quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Recordo a minha infância!

Na cidade da Horta, Faial, existe este muro onde as pessoas, que visitam este lugar, deixam uma mensagem na parede fronteiriça à doca. Um dia esperam voltar. Eu também espero voltar a esta ilha tão acolhedora e linda.


A nova aquisição do Pedro sorri feliz. Ela não sabe, com certeza, que um dia esse sorriso ir-se-á apagar por um tempo muito longo e que olhará em volta e os estragos serão enormes. Ele continua aí partindo corações e esvaziando os bolsos das suas vítimas.

Domingo, 26 de Junho de 2005

Como disse anteriormente, estou na minha terra natal. Acordo lentamente. Espreguiço-me  na cama e olho à volta. Tudo me é tão querido que gostaria de viver aqui desde a Primavera até meados de Outono. Porém, não posso. A minha vida não se desenrola aqui. O meu marido ainda trabalha e tem que regressar. Sento-me na cama. O sol entra pelas precianas. Lá fora faz muito calor, mas aqui está fresco.
Vou tomar banho. Na cozinha oiço o matraquear da loiça e chega um cheirinho a café de cafeteira. Sinto fome. Não é  bem fome, mas um apetite  de devorar aquele café que me faz recordar a minha infância. É o meu marido que já chegou da sua caminhada e se encontra a preparar o pequeno almoço. A vida aqui é serena, tranquila e feliz. Nada me faz recordar o Fernando Pedro. Quero esquecer que dei um mau passo. Em silêncio, peço perdão ao meu marido. Ele não merece o que lhe estou a fazer.
Entro na banheira e a água começa a correr pelo meu corpo como uma carícia. Encho-me de espuma e permaneço ali como se não houvesse amanhã. Há passos nas escadas e apuro o ouvido. Recuo à minha infância e oiço a minha mãe chamar-me. Estou tão embrenhada nestes momentos longínquos que nem dou pelo meu marido que me olha através do vidro e vendo-me muito concentrada diz:- Dava um milhão por esse momento. Queres partilhar comigo?
 Não sei o que dizer e começo a rir a bandeiras despregadas. "Estava a pensar na minha infância, digo entre lágrimas e risos.
O meu marido estende-me o toalhão e diz que me despache porque o café está quentinho.
Deixo o telemóvel no quarto e não dou por uma mensagem do Pedro. A minha vida é ali. Naquele momento o meu agrado está a escassos passos de mim.
Desço as escadas com o braço do meu marido por cima do meu ombro desnudado. Sinto-me tão feliz que me encosto a ele e sinto aquela carícia que gosto tanto.
Como com satisfação e falo com o meu marido as banalidades da vida. Ele gosta muito deste cantinho e eu nem se fala.
Arrumamos a cozinha os dois. Meto a loiça na máquina. A campainha da porta toca a sua melodia da manhã. Vou abrir e vejo a minha irmã com um ar triste. Pergunto se está tudo bem. Ela nem responde e abraça-me com força. Diz em surdina:- Não aguento o meu marido. É uma besta quadrada.
Devolvo o abraço e ali ficamos em silêncio.
Vou com ela até sua casa. Vejo a minha mãe sentada no cadeirão com um olhar frio e distante. Beijo-a com carinho e faço-lhe uma festinha na cara onde já não há aquela cor de outros tempos.
O meu cunhado chega ainda a cheirar a vinho. Não me cumprimenta e sai disparado pela porta que bate ruidosamente. Encolho os ombros e digo para a minha irmã não ligar. Mas ela não consegue  disfarçar a dor que está latente no seu coração. Convido-a para almoçarem connosco, mas ela não sabe se o marido aceita. O álcool ainda flui pelas suas veias e ele é pessoa não grata.
Ajudo a minha irmã e levamos a minha mãe para o jardim. Ali ela está feliz. Olha as flores e  quer apanhar uma. Eu colho-a e dou-lha na mão que treme desalmadamente.
O meu marido vem dizer-me que o meu telemóvel toca sem cessar. Corro e recordo que deve ser o Pedro. Mas ele sabe que não deve telefonar sem saber se pode ou não. Quando chego, vejo que é a minha filha. Falamos e dirijo-me a casa da minha irmã para ela falar com a avó e a Bi.
Quando desligo vejo que está uma mensagem do Pedro. Leio-a e fico a pensar o que ele quer dizer com aquilo.

< Será que me amas como eu te amo? Não deves amar. Sou eu que mendigo teu amor sou eu que sofro com este silêncio sou eu que me lembro de ti  de manhã. Ele está contigo? Estou em aflito. Bjs doces.>

A mensagem tinha chegado há duas horas.
Respondo naturalmente e serena. Nada de alarmismo. Digo que estou com o meu marido.

Chega a hora do almoço. Vamos almoçar ao restaurante que fica no Bairro Novo. O meu cunhado não aceitou o nosso convite.  Encontro colegas e juntamos as mesas. Ficamos na conversa e combinamos um encontro, na próxima vez, na minha casa. Despedimo-nos deles com a certeza de voltarmos breve. Chegamos a casa e começamos a arrumar tudo. Despedimo-nos para virmos embora. Envio mensagem ao Pedro para dizer que está tudo bem e que não posso ir ao MSN.
Responde de seguida:

18h23m49s

< Amanhã já falamos combinamos de manhã. Bjs de mel. AMO-TE muito. >

Fazemos a viagem a ouvir música e, de vez em quando, falamos no que se passou. Digo que tenho pena da minha irmã. Venho cheia de remorsos por não trazer a minha mãe.

21h09m46s

< Dorme bem meu Amor vou sonhar contigo. Beijokas doces. >

Deixo-me rir da mensagem. Para ele não há pontuação e escreve com erros. Fico a ver um filme. O meu marido vai-se deitar. Amanhã tem que se levantar cedo.

Hoje deves estar triste, Pedro. O Sporting perdeu. Soube agora ao terminar a postagem. Ainda há esperança de sonhar com o título. Se ganhar ao Benfica, ficamos muito contentes.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Pior período!

Eis um trabalho feito pelas senhoras da ilha de São Jorge. Apesar da minha filha fazer este tipo de trabalho, eu comprei. Não só para as ajudar como para trazer recordações lindas  desta ilha que ficou no meu coração.


A minha vida continua no trilho que tracei e por onde caminho. Tenho relampejos de visão qual águia, mas são tão poucos que os abafo.
Hoje, e olhando para trás, sei que foi o pior período da minha vida. Mas continuo de sanidade incongruente só vendo o lado que o Fernando Pedro Cachaço Marques quer que eu veja.

Sábado, 25 de Junho de 2005

Este Sábado estou na minha terra.
 Vejo a minha mãe e ajudo no que me é possível. A minha irmã olha e diz que tenho um ar cansado. Pergunta preocupada porque quer que eu traga a minha mãe. Eu digo que ando em tratamento psiquiátrico. Não por que precise dele, mas para mostrar que não posso trazer a minha mãe comigo. A última parte não referencio
Não estou louca nesse sentido, mas ando louca para estar sempre com o Pedro. Ele fascina-me, hipnotiza-me e traz-me pelo beicinho.
Ele não sabe que eu estou tão longe. Não lhe digo e respondo às mensagens sem mencionar o sítio onde me encontro. Ele sabe que eu tenho casa ali. Que, quando lá vou, me encontro com os meus colegas e amigos. Mas, desta vez, oculto, não minto...
Ele começa logo pela manhã enviando mensagens de  amor e juras de ficarmos unidos para sempre. Eu não o quero, mas fico lisonjeada pelo que me diz.

09h32m12s

< Meu GRANDE AMOR tenho saudades tuas. Ela foi trabalhar. Um dia não temos este problema vamos ficar juntos eu quero. Beijokinhas doces. >

Envio de resposta que não será possível. E ele sabe disso.

10h01m59s

< Meu AMOR não sejas assim. Eu AMO-TE quero ficar a teu lado no resto da vida. Bjs de mel >

Não lhe respondo. Acho que não vale a pena. Sinto-me triste e choro sozinha. A minha irmã bate à porta. Abro, ainda, com os olhos vermelhos. Ela pergunta se estou bem. Aceno com a cabeça, mas rompo num choro incontrolável. Ela abraça-me e diz que preciso mesmo de descansar.
Falamos e digo que estou um caco. Nada me anima. Estou desesperada.
Entretanto chega o meu marido que tinha ido fazer o seu treino habitual. Corro à casa de banho e lavo a cara para ele não notar. Ele vai tomar banho e eu saio com a minha irmã. Começamos a falar e a tristeza dissipa-se.

15h32m19s

< Já almoçastes? Eu já estou na conversa com a Cl*****Beijokinhas do nosso jeito. >

Respondo a dizer que já e que a conversa seja frutífera. Novamente veio outra mensagem:

< Gostava de estar contigo abraçar-te beijar-te e amar-te. Ele está? Podes falar? >

Não respondo. Estou a ficar, ainda, mais triste. Mas o meu marido compensa-me. Saímos e vamos passear até Badajoz. Faço compras e esqueço o meu problema.

22h12m09s

< Dorme bem. Beijokas de mel. AMO-TE muito sonha comigo.>

E, assim, fico na sala a ver televisão. O meu entretenimento atual.


 




sábado, 3 de dezembro de 2016

O nosso almoço!

Este é um tear que se encontra na ilha de São Jorge. É assim que muitas mulheres ganham o sustento para a família. Fazem trabalhos lindos que, depois, vendem aos turistas. Também exportam. Acreditem, são grandes maravilhas que saem destes teares e das mãos e gosto de grandes mulheres.

Nem sempre a vida é colorida. Por vezes é a preto e branco. Somos nós que pintamos as cores da nossa vida. Mas orgulhamo-nos quando ela sai a cores. Quando as cores são pinceladas de uma vivacidade que nos dão orgulho e alegria.
Eu nem sempre soube fazer o arco-íris da minha vida. Muitas vezes as pinceladas saiam desbotadas e com cores esbatidas. Hoje já não é assim. Tenho na mão a paleta e sei misturar as cores que dão vida ao meu mundo.

Sexta, 24 de Junho de 2005

Ora, aqui me encontro eu, neste dia, tendo uma conversa muito feliz com o Fernando Pedro. Ele tão depressa é amoroso, encantador, carinhoso como, de repente, é amargo, ofensivo, cruel, instável e irreverente, revoltado, às  vezes...

08h20m56s

- Estou sim...
-O meu amor dormiu bem? Está bem disposta? Quer vir almoçar comigo?
- Bom dia! Tantas perguntas que nem sei por onde começar. Mas vou responder na mesma sequência: 1º- Dormi bem, descansei e não me recordo de sonhar.
2º- Estou bem disposta. Basta dormir bem, para acordar com vitalidade, alegria e prazer de viver.
3º- Se me convidas para almoçar, eu aceito com muito gosto. Basta estar contigo para me sentir feliz.
- Ena! Hoje está inspirada... Sou eu que te inspiro, não é? Mas não sonhastes comigo?
- Não. Já disse que não me recordo. E sabes? às vezes tiras-me a inspiração. ÀS vezes fazes-me perder essa linda faculdade. Tens dias que nem sei por onde te trago...
- Êh! Não sou nenhum canalha... Temos os nossos dias. Tu tameim tens os teus...
- Se tenho, a ti os devo. Gostava de saber os teus pensamentos quando olhas o vazio.
- Não tenho...
- Não tens? Não tens o quê?
- Pensamentos. Fico a olhar para ti com muito amor. Tu é que tens segredos para mim..
- Desculpa, mas isso não é verdade. Eu conto-te tudo.
- Será? Eu descubro se tens ou não. Um dia vou-te dizer.
- Não tenho medo. Não tenho segredos.
- A ver vamos.. Vens almoçar comigo? Estou no Centro no sítio do costume.
- Está bem. Eu vou lá estar ao meio dia. Beijinhos e até logo.
- Inté. Beijocas que vamos dar...

A partir daqui fico com receio da imaginação fértil do Pedro. Faço tudo para não lhe dar azos a isso. Mas não dá resultado. E um dia vão ver porquê.

Vou ter com ele. Estou na entrada do Centro onde se encontra o Continente. Foi aqui onde nos encontrámos a primeira vez. Fico nervosa. Não sei como ele vem. Olho e vejo-o a descer as escadas. Vem como sempre: Senhor da situação. Mostra-se altivo. Parece que tem o rei na barriga. Eu fico pequenina qual grão de areia. Caminho na sua direção e sinto-me abraçada e beijada calorosamente.
Dá-me a mão e caminhamos em direção às escadas rolantes. Vamos lado a lado. Ninguém ao nosso redor. Só nos dois. É como se tudo se tivesse evaporado. Falamos em sussurro e trocamos os nossos beijos.
Almoçamos na comida a peso. Ele à frente e eu atrás de tabuleiros na mão. Nunca dá primazia às senhoras. Ele sabe que o último paga a conta.
Vamos para a mesa do canto que passa a ser a nossa mesa, o nosso cantinho.
Conversamos animadamente. Nada de relevante. Apenas banalidades.
O tempo passa. Chega a hora dele ir trabalhar.
Despedimo-nos. Logo, pelas 17h, estaremos juntos outra vez.
Vou ao cinema e esqueço que a minha vida está do avesso.

Saio e encaminho-me para o local do costume. Como um gelado. Está calor e sinto-me ruborescer.
Ao fim de algum tempo aparece o Pedro. Sempre com o mesmo porte, a dignidade  que não tem e o sorriso de quem é lascivo.
Damos alguns passos e subimos para a gare. Ali esperamos o comboio. Muita gente, mas ninguém conhecido. Fico tranquila e fazemos juras de amor eterno que nunca se cumprirão.
O comboio chega, fazemos as despedidas e ele põe a mão no vidro quando a porta se fecha. Sinto-me feliz e acho que essa felicidade nunca chegará ao fim.
Já no comboio, sento-me e penso como o dia foi bom. Leio o meu livro e fico alheada de tudo e de todos. Já perto da minha estação recebo uma  mensagem.

< AMOR foi pouco tempo, mas soube tão bem. Amo-te e não te quero perder. Bjs que não demos. >

Chego a casa e vou tomar banho. Deixo a água correr como se fosse um rio a desbravar o leito. Sinto-me feliz. Não dou pelo meu marido chegar. Ele sobe e surpreende-me com um ar muito feliz. Pergunta se estou assim por ele chegar. Deixo-me rir e digo: Convencido. Mas podes crer que sim. Beija-me e aperta-me contra ele. Sabe tão bem que me deixo ir na onda. Ele entra na banheira e tomamos banho juntos. Para mim é aquele momento que desejo ter com ele.

18h49m50s

< Amor vou fazer o jantar. Chegastes bem? Adorava estar contigo. Beijokas mil. >

Janto calorosamente com o meu marido. Sabe tão bem estar com ele. Sinto um aperto no coração e recordo que estou no caminho errado. Peço perdão em silêncio e olho embevecida para ele.

21h57m56s

< Amor dorme bem. Estou com saudades. Pensa em mim. Beijo ardente. >

Assim termina o dia. Um dia a mais para mim que decorreu lindamente. Durmo e fico em silêncio.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Outra vez "regar o caminho"!

É a capela da Misericórdia de Angra do Heroísmo. Antigo hospital. Foi aqui que morreu o irmão de Vasco da Gama, Paulo Gama.
Em frente à capela está a imagem de Vasco da Gama a caminhar. Angra está cheia de história.

Quero dizer que não consigo entrar nos blogues que estou seguindo. Coisas novas, de certo, mas longe do meu olhar. Parabéns a todos. Sei que, pelas postagens  antigas, têm grande manancial de nos deliciarem. Pena que não consiga ver.

Quinta, 23 de Junho de 2005

A minha filha telefona todos os dias. Hoje não é exceção. Logo pela manhã falamos. Diz que eu devo ter cuidado com o Pedro. Para me pedir dinheiro não deve ser boa rês. À noite vai jantar com os professores da Universidade. Ela é assistente de um deles.
O Pedro liga, mas o telefone está impedido. Estou tão embevecida com a minha filha que até me esqueço dele.
Quando desligo fico a pensar no que acabo de ouvir da minha filha e ponho-me a magicar no sucedido. Deverei dar ouvidos à minha filha? Uma pergunta sem resposta.
Estou eu nestas cogitações quando o telefone toca.

09h01m45s

- Estou sim, por favor?
- Conversa muito animada. Com quem estavas a falar? Posso saber?
- Devo-te explicações? Não sabia!
- É assim tão importante que não possas partilhar comigo?
- Tem muita importância. É uma parte de mim. Devo atender cada vez que ela telefonar.
- Ah! Era a tua filha? Como está?
- Perfeitamente, obrigada. Eu não te pergunto nada quando tu não dás logo a resposta! Espero até teres oportunidade de o fazer. Espero que respeites, também, isso em mim.
- Pronto, pronto... Não te zangues.
- Parece que quem estava ontem zangado eras tu. Nem uma carícia, nem um sorriso... Que bicho te mordeu?
- Não mordeu. Apenas fiquei triste.
- Com o quê?
- Contigo...
- Comigo? Porquê?
Parece que ficastes indiferente quando eu disse que não tinha dinheiro na conta...
- Pedro isso não é verdade! Fiquei pensativa, só isso e quis animar o ambiente.
- Hum! Ok! Não me ajudastes, mas eu já estou com dinheiro. Pedi à minha mãe. Não gosto de fazer isso. Mas não te esqueças de regar o caminho do nosso amor.
- Pois... Eu tento regar. No caminho, as flores não vão murchar, se depender de mim.
- Espero que não te esqueças. Hoje vou para a linha de Sintra e já não venho aqui. Se puder, telefono de lá. Senão, só mensagem e falamos no MSN. Queres?
- Quero o que for melhor para ti.
- Mas vais ao MSN?
- Não, Pedro. Não quero dar nas vistas. O meu marido pode desconfiar e a Zé também. Foi à cerca de um mês e meio que se passou aquela embrulhada toda. Não quero falar com a Zé outra vez. É desconfortante.
- Lá tenho que eu arranjar outra desculpa. O meu colega ajuda-me.
- Mas eu não quero. É muito desagradável.
- Ok! Bem, tenho que ir. Os homens estão à espera. Beijoca doce.
- Beijinhos...

É a conversa do dia. Mais uma vez fico de alerta. "O caminho tem que ser regado". Mas como? Penso eu. Ingénua...

17h21m43s

< Amor já estou perto de casa. Gostava de te ouvir beijar e amar. Amanhã fazemos isso. Eu telefono. Beijokas muitas.>

21h45m32s

< Vou dormir para o tempo passar depressa. Dorme bem. Beijokinhas de amor. >

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Será que levaste outras mulheres ao nosso sítio?

 


Eis a manta de retalho, como lhe chamou o nosso guia, que bordam as terras da ilha Terceira.
Foram dias maravilhosos. Inesquecíveis até. No próximo verão vamos lá passar um mês. Ainda não decidimos onde alugamos a casa. Numa das ilhas centrais para podermos ir a todas as nove ilhas que compõem os Açores.

Mas não vim aqui para falar do meu passeio em Setembro passado ou para falar dos nossos projetos futuros
O meu propósito é outro. Venho relatar o meu triste envolvimento com o Fernando Pedro Cachaço Marques.
Digo "triste" porque foi isso mesmo. Andei sempre numa pressão muito grande. Se me perguntarem se fui feliz, eu não o sei decifrar. Era um misto de muitas emoções. Era receio, frustração, tristeza profunda, medo do seu pensamento perverso e da maneira como me tratava muitas vezes. Ora era doce ora era agreste. Por vezes dizia que eu não era sincera nem honesta comigo mesma. Dizia que eu era mentirosa e de coração vazio. Sentia-me muito triste nestas ocasiões e regressava a casa com o objetivo de não mais lhe falar. Deixá-lo simplesmente. Mas ele insistia e eu ficava hipnotizada.


Neste dia, Quarta, 22 de Junho de  2005, vou ter com ele a Entrecampos. Ultimamente é aqui que nos encontramos.
Chego à estação por volta das 11h da manhã. Dele, nem sinal. Sento-me no banco que está virado para a antiga Feira Popular. Espero pacientemente. Estou ali plantada até cerca do  meio-dia e meio. Já cansada, e pensando que ele me tinha ludibriado, olho ao meu redor. Estou há muito à espera e levanto-me para fazer o regresso. Porém, vejo-o a sair de uma porta que fica debaixo da estação. Vem a mostrar muito cansaço. Todo a transpirar. Nem sequer me quer beijar. -Tenho que tomar banho primeiro, diz ele com a cara muito franzida. Cheira a transpiração. Tenho compaixão e agarro-me ao seu braço e caminhamos em direção ao nosso sítio. Hoje pergunto:- Será que levas para lá as tuas conquistas? Que levaste antes de mim? São perguntas que ficam sem resposta. Talvez as leves para hotéis. Hoje estás muito fino. Claro, extorques dinheiro às tuas vítimas. Recordo que na nossa primeira vez, fiquei muito surpreendida quando te conheceram e disseram o teu nome. Preguntei se ela te conhecia. A resposta foi tão rápida e tão sincera que fiquei convencida com a tua explicação. Contudo, mais tarde, venho a descobrir, pela Rosário, que era o vosso ninho, assim como na casa de Benfica.
Chegamos ao prédio. Subimos as escadas e vamos para aquele quarto que já nos é familiar. Vais direto ao poliban. Tomas um banho rápido e vens para junto de mim. Cheiras a transpiração, mas nada digo para não te constranger.
O tempo passa e ficamos a conversar lado a lado. A conversa é sempre a mesma. Hoje dizes que já não tens dinheiro do ordenado e que só recebes no final do mês. É para me impressionares e eu ir a correr meter-te algum dinheiro na tua conta. Mas não olhas para mim e, como tu dizes do meu marido, eu vejo mentira quando não me olham olhos nos olhos. Nem respondo e mudo de assunto relembrando que são horas do almoço. Vamos tomar banho juntos. Certamente fazes isso com todas as outras mulheres antes e depois de mim. A menina Florbela deve dizer de sua justiça... Dê o ar da sua graça e juntas deitamos este homem  pela pia abaixo.  Contacte-me. Eu tenho o processo. Sozinha não, consigo tenho a solução.
Saímos daquele antro de devassidão. Dirigimo-nos para a Feira Popular onde almoçamos nos Lobos do Mar. Escolhes a tua ementa e ficas a olhar para mim. Já sei. Tenho que pedir a minha. Estou no regime de emagrecimento.
Comemos calados. Para quebrar o gelo, eu falo bobagens. Tu estás muito circunspecto. Eu sei porquê, mas finjo não perceber. O teu mutismo é por eu não te dizer que te dou dinheiro. Tu não reages. Ficas a olhar o vazio. E eu faço de bobo da corte. Quando vem a conta, envias a bandeja para o meu lado. Nem digo nada. Vou ao balcão e pago. Saímos dali. Eu dou-te o braço. Seguimos até à estação mudos e calados. Já não espero nada de ti. Subimos as escadas até à plataforma. Nem uma palavra. Sorrio para ti mas recebo um olhar vazio. Vem o comboio. Despedimo-nos com frieza. Nem sequer pões as mãos no vidro como é costume. Viajo com a sensação que foi o nosso adeus. Mas fico aliviada. Será melhor para nós, penso eu com os meus botões.
Chego a casa com a certeza de termos terminado a nossa caminhada.
O tempo passa. Chega a noite e vou ao MSN. Não apareces e nem envias mensagem.
Deito-me aliviada e durmo toda a noite. Consciência tranquila. O pesadelo terminou.


quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Conversa fiada!

Quando tirei esta foto estava muito feliz.
Representa o Pico na ilha do mesmo nome. Estava um dia maravilhoso. Até se via o piquinho. Nada a perturbar a nossa estadia. Foram dias e dias maravilhosos.

Terça, 21 de Junho de 2005

08h20m10s

- Estou sim, faz favor!
- Tens uma maneira linda de atender o telefone. A esta hora já sabes que sou eu. Bom dia, amor.
- Bom dia senhor Pedro. Dormiu bem? Nem sempre és tu a esta hora. Há dias telefonou-me o meu marido.
- Já estiveste a falar melhor. Esquece esse fulano. Não me fales nele. Não gosto de pessoas que olham por baixo.
- Como sabes isso? Nunca o viste, que eu saiba.
- Vi-o em fotografia na tua casa e chega.
- Mas eu tenho que falar nele assim como tu falas na Zé. E não fico assim. Não nos podemos esquecer dos nossos apêndices. Hão de andar sempre connosco.
- Nem sempre. Quando nos casarmos, eles, ficam de fora.
- Sonha, sonha....Isso nunca vai acontecer. E tu sabes disso.
- Só sei que quero casar contigo e estarmos juntos para sempre.
- Que ilusão, Pedro! Sabes tão bem como eu ou melhor ainda, que nunca vai acontecer. És peixes e os peixes nunca ficam no mesmo lugar. Ora andam ao cimo da água ora mergulham nas profundezas do oceano. 
- És mesmo pessimista e desconfiada . Escreve o que eu digo. Vamos casar e ponto final.
- Ok! Mais tarde falaremos e verás quem tem razão. Hoje dormi muito mal. Tenho a minha cabeça muito confusa com todas estas coisas.
- Eu também dormi mal. Pensava que eras tu que estava ao pé de mim e era ela.
- Vamos bater sempre na mesma tecla...
- Tu é que não queres ouvir o meu coração. Muda-se de assunto. Queres vir amanhã ter comigo a Entrecampos?
- Está bem. Hoje vou ao cabeleireiro e fazer a depilação e amanhã vou ter contigo.
- Posso telefonar à tarde? Já estás em casa?
- É melhor não. Vou demorar.
- Então  fica combinado?
- Sim. Eu vou!
- Vais ao MSN?
- Não. O meu marido pode desconfiar. E a Zé também.
- Gostava de falar contigo um cadinho...
- Amanhã falamos tudo. Vai trabalhar.
- Estás a despedir-me?
- Não.
- Tá bem. Envio mensagem.
- Beijinhos, então.
- Hummmmmmmm! Beijocas doces para o meu amor.

Esta conversa não teve razão de se fazer. Ele sabia que nós nunca iríamos ficar juntos. Mas tentava, tentava engodar-me. Hoje, e olhando para trás, vejo que ele nunca teve intenção de casar comigo coisa nenhuma. Só queria dinheiro e bens materiais. Isso vim a descobrir mais tarde. Eu era ingénua e nunca pensei que ele fosse um prostituto...
 


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Encontro em Alcântara Terra!



Esta foto é de um restaurante da terra Natal de Fernando Pedro Cachaço. Estive aqui na altura da semana de gastronomia.

Segunda, 20 de Junho de 2005

Era o primeiro dia da semana. Um dia que acordou escaldante, cheio de vida e muito emotivo.

08h01m29s

< Amor vem ter comigo a Alcântara. Estou aqui de serviço quero estar contigo. Beijoca docinha. >

Fico surpresa com o convite. Não  estava marcado. Porém, saio da cama e tomo banho. Visto-me com roupas leves. O dia está quente. Não sei o que se vai passar. Mas lá vou no comboio da manhã. Este vem atrasado, mas não me incomodo. Chega bem o tempo que estou com ele. Continuo com reticências a respeito do Pedro. Há algo nele que me deixa confusa.
Chego a Alcântara perto das 10h e 30m. Ele está ali à minha espera. Como sempre, mostra-se muito seguro do seu "eu".  Pelo contrário, não me sinto à vontade. Estou deslocada e com receio.
Uma receção muito aparatosa e eloquente. Fico apreensiva. O Pedro pergunta-me o que ensombra o meu espírito. Digo-lhe que tenho receio destes encontros. Que ele nunca mais me irá querer num futuro próximo. Ele insiste que eu sou masoquista. Gosto de sofrer por coisas que não existem. Aperta-me contra o seu peito e beija-me euforicamente. Fico presa ao seu olhar, ao seu sorriso conquistador e à sua prepotência sobre os outros, em mim, principalmente.
< Nada nos irá separar. Estaremos juntos para sempre. Eu amo-te e não te quero perder. Rega bem o caminho do nosso amor e nada nos vai separar: Diz ele com uma segurança que me deixa perplexa. Hoje sei que " o regar do caminho do nosso amor" nada mais era do que lhe dar sempre o que ele quisesse. Neste dia não percebo e digo com toda a minha inocência:- Mas eu rego com muito carinho e amor.
- Então não te esqueças disso. Rega e terás sempre o meu amor.
Neste dia não entendo o que ele quer dizer, mas fico com mais receio, ainda.
Entretanto chega a hora do almoço. Vamos almoçar num restaurantezito ali perto. Olho e vejo que é " Flor da estação".
Já no restaurante, sentamo-nos numa mesa ao canto. Isolada e só nossa. Ele diz que é "o nosso cantinho" visto termos estado aqui no dia dos meus anos.
Eu peço, apenas uma sopa. Vem caldo verde. Eu não tenho fome e a comida custa a ir para baixo. Ao invés, ele pede uma grelhada mista e come com apetite, gozando-me. Eu não ligo e fico, ainda, mais nervosa.
Volta, outra vez, a falar no casamento. Ele quer envolver-me numa mentira que não tem pernas para andar. Claro que não acredito numa única palavra. Até me alheio e penetro nos meus pensamentos de medo e rejeição que ele me fará num período próximo. Eu sinto isso. E ainda mais quando ele afirma categoricamente:- Apenas há uma coisa que me fará afastar de ti.
Fico de olhos esbugalhados a olhar para ele e pregunto com a maior ingenuidade:- Que é? As tuas filhas?
- Não! A presença de outro homem entre nós dois.
Rio com um rizo amarelo e respondo:- Mas tu sabes que isso não vai acontecer!!! Jamais me envolverei com mais ninguém! Dei um mau passo contigo a não volto a dar outro. Nem vestido a ouro. Jamais isso vai acontecer.
- Então não te esqueças disso e rega o caminho do nosso amor.
Pois, ainda, mais confusa fiquei. Só percebi mais tarde quando me impôs um amante que nem sequer eu o conhecia. Vim a saber, mais tarde, que a mulher do dito senhor era natural de uma terra próximo da minha. Mas isto fica para mais tarde. Afinal deixei de lhe dar dinheiro ou bens materiais e ele achou, por bem, arranjar-me um amante para ter um motivo para me deixar.
Neste momento fico muito receosa. Ele é muito astuto e inteligente para arranjar seja o que for. Penso no que ele engendrou aquando da mensagem deixada no telemóvel que deu à mulher.
Fico receosa e os meus olhos começam a deixar cair lágrimas de desilusão. Tenta acalmar-me e dizer que isso não vai acontecer por que ele acredita muito em mim.
Limpo as lágrimas. Saio para a rua e ele acompanha-me. Damos umas voltas por ali. Ele mostra-me algumas ruas de Alcântara. O meu coração está muito negro e magoado. Não tenho olhos para o encarar. Beija muito os meus lábios e tenta apagar a má impressão que os meus olhos mostram.
Quando ele fala, intensamente, no nosso casamento, eu digo que nunca mais vou à minha terra. Tenho vergonha! Ele remata que quer conhecer as minhas origens e passear comigo para que toda a gente perceba o quanto me ama. Eu penso:- Grande mentira. Jamais casarás comigo. Eu não quero deixar o meu marido e tu não queres deixar a  tua mulher e as tuas filhas.
Deixo-me rir com a grande imaginação que ele tem. Ele é sumptuoso a arranjar mentiras e calúnias em milionésimos de segundo.
O tempo passa tão lentamente que me confunde. Quero sair dali. Esquecer aquela palhaçada e começar uma vida nova. Ele continua a divagar nos seus sonhos imbuídos de uma falta de princípios para com o próximo, eu.
Chega, então, a hora por mim tão esperada. Ele faz questão de me acompanhar até ao Areeiro. Ei digo que não vale a pena. Vou bem sozinha. Mas ele explica que será melhor apanhar o comboio aí. Depois eu pergunto:- Mas afinal que estiveste a fazer aqui, se passaste o dia comigo?
- Trabalhei desde cedo e acabei por acabar o serviço para estar contigo. Ora diz-me lá se eu não te amo?
Não tem respondo. Não faz sentido. Fico calada enquanto ele me acaricia e me beija como se, realmente, fosse um grande, grande amor.
Chegamos ao Areeiro. Levanta-se e beija-me com muito entusiasmo. Volta-se para mim e diz com uma grande lata:- Não vou jantar. O serviço vai ser longo. Beijinho e fica bem. Boa viagem.
Olho com olhos que não veem. As portas abrem-se e ele sai para o meu da multidão.
Faço a viagem em silêncio. Não penso nada. Não tenho coragem de pensar naquilo que foi uma grande banhada para mim.
Chego a casa antes do meu marido. Neste dia não houve nenhuma mensagem nem MSN.