sábado, 9 de abril de 2016

O seu Mimo tinha defeitos!

               Sábado, 23 de Abril de 2005


Este grupo de cantares populares é de Alvito.  Fernando Pedro adora este grupo. Andava sempre a cantar " Ó Laurindinha". Eu tenho um CD deste grupo que ele me deu. Com o dinheiro que me sacou, dava para comprar muitos CDs.

Era Sábado e só podíamos comunicar através de mensagens, via telemóvel. A primeira mensagem do dia rezava assim:

10h29m49s

< Bom dia Amor. Embora já tenha o carro, estou como o dia: triste e cinzento. O carro não ficou bem a meu gosto. Bjs doces com muita saudade de ti. ADORO-TE muito. >

Eu enviei outra a perguntar o que tinha o seu Mimo. Ele respondeu

11h47m55s

< AMOR o carro ficou com defeito. Agora tenho que o levar a um bate chapa para afinar as peças q levou novas pq está feio assim. De resto estou contente. Bjs doces. >

Aqui deixou cair a farsa. O bate chapa não afina peças. E foi isso que eu lhe disse em resposta. Ele, porém, ripostou:

11h58m02s

< As peças novas estão com muita folga. Bate chapa tb afina isso. É tudo ext sim por isso é que fica feio ao olhar, mas de resto está bem. Beijoca grande. >

Eu não estava conformada. Ele estava a mentir. Perguntei ao meu marido e também me respondeu que o bate chapa não afina peças. Depois perguntei ao Sr. Manuel, que nos arranjava os carros, se era verdade. Ele respondeu que o bate chapa só bate chapa. Aí fiquei mais segura. Ele mentia.  Mas enviei uma mensagem a dizer que eles tinham que arranjar o que não tinha ficado bem. Respondeu o seguinte:

12h24m23s

< Qd puderes telefona para eu explicar pq assim é difícil. Beijocas meu Amor. Não te preocupes mais. >

Eu estava de partida para a Figueira da Foz. Ia lá passar o fim de semana prolongado, mas o meu marido recebeu uma mensagem do primo a relembrar que tinha a festa dos seus 50 anos nessa noite. Era como um irmão para o meu marido. Morreu há dois anos. Foi uma perda muito grande. Estávamos  a seu lado, no hospital, quando ele morreu. Enviei uma mensagem ao Pedro a dizer que íamos para a festa dos anos do Mário. Ele respondeu:

15h43m36s

< AMOR estou mais conformado. Ñ estejas preocupada. Posso telefonar agora? Bjs muitos. >

Claro que não podia telefonar. Eu estava com o meu marido. Pelas 22h12m00s enviou-me o seguinte:

< Também TE AMO MUITO. Dorme bem e sonha comigo. Até amanhã. Bjoca grande.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Já tenho o carro!

                  Sexta, 22 de Abril de 2005


A noite foi reparadora. Quando acordei, estava mais tranquila e já tinha esquecido o sucedido. Fora uma loucura aquilo que tinha feito. Nenhum homem merece que nós tenhamos tal atitude. Muito menos o Fernando Pedro. Ele nem merece que eu esteja a escrever estas linhas. Faço-o pelas mulheres que podem ter acesso ao meu blog. Faço-o para que elas fiquem alertadas com tipos como o Fernando Pedro Cachaç**** Marques. Minhas amigas passem palavra e leiam aquilo que eu passei com ele. Não caiam no mesmo buraco que eu. Vós tendes quem as  alerte. Eu não tive e, quando o fizeram, já foi depois de ter dado com a cabeça.
O telefone fixo voltou a tocar. Era ele com a mesma simpatia de sempre. Parecia que eu era o seu sol.

09h10m13s

- Estou sim, por favor?
- Amor mio hoje já gosto de te ouvir. Afinal que foi aquilo ontem? Nem resposta destes às minhas mensagens. Estava a pensar que já te tinha perdido. Não te perdi, pois não?
- Não, não me perdeste. Ontem estava muito cansada e fiquei o dia todo a dormir. Não te preocupes mais. Estou aqui, não estou?
- Amor não foi nada por aquilo de quarta, pois não?
- Não. Esquece esse dia que eu também já esqueci.
- Sabes? Já me dão o carro hoje. Estou desejoso de chegar a casa.
- Não fiques ansioso. O teu carro volta para ti.
- Vamos ver como vou pagar. Ainda não me deram a conta.
- Pagas com dinheiro ou cheque, não é verdade?
- Pois! Logo posso telefonar? Não vá a tua empregada atender...
- Não podes. Ela vai ficar até às 18h.
- Assim que chegar a casa dou-te notícias.
- Está bem. Depois dizes como está o carro...
- Bem, Amor mio, vou trabalhar. Fica bem. Beijocas doces e saudosas.
- Beijinhos.
- Desculpa! Logo vais ao MSN?
- Não sei.
- Ok! Eu espero.

Pelas 19h03m15s enviou-me a seguinte  mensagem:

< Amor estou a dar os últimos retoques no carro. De resto reina a saudade de TE ouvir pelo menos. Bjs doces. Q o tempo passe rápido. >

Não fui ao MSN. E ele já não disse nada. O pior para mim, estava para vir...

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Regresso a casa!

    
Quinta, 21 de Abril de 2005


Estava em casa havia pouco mais de duas horas. Tinha feito uma lavagem estomacal. Eu só deveria estar louca. Estava exausta e só me apetecia dormir. Era como se tivesse morrido. Encontrava-me de vigília no limbo à espera que me recebessem na quarta ou quinta dimensão. Meu marido pediu à Glorinha para vir para meu lado. Pediu, também, que não me deixasse sozinha. Tinha ido buscá-la a casa. Eu dormitava. Sentia dores na garganta e no  estômago. Era onde tinham enfiado a sonda. De repente o telefone começou a tocar. Não me apetecia mexer. Não tinha forças para me movimentar. Não sabia onde estava nem sequer o que ouvia. Com alguma coragem, estendi o braço e apanhei no auscultador. Não sabia as horas e não via o relógio digital que piscava as suas luzes como se me embalasse. Com alguma dificuldade, articulei as palavras mal percebidas.


- Estou sim, por favor?
- Parece que estás no fundo do poço. Que se passa?
- Nada. Apenas estou muito cansada.
- E esse cansaço deve-se a quê?
- Nada de especial. Apenas tenho que descansar. Custa-me falar.
- Nesse caso deixo-te descansar. Até logo. Beijokas que queria dar-te.
- Beijinhos.


Não tive forças para colocar o auscultador no devido sítio. Fiquei prostrada na cama e adormeci de imediato.
O dia não me recordo como passou. Nem sei onde estive, nem o que fiz até tarde. Já o meu marido tinha jantado quando chamei numa vozinha muito sumida. Ainda me doía a garganta e o estômago. Meu marido deu-me um comprimido, levou-me um prato de sopa e esperou, paciente, que eu engolisse, a custo, metade do conteúdo da sopa.
A noite foi reparadora. No dia seguinte dei com as seguintes mensagens:


11h22m19s


< Meu Amor de ontem de hoje e de amanhã o que se passa contigo? responde que estou em pulgas. Beijokas doces. >


17h23m34s


< Telefonei e respondeu a tua empregada. Desliguei. Vai ao MSN para falarmos um cadinho. Bjs de quem te ama. >


21h54m36s


< Não foste ao MSN nem me repondes. Diz o que se passa. Bjs de amor e saudade. Teu Pedro >

terça-feira, 5 de abril de 2016

Um dia para esquecer!

                 Quarta, 20 de Abril de 2005

Em primeiro lugar, quero dizer que estive ausente por que estive no Algarve. Agora vou sair muito. Aproveito a minha neta mais velha ainda não estar na escola do 1º ciclo. A outra está sempre disponível.
Senti a falta de escrever. Porém, não posso levar o meu diário quando saio. É complicado e as minhas netas consomem muito do meu tempo. Fico muito feliz quando estou com elas. Parece que voltei ao meu tempo no ativo.

Mais uma narrativa de um dia que passei com o Fernando Pedro.
Pela manhã, levantei-me cedo e fui para Entrecampos. Tínhamos combinado encontrarmo-nos pelas 11h da manhã. Pelo horário do comboio, eu cheguei um pouco mais cedo. Esperei na saída para a Avenida 5 de Outubro, aquela da qual se vê a Feira Popular, ou pelo menos, se via.
Quando o Fernando Pedro chegou, conduziu-me para o L******. O quarto era muito bonito e tinha muito sol. Tinha uma colcha com fundo azul e rosas amarelas. Os cortinados eram de um branco transparente que ofuscava o nossos olhos com a luz que recebia do sol. Tinha uma cómoda de género antigo. A televisão encontrava-se num mutismo que parecia sepulcral. Todavia, o Pedro canalizou-a para o canal francês com canções da época. Depois foi um delírio. Ele estava interessado em me agradar.
Quando nos encontrávamos já saciados ele meteu conversa comigo. Falou-me que a mulher lhe tinha pedido sexo na noite anterior. Contudo ele perguntou "que é isto? Tenho que me levantar às 6 da manhã para ir trabalhar. Não estou com disposição." Não estava interessado nisso e que ela era apenas a "outra". Se bem que a "outra" era eu. Reparei que deitou pouco esperma e referenciei isso. Ele desculpou-se, mas eu sabia que ele estava a mentir. A vida tem destas coisas. Ele mentia e eu consentia. Calei as minhas suspeitas.
Já na rua, vi outra R************* com aquecimento. Tirei o número de telefone. Se pagava eu, queria estar mais aconchegada no Inverno e fresca no verão. Ele não gostou embora eu lhe tivesse explicado.
Fomos comer à Feira Popular. Nessa altura ainda tinha uns quantos restaurantes a funcionar. Comemos peixe com uma salada e batatas fritas. Eu não comi sobremesa. Encontrava-me num tratamento numa clínica de Lisboa. Na altura de pagar, a conta foi empurrada para o meu lado. Já estava habituada e não ripostei.
Depois levou-me ao comboio e lá dissemos adeus num gesto habitual.
Já em casa enviei um mail ao Pedro a referir o percalço. Ele jurou, por tudo o que era mais sagrado, que não tinha havido nada entre ele e a mulher. Mas eu fiquei com a certeza que ele me estava a mentir. Então bebi uns quantos comprimidos e deitei-me à espera do meu fim com a certeza que terminava o meu tormento.
Só que meu marido chegou a casa e ficou admirado de eu estar deitada. Quis falar comigo, mas eu já não falei com ele. Chamou os bombeiros e levou-me para uma clínica em Lisboa, que estava associada ao seu emprego, para eu ser assistida. Lembro-me de ver a placa na bata de uma enfermeira, muito desfocada, que dizia " Enfermeira Aurora". Ela disse-me que estivera muito mal e que me tinham feito uma lavagem estomacal. Pelas 5 da manhã, deram-me alta. Não respondi ao questionário do meu marido. Apenas queria descansar. Estava muito exausta.




quarta-feira, 30 de março de 2016

Florbela não aparece!

                 Terça, 19 de Abril de 2005


Então, menina Florbela Pereira, Onde anda? Sumiu e não deu mais sua graça. Será que o Fernando Pedro a chantageou? E tu, Fernando Pedro, onde andas? Agora também falas alemão? Pois com o tradutor da Google, serás bom a traduzir. Só que a conversar não saberás fazê-lo. A pronuncia é difícil.
Estou aqui a desencadear uma conversação que nunca  terá frutos. Mas sei que me visitas todos os dias. Estás com receio? É que estou chegando ao dia D. Aí vai doer, acredita.
Bom, mas hoje venho para postar mais umas quantas baboseiras que me disseste até me levares à certa e onde querias.
O Fernando Pedro estava a trabalhar em Entrecampos. Mas neste dia não pode falar comigo. Disse-me que tinha o chefe com ele. Hoje já duvido de todas as coisas que me disse. Foi sempre um crápula e continua a ser.
Mensagem enviada às 09h15m29s

< Meu Amor hoje não posso falar contigo. Tá aqui o chefe. Mas penso muito em ti. Bjs longos e saudosos>

Mais tarde enviou a seguinte

18h24m01s

< Amor mio acabei agora o serviço. Vai ao MSN às 21h para falarmos um cadinho. Beijokinhas doces. Te amo muito. >

Enviei uma mensagem a dizer que não podia ir ao MSN . O meu marido dizia que eu andava muito pelo computador. Não gostou e ficou zangado.

21h12m12s

< Amor mio ele está  a tramar o nosso Amor. Não deixes que ele interfira. No dia 22 já me dão o carro. Bjs loucos. Dorme bem. >

terça-feira, 29 de março de 2016

Esta semana ,estou em Entrecampos!

      Segunda, 18 de Abril de 2005


E quem não se recorda da Feira Popular? Acho que todos nos recordamos dela. Mesmo os mais novos já viram fotos em que os pais estão, tirada na Feira.
Hoje recordo-a por outros motivos. Fernando Pedro estava a trabalhar aqui. Disse-mo pelo telefone.

09h11m14s

- Estou sim, faz favor?
- Bom dia meu amor. Como foram as tuas férias?
- As minhas férias, não. As mini-férias. Foram apenas três dias.
- Mas deram para sentir a tua falta. Acho que me custou muito. Estar longe de ti e pensar que ele estava contigo.
- Achas ou tens a certeza? É que parece que não estás seguro
- Estou muito seguro naquilo que digo. Senti-me perdido contigo tão longe. Ela até perguntou se eu tinha alguma coisa.
- Hum! E não suspeita de nada? Dá para pensar. Um dia apanha as minhas mensagens...
- Isso não vai acontecer. Eu apago-as todas e tenho-te a ti como José António.
- Então sou um homem, não é verdade?
- Pois amor. Só assim ela não dá por nada.  E tu como me tens?
- Apenas "Pedro". O meu marido não mexe no meu telemóvel...
- Tens a certeza disso? E quando estás a dormir?
- Ele adormece mais depressa que eu e quando acorda é para se despachar.
- Olha, sabes onde estou?
- Ainda não disseste...
- Estou em Entrecampos e vou ficar aqui toda a semana.
- Isso é bom ou mau?
- É bom. Quero que venhas ter comigo. Quando podes?
- Só na quinta. Tenho muita roupa para lavar.
- Hum... Então que os dias passem depressa. Estou com fominha. E tu não tens fome?
- Não. Já tomei o pequeno-almoço.
- Sabes do que estou a falar. Não é dessa fome que falo.
- Pois! Estás sempre lá...
- É onde me sinto bem. Quero que venhas estar comigo para sempre. Ouve, eu amo-te muito e sei que é isso que quero.
- Já falámos sobre isso. Não vale  a pena, Pedro. Eu sei que não o quero. E sei que não vai acontecer.
- Bem, já me estás a dar pró azar. Vou trabalhar. Tenho os homens à minha espera. Até logo.
- Até logo e não é "azar" mas a realidade. Depois falamos disso daqui a uns meses.
- Ok! Serei da mesma opinião.

E assim desligou sem mais delongas. Eu fui ao meu serviço de casa e esqueci a conversa. Mas antes escrevi no meu diário. Mais pelo 13h, enviou esta mensagem:

< Amor estou a almoçar na feira-popular. Na próxima almoçamos aqui. Bjs Kentes e molhados. >

18h00m17s

< Amor mio já não te posso falar. Vai ao MSN. Beijokinnhas doces. >

Fui ao MSN e falámos. A conversa foi à volta da minha estadia em Porto Covo. 




 

sábado, 26 de março de 2016

Estadia de sonho!

                Domingo, 17 de Abril de 2005


Esta foto representa a ponte que dá acesso a Odemira.
Foi uma foto tirada pelo Fernando Pedro aquando da nossa estadia em Porto Covo.
Neste dia, será o meu último com o meu marido. Foram uns dias inesquecíveis. Meu marido foi incansável a tornar a minha estadia numa estadia de sonho.
Aqui deixo o testemunho do Fernando Pedro com as mensagens que me enviou. Hoje ao ver as mensagens, fiquei perplexa. Ele tinha-me dito que a mãe dele já tinha ido para a casa dela em Rio de Mouro, mas acontece que me envio uma mensagem neste dia com mais uma mentira. Será que dei com ela na altura ou passou-me ao lado? Nada tenho assinalado a respeito disso. Provavelmente, estava tão cega que não dei pela mentira. Ora vejam:

10h55m36s

< Bom dia meu Amor. Está tudo bem comigo. E contigo? Já sei que vens embora hoje. Isso alegra-me. Vou agora mesmo dar o p. almoça à mãe Laura. Beijoquinhas muito doces de quem TE AMA MUITO. >

11h00m08s

< Hoje mais que ontem AMO-TE. Amanhã AMAREI mais que hoje. Assim será até que o desejo de recebê-lo seja igual ao meu de  TE O DAR ETERNAMENTE. Bjs meu AMOR. >

18h34m58s

< O carro ainda não está pronto. Boa viagem. Pensa muito em mim. Bjs doces TE AMO MUITO. >

19h27m34s

<Estou a contemplar o sol e a transmitir o seu calor até TI para ele chegar e TE AQUECER. Bjs meu AMOR. >

21h22m48s

< Já sei que estás em casa. Está tudo bem, meu AMOR, mas com muitas saudades. Estou no pc pq estou só. Bjs grandes. TE AMO MUITO. >

Mentiras, mentiras e só mentiras. Ele pejava-me de mentiras e eu, louca, acreditava nelas. Qual " eternamente" qual quê, bastou lá ter o dinheiro para começarem a chover outras tantas intrigas que eu ficava de boca aberta de ver a   sua imaginação fértil a  trabalhar para me rebaixar ao insignificante