Mais nada e mais nada disse nesse dia. O registo do telemóvel ficou para eu poder tirar a mensagem e saber o que me dizia. 

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Não acreditou!

Segunda, 4 de Abril de 2005

Eu continuava doente. Meu marido não podia ficar comigo. Estava a dar um curso e não tinha ninguém que o substituísse. Então, levantou-se mais cedo e, depois de ter tomado as precauções necessárias, foi buscar a Glorinha para ficar comigo.
Neste interim, o Pedro telefonou. Não sei as horas porque estava mesmo mal e não olhei o relógio. 

- Estou sim? ( Não fiz a minha apresentação habitual. Nem me apetecia falar. )
- Ena, hoje recebes-me assim?
- Desculpa, mas estou muito doente. 
- A sério? Nem se nota. Ou não queres falar? É que eu preciso muito de ti.
- Meu marido foi buscar a Glorinha para ficar comigo.
- Ele não pode?
- Não. Está a dar um curso e não tem quem o substitua.
- Que coisa mais bem montada...
- Não acreditas?
- Para ser sincero, não.
- Fica com aquilo que quiseres, mas eu estou doente e vou desligar porque não sou capaz de falar mais.
- Até parece... Quem te ouvir e não te conhecer, até acredita...
- Desculpa, Pedro, mas vou desligar.
- Ok. Fica bem. E vai contar isso a outro. Beijos.
- Beijos. 

Estava exausta por ter falado. Sentia a cama a rodopiar e o chão tremia fazendo-me entrar num buraco como se fosse engolida por um tubarão.
Meu marido ainda subiu  para ver como eu estava e para se despedir. A Glorinha sentou-se na cama e ali ficou. Não dei por se ter passado mais nada. Sei que bebi um sumo e não consegui comer.
Ouvi o telefone fixo várias vezes, mas eu não conseguia atender. Sentia-me noutra galáxia. Era como se tivesse entrado num sonho e não conseguisse sair dele. Era um mundo que eu não conseguia descortinar. Não conhecia nada por onde passava e era tudo tão desconcertante que me deixava enlouquecer assoberbada por coisas tão diferentes daquelas a que estava habituada que me deixei levar por esse mundo de fantasia que eu imaginei. Soube depois que alguém telefonou e a Glorinha perguntava quem era, mas não obtinha resposta. Quanto ao meu marido telefonou várias vezes para saber como me encontrava. Apareceu mais cedo e levou-me ao Dr. Piment***. Ele foi a minha tábua de salvação.
Quanto ao Pedro, ficou calado depois de ouvir a Glorinha a atender.
Recordo que andei por atalhos desconhecidos e desconexos sem saber se caminhava para bom porto. 



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Comprar um Mercedes novo

Domingo, 3 de Abril de 2005

Estive no Algarve, em Vilamoura, a passar estes dias. Foi toda a família e chegámos ontem.
Hoje ainda não me apetecia escrever fosse o que fosse. Já tinha esquecido que estive ligada ao Pedro. As minhas netas fazem-me renascer das cinzas e ser uma outra pessoa. Mas quando chego a casa e mexo no pc, as memórias voltam e o desejo de continuar a escrever desabrocha em mim e eis que aqui me encontro para mais uma avalanche de acontecimentos da altura. Tudo o que escrevo se resume ao que escrevi na altura no meu diário e que tenho tudo compilado para não esquecer pitada.

Este Domingo foi muito atribulado. A Glorinha não pode vir para me ajudar a cuidar da minha mãe. O meu marido foi incansável. O médico da véspera tinha deixado claro que eu precisava de muito repouso e as minhas irmãs não queriam cuidar da minha mãe.
Meu marido encheu-se de coragem e telefonou para a minha irmã mais nova para dizer o que se estava a passar e disse que ia levar-lhe a minha mãe para ela cuidar dela até eu melhorar ou ia metê-la na Clínica Sampaio.
A minha irmã veio a minha casa para ver se era verdade e viu-me prostrada e sem brilho nos olhos. Não tinha acreditado no meu marido.
Consciente do meu estado de saúde, lá levou a minha mãe, mas disse que era até eu melhorar. A minha mãe já dava muito trabalho e tinha que ser repartido. Eu nem me apercebi disso. E este Domingo ficou marcado por uma mensagem do Pedro, via pc que dizia o seguinte:

14h23m10s

< Boa tarde: Ainda estás doente ou estás a passar-me a perna? Agora preciso muito de ti. O Meu carro já não vai ser arranjado. Pensei em ir a Alemanha comprar um Mercedes novo e enviá-lo por um camião TIR. Tu vais comigo e passamos lá o resto da semana. Conheces bem a Alemanha por ires visitar a tua filha e podes arranjar um hotel onde ficarmos. Também me desenrascas na língua. Pensa nisso e responde. Fico à tua espera. Bjs só nossos onde e como quiseres. >

Não foi neste dia que vi a mensagem e não lhe respondi. Eu estava mesmo muito doente. Pôs o telemóvel no privado e telefonou. Para surpresa dele, atendeu o meu marido. Depois disse que era engano e que queria ligar para a farmácia. O meu marido respondeu que não havia farmácia nenhuma, mas que precisava de uma visto a esposa estar tão doente. Ele acreditou, enfim, que eu estava muito doente e deixou de me contactar nesse dia.
O Pedro foi muito inconstante com o arranjo do carro e arranjou artimanhas de toda a espécie para dar o golpe do baú.